FELIZ ANO VELHO (Luiz Tarquinio)

Estamos bem perto de finalizar mais uma jornada de doze longos meses. Terminamos para começar novamente outra rodada, um novo giro que não será muito diferente. Alegrias, tristezas, vitórias e derrotas, sucessos e fracasso, nascimentos e mortes, ingredientes sem os quais não se faz a vida.
Não há, neste plano existencial, vida sem os temperos que lhe são inerentes a impregnar matizes de cores claras e escuras, marinando o tempo de doces e azedos. Assim é a vida. Um dígito a mais ou a menos nos números de rodadas não fazem evadir o azedume. O “ano novo” pode ser “novo” mas continua sendo “ano”. E, a propósito, já o conhecemos muito bem... É parceiro antigo, amigo de antanho, limitado por 365 dias de 24 horas lastimares e sorridentes.
“O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol”.(Eclesiastes 1:9). Desculpem-me os otimistas a espera de adrenalina e incentivo, que se sentam em aguardo do “novo” ano e suas “surpresas”, desculpem-me os ansiosos por mudanças, em sentinela, a acreditar numa “mágica dos dígitos”, desculpem-me os que festejam e cantam embriagados pelos fogos dos artifícios, desculpem-me, mas a vida já me deu café forte e “banho frio”, amortecedoras de animações etílicas existenciais. 
Meu desejo não é o luto, mas o cântico saudável, a alegria estável, o parecer sóbrio. Aliás, o tombo pior é para os que se elevam mais, e isso se dá no plano emocional também. A efervescência não tem lastro, é coca-cola mal tampada, é Cebion de dias, dura pouco. As risadas eufóricas tendem a dessemblantar-se rapidamente e às vezes viram choro, as grandes energias se cansam, o outro dia é ressaca, seja da bebida ou de um ápice de maquiagem emocional com fundamentos movediços.
Mas a lucidez é mãe da sabedoria. A vida moderada, a risada alegre não desbaratada, os cantos regozijantes mas sadios não se parecem com gráficos de empresas instáveis da Nasdaq. Em 2012, nada vai mudar, pois não há nada novo debaixo do céu e do sol também. Saber disto é refrigerante não degradante, é animador, é real, é bom pois não é droga, é vida. Quem é feliz nos anos, o será independente dos seus dígitos, tanto faz se o ano é recém-nascido, adolescente ou moribundo. 2000 ou 2999? Tanto faz... Janeiro, junho ou dezembro? Não importa. A felicidade não se submete a cronologias.
Feliz ano velho!!!

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