O MAIOR DESAFIO PASTORAL (Luiz Tarquinio)

Deus sempre escolheu homens para desempenharem funções de liderança entre o povo. De Israel à igreja, pessoas específicas foram convocadas para servirem de volante de Deus para a comunidade. Por ser tamanha a função e a responsabilidade, naturalmente surgem problemas relacionados à vocação.
Liderar uma comunidade cristã não é tarefa fácil. É contra indicado para os mais sensíveis e de pele macia. Em verdade, não há pastores cobertos de pelagem menos rigorosa. Ainda que naturalmente não a possua, os labores pastoris tratarão de forjar o endurecimento da tez. Contudo, a jacarelização da epiderme deve ser inversamente proporcional ao calejamento das membranas coronárias. “importa endurecer, sem jamais perder a ternura”, disse o mais famoso guerrilheiro latino. O azedume das lutas e contendas ministeriais devem servir tão somente para o enrijecimento do caráter e das emoções, nunca do coração. O líder eclesial maduro não permitirá que seja contaminada a fonte de onde brota vida. Uma pele dura é desejável, um coração sem ternura, reprovável. Ideal é impedir que o calor inerente à nobre função venha a queimar a singeleza e a maior pureza da alma, destruindo o que há de melhor.
Não é raro encontrarmos ministros do Evangelho portando no centro esquerdo do peito não um coração mas uma pedra vermelha. Não há carne viva, mas camadas densas de pele enrijecida e dura sem qualquer sensibilidade. Em lugar de calejar o “couro”, o coração é que se transformou em rocha impenetrável. Moisés é um exemplo de alguém que teve uma vida em velocidade máxima e enfrentou bombardeios vindos das mais variadas direções. Por todas as possibilidades da “Rosa dos Ventos”, vinham presentes gregos de nitroglicerina endereçados ao legislador de Israel. Foi um homem que apesar dos inúmeros embates, murmúrios e contestações dos dirigidos manteve imaculado o coração, permanecendo fiel aos seus detratores. A sensibilidade de sua alma manteve-se intocada, ainda que fosse ferido com os mais variados e contundentes aguilhões.
A matemática vampiresca descartesiana-se para os de coração puro. O agredido não se torna qual agressor, mas seu defensor. Em vez de vampirizar-se ou numa louca alquimia transformar-se em alho, o ferido no pescoço, ao ser mordido, transforma a ferida em remédio para o feridor. Ainda que cercado por gritos e acusações, nega-se abandonar aqueles já o abandonaram no coração. Os dedos em riste dos opositores ao seu ministério não conseguem tocar-lhe a alma. As armas apontadas contra si, às vezes, até com gatilhos apertados, não funcionam em reciprocidade. A melhor e mais eficiente arma contra um inimigo é uma oração a seu favor. Teremos sucesso quando conseguirmos blindar o coração contra os invasores destruidores de pureza.
Concluindo em paráfrases. Importa crescer sem jamais esquecer a infância. Importa amadurecer, sem deixar jamais os encantos juvenis. Importa sofrer sem jamais revidar aos clamores das sensações. Importa pastorear sem jamais esquecer do Pastor sofrido, que perdoava na dor os agentes que manufaturavam a Cruz. Pastores são guerreiros, são fortes, são frágeis, pastores são sensíveis no fundo do peito, tendo debaixo e escondido por trás de uma pele áspera de confrontos, tomada de feridas abertas, cicatrizes e queloides, um coração de menino. Deus nos livre de um coração “maduro”!!!

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