Na Contramão (Roberto Louzada)

Segundo um consenso de dicionários, o verbete contramão significa dirigir em sentido contrário àquele em que se deve circular. Mas, se nas normas de trânsito isso é uma lei eventualmente desobedecida por muitos, o que dizer quando transpomos este significado para o comportamento cristão contemporâneo?
Sou um ouvinte de rádio diário. Por isso, posso afirmar que, se não tomar cuidado, posso ser tentado a colocar em prática a revolta de âncoras e comentaristas que envenenam, na tentativa de informar, as mentes dos ouvintes. Afirmo isto em virtude da maneira agressiva, e muitas vezes abusiva, que a notícia é transmitida. Entretanto, qual deve ser o papel do cristão neste caso? Ir à contramão dos absurdos!
Mas, como perceber isso? Como verificar se há contaminação mental e espiritual? Onde está o equilíbrio? Onde está a insensatez? A notícia está trazendo paz aos nossos corações, ou revolta contra administradores públicos e governantes? O que a Bíblia nos ensina?
Na Primeira Epístola de Pedro 1.11, lemos: “Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma”.  Há aqui a tentativa de se perceber apenas as ações sexuais ilícitas ou algo parecido, mas a ênfase está na afirmativa desejos que guerreiam contra a alma. E é nesta hora que o conhecimento bíblico, associado à ação do Espírito Santo, nos revelam se é armadilha ou não. É nesta hora que percebemos se o nosso coração está voltado para a crítica desmedida ou para a oração pelos faltosos. Se a primeira, a revolta toma conta até de nossas conversas diárias; se a segunda, a paz invade nossos corações, porque entregamos a Deus a ação da perfeita justiça.
No versículo 15, também afirma: “Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos”. E isto não significa omissão. Pelo contrário, é o praticar de uma ação intensiva contra a ação do mal, contra a ação da carne que luta contra o espírito.
Pedro ainda afirma nos versículos 16 e 17: “Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus. Tratem todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei”. Se a liberdade que temos em Cristo Jesus é bem entendida, toda a forma de mal deve ser evitado, pois, viver como servos de Deus é viver para servir, amar os irmãos temendo a Deus e honrando nossos governantes.  
Se você for na contramão do mundo, não será multado. Ao invés, seguindo a Palavra, estará sujeito aos que governam, obediente, pronto para fazer o que é bom, a ninguém irá caluniar, será pacífico e amável, mostrando sempre verdadeira mansidão para com todos os homens (Tito 3.1,2).
Nossa crítica deve ser feita sim, a fim de avaliarmos ou o bem ou o mal. Então, o que tem chegado ao Trono da Graça, a violência verbal ou sensíveis pedidos de justiça?   Ao orarmos a Deus, confiamos que Ele realizará a Sua justiça, para o nosso bem e para a Sua honra e glória. Você ora por seus governantes ou... ? 
A graça seja contigo!

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