SÉRIE: VIRTUDES CRISTÃS, 2/3 (Oswaldo Jacob)

Meditações em Romanos 12.9-21  

 

Os versos 9 a 16, tratam da nossa relação uns com os outros: amor na família de Deus.

 

O amor é o oxigênio dos relacionamentos. Ele deve ser sempre demonstrado com autenticidade, coerência e ternura. Quando amamos, odiamos o mal e nos apegamos ao bem (v.9). O verdadeiro amor não se expressa com fingimento e rechaça o mal. Quando amamos de verdade somos capazes de facilitar a vida do nosso próximo. Paulo nos ensina aqui que devemos amar de coração, com amor fraternal, ou seja, estabelecendo uma comunhão fraterna. Vivendo como Corpo vivo de Cristo sendo membros uns dos outros (1 Co 12.12-27). O relacionamento dos crentes deve ser sempre pautado no amor. Vivendo esse amor, somos capazes de honrarmos uns aos outros (v.10). O amor de verdade valoriza e dá honra ao próximo. O amor não disputa, mas reconhece o valor imenso do próximo. O amor não subtrai, mas soma.

Em nossos relacionamentos como família de Deus, não podemos ser descuidados no zelo (v.11). Os cristãos que amam são zelosos à semelhança de Jesus. Não são só zelosos, mas fervorosos, ferventes, muito aquecidos no coração e no espírito. Significa dizer que são cheios do Espírito Santo (Ef 5.18). Nessa condição, os crentes servem ao Senhor com alegria e singeleza de coração. Servir não é uma opção, mas uma ordem. O verbo está no imperativo (v.11). O apóstolo Pedro ensina: “Servi uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons administradores da multiforme graça de Deus” (1 Pe 4.10). O verbo servir está no imperativo. Servir é algo essencialmente espiritual. O crente espiritual (parece uma redundância) tem prazer em servir as pessoas dentro e fora da comunidade da graça. O Senhor quer que o sirvamos sempre com fervor, com o coração aquecido pelo Espírito Santo. Temos presenciado em muitas igrejas a cultura do self -service, isto é, do servir-se a si mesmo. Temos entrado pelo caminho do individualismo em detrimento da individualidade. No individualismo, as pessoas se isolam. Na individualidade, elas se relacionam com amor. Estão juntas na bonança e na tempestade.

Paulo, agora, trabalha três realidades da vida cristã autêntica (v.12). Primeira, ele exorta a nos alegrarmos na esperança. Por causa da esperança, sejamos fervorosos. Sejamos ousados no seu testemunho. Nós cremos na esperança concretizada em Cristo Jesus, na Sua obra perfeita por nós na cruz e na ressurreição. Segunda, sermos pacientes na tribulação, debaixo de pressão. Agimos com maturidade cristã quando respondemos à tribulação com confiança no Senhor. Na tribulação somos depurados. Podemos crescer na graça e no conhecimento de Cristo (2 Pe 3.18). Terceira, devemos ser perseverantes na oração. Ser fiéis e manter-nos firmes na oração à semelhança de Davi: “Esperei com paciência pelo Senhor, ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor” (Sl 40.1). O Senhor responde às nossas orações que são feitas segundo a Sua vontade e com fé (1 João 5.14).

O velho apóstolo nos ordena a duas coisas muito relevantes (v.13): Socorrer os santos nas suas necessidades e sermos hospitaleiros. São duas características do cristão autêntico. Isto aconteceu quando as igrejas da Macedônia socorreram as igrejas da Judéia nas suas necessidades em função da seca que assolava a região (2 Co 8 e 9). Devemos ser sempre hospitaleiros, isto é, recebermos muito bem as pessoas em nossas casas. Em nossos dias são muito poucos os que hospedam em seus lares irmãos e pregadores de outras igrejas.

Paulo ordena os irmãos a abençoar os que os perseguem e não proferir maldição (v.14). Isto significa bendizer, invocar as bênçãos do Senhor sobre aqueles que nos perseguem. O fato de não reagirmos ao agravo já é uma grande benção. Devemos fazer sempre o bem para os que nos atacam. A nossa reação deve ser a do amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta – o amor maduro (1 Co 13.4-8).

Somos ordenados a nos alegrarmos com os que se alegram e a chorarmos com os que choram (v.15). Sabemos que é mais fácil chorar com os que choram. Muito poucos se alegram com o sucesso dos outros. Na primeira, se sente superior. Na segunda, inferior. Os cristãos genuínos sabem fazer muito bem as duas coisas. São sensíveis na festa e na dor.

O apóstolo nos chama à unidade, à humildade e à sabedoria (v.16). Um povo humilde e sábio vive a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.3). Jesus era humilde e sábio. Ele sempre promoveu a unidade dos Seus discípulos e orava por eles e por nós (João 17.20-24). Na família de Deus devemos viver com humildade e sabedoria tendo em vista a nossa unidade. O mesmo Paulo ensinou aos irmãos em Filipos: “Completai a minha alegria, para que tenhais o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa. Nada façais por rivalidade nem por orgulho, mas com humildade, e assim cada um considere os outros superiores a si mesmo” (2.2,3). Isto é simplesmente maravilhoso!

Aprendemos com os versos 9 a 16, que devemos amar sinceramente, de coração; odiarmos o mal e nos apegarmos ao bem. Que sejamos sempre zelosos em tudo o que fizermos, fervorosos no espírito, servindo ao Senhor com alegria e singeleza de coração. Aprendemos com a Palavra que os cristãos verdadeiros se alegram na esperança; são pacientes na tribulação e perseverantes na vida de oração. Que abençoemos os que nos perseguem e nos maltratam. O Senhor quer que nos alegremos com os que alegram e choremos com os que choram. Ele quer que sejamos sensíveis nos ambientes de profunda tristeza e de profunda alegria ou no luto e na festa. Que a nossa unidade seja caracterizada pela humildade e pela sabedoria. Elas estão em Cristo Jesus. Então, na família de Deus devemos nos relacionar com as qualidades que estão em Cristo, nosso Senhor, tão excelentemente ensinadas pelo apóstolo aos gentios.

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