Como nos relacionamos com o fracasso? (Luiz Tarquinio)

A maioria das pessoas se sente desanimada diante dele. Pensa em desistir, jogando tudo para cima. É verdade que nem tudo que começamos deva ser terminado. Há determinadas situações que requerem mudanças e cortes radicais. Temos que chutar o balde nalguns momentos para não “dar uma bicuda” na vontade de Deus. Mas gostaria de pensar, neste texto, não acerca desse fato também real, mas daquilo do que desistimos quando deveríamos continuar por mais tempo.
De alguma forma, todos somos fracassados. A seleção brasileira, uma das mais respeitadas de todo o mundo, já fracassou por diversas vezes. Já pensou se depois de algumas derrotas, o Presidente da República decretasse que a camisa verde e amarela não mais poderia entrar em campos, nacional ou ádvena, para disputar uma Copa. O tenista Djokovic tem alcançando números impressionantes de vitórias neste ano, mas mesmo assim já perdeu duas vezes. Por duas vezes, somente neste ano, ele fracassou. Às vezes, fracassamos como pessoa, como maridos e como esposas. Mais comumente como crentes. Eu particularmente fracasso diariamente.
Numa das mensagens do pastor Caio Fábio, ele cita a história de um rapaz que se aproximou dele, dizendo somente estar violando um dos “Dez Mandamentos”, mas que iria vencer um dia. O Reverendo, então, respondeu: “que bom, pois eu ainda estou infringindo os dez”. Todos que se conhecem um pouco mais e entendem a perspectiva de Jesus quando intimiza as ações violadoras dos mandamentos, espraiando-as para o foro das sensações e pensamentos, não se podem evadir da alcunha de PECADORES. Quando a isso se adiciona o fato de que um só ato pecaminoso, mesmo que cometido há anos, enruga para sempre a pele humana e mancha de tinta escura o ser ontológico, verificamos nossa real situação desesperadora face à Lei. Ou não é verdade que o homicídio praticado há cinco anos fará o Réu culpado hoje. Nem mesmo sua prisão por um, dois, dez ou vinte anos poderá tirar o selo de “assassino”. Ao revelar nitidamente a vontade de Deus, Jesus asseverava que o adultério, o homicídio, são cometidos antes mesmos de serem praticados, pois a cama eivada de infidelidade e as mãos em sangue estão no íntimo do coração. Lá é o palco onde Deus assiste de camarote a peça de nós mesmo, nossa encenação. Sou forçado a declarar, portanto, o meu adultério e homicídio. Sou culpado, um fracassado. Não há como me furtar do furor da justiça, sou devedor.
Mas Deus me desfracassou na Cruz do calvário e o grito de Paulo continua ecoando para todas as gerações de seguidores evangélicos: “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Para quem é cristão, isso tem um significado extremo, é a suma da Boa Notícia de Jesus. Somente quem já foi alvejado, condenado, somente que já se viu sem saída diante do dragão do pecado insaciável presente no ser, somente quem foi comido pelo ser primitivo e mastigado entre seus dentes, somente quem já entrou em suas entranhas e permaneceu lá sendo misturado ao mais fétido bolo alimentar do lagarto imenso, somente quem foi transformado em escória – para não dizer outra coisa – e eliminado por meio dos órgãos excretores do gigante, consegue perceber a grandeza, a potência, a beleza, a majestade, a intensidade, o estrondo, o berro, a liberdade de ser um seguidor da Graça, um ouvinte praticante do ensino de que “nenhuma condenação há...” Este grito libertador é para os fracassados como eu, que não conseguiram cumprir os mandamentos, para aqueles em cujos ouvidos somente ouvia o zunir do juiz com voz de prisão, para aqueles que somente viam dedos em riste, para os conscientes de que seu mundo deveria finalizar na Cruz. Mas quando nos aproximávamos dela, perceberam que o lugar já tinha Dono... Glória a Deus!!! Perdoa-me, Senhor, por somente poder dizer isso... Oh, Deus dos fracassados, que possamos ter em mente, que é do pouco peixe e pão que fazes banquete, que é da água pura e sem gosto que fazes vinho.
Meu tema, meio distorcido por causa da supremacia da graça em minha mente, das verdades, submissas da deidade, a rainha, tenta voltar em coesão. O que faremos do fracasso é que vai fazer toda a diferença. Deus é o Senhor dos doentes, é aquele que transforma os fracassos, dentro de cadinhos incoerentes, impertinente, impensáveis, em lugar de vitória.  Thomas Edison costumava afirmar que, quando algo não dava certo, fracassava, ele acabara de descobrir como não errar de novo, pois sabia agora como “não fazer” alguma coisa . Parece metáfora divina. Como o homem fracassou, Deus viu que não podia funcionar com ele, mandou-se portanto a si mesmo para matar-se por nós.
Deus é especialista em restauração. Adão caiu, Jesus restaurou. Um relacionamento famoso que foi alvo de restauração foi o de Pedro e Jesus. Pedro traiu barbaramente a Jesus e depois se transformou num dos maiores líderes da igreja. Quem é vencedor não se deixa abater pelas derrotas. E nós somos mais do que vencedores. As derrotas não são o ponto final, mas a oportunidade de se começar e fazer as coisas de um outro jeito. Todos os grandes vencedores souberam ser melhores ainda como perdedores.
As derrotas somente nos instruem se, ao fitá-las, à guisa de retrovisor, ansiamos aprender o que não fazer de novo. Olhar para trás com espírito de lamentação e saudosismo não é bom. A mulher de Ló que o diga. Ao dobrar para trás nossas frontes, devemos desejar aprender com a experiência e não lamentar o passado.

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