Imagem não é nada, sede é tudo! (Érica Peixoto)

Uma imagem vale mais do que mil palavras? Não sei. Depende. Mas uma coisa é certa: estamos na era das imagens! Essa nova era tem duas características próprias: a aparência e a venda de ilusões.
Em primeiro lugar, a era das imagens é uma era de aparências. Houve algum tempo em que as pessoas eram valorizadas pelo que eram. Houve um tempo em que as pessoas eram valorizadas pelo que tinham. Não sei se ainda resta algo desses tempos. Só sei que hoje, de maneira geral, mais do que ser, mais do que ter, as pessoas se preocupam em parecer. Não importa se o tênis é falso, está escrito Nike nele. Não importa se a TV é do Paraguai. Não importa se o CD é pirata. Não importa se o sutiã é de enchimento. Não importa o que eu verdadeiramente sou ou tenho. O importante é o que eu pareço ter ou ser. Vaidade, vaidade, tudo é vaidade!
Em segundo lugar, a era das imagens é uma era de venda de ilusões. Não sou publicitária e nem especialista em Marketing. No entanto, basta refletir um pouco sobre as propagandas que nos bombardeiam todos os dias para percebermos que, de modo geral, não se vende um produto, mas uma ilusão, um desejo, um sonho. Vejamos alguns exemplos. O que o convite “venha para o mundo de Malboro” tem a ver com nicotina? Não se está vendendo cigarro, está se vendendo liberdade. “Amo muito tudo isso” não tem nada a ver com propaganda de pão, carne, alface e tomate. Não se está vendendo lanche, mas aceitação, valorização. E o que dizer da Nike, com seu lema “Escreva o futuro”? O que futuro tem a ver com tênis? Maria de Fátima Severiano, em seu livro “Narcisismo e Publicidade”, adverte: “Um consenso se estabelece no que diz respeito ao que não é o objeto da publicidade: não se vende o ‘produto em si’, tampouco as ‘qualidades intrínsecas’ do produto. Vende-se tudo, menos o produto. Vendem-se imagens, marcas, valores, arquétipos, magia, símbolos, arte, desejos, códigos culturais, emoções, diferença, estilo, etc. Ou seja, não se vende o que, de fato, se quer vender”. Vaidade, vaidade, tudo é vaidade!
Na verdade, essa era pós-moderna de imagens, não é verdadeiramente uma era de imagens, mas uma era de sede: sede de liberdade, sede de ser amado, sede de ser compreendido, sede de ser valorizado, sede, sede, sede... Comprar um tênis Nike para saciar o seu desejo por esperança e sucesso no futuro é tão útil quanto beber um café bem quente e doce num dia de verão achando que com isso vai matar a sua sede. Somente água mata a sede! Somente Jesus, a Água Viva, é capaz de matar a nossa sede espiritual. Disse Jesus: “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” (João 4.14).
Nesses tempos pós-modernos, nessa era de aparências e de ilusões, a minha luta como cristã é pela autenticidade, pela coerência, pela profundidade, por uma vida sem cera. Mas, admitindo que posso vacilar, faço humildemente a Deus essa oração: Ó Deus, nesse tempo tão difícil, se for para eu ser parecida, que eu seja semelhante a Jesus; se for para eu ter algo, que seja a certeza e a alegria da Tua salvação; e se eu tiver que viver com imagens na minha cabeça, que sejam duas: a cruz do Teu Filho e o túmulo vazio.

 

ÉRICA PEIXOTO

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