Repentes de Natal (Ubirajara de Oliveira)

Julia entrou apressada no apartamento. Trancou a porta e fechou as janelas. Depois foi até a sala, sentou-se numa das poltronas e fugiu, também, dos pensamentos. Era Noite de Natal e ela só queria que a data passasse... A casa vazia, retratava o momento, tão diferente de outros anos...

Ah! Se tivesse coragem... Cortaria os pulsos, tomaria um porre ou pularia daquele nono andar. Teria certeza que alguém a notaria. Alguém. Sentiu a lágrima e chorou, chorou, chorou...

Até que acordou com o toque do telefone...

“Alô”... “Oi amiga, aqui é a Cíntia, tentei falar com o seu celular, mas está fora de área... até que achei seu convencional. Liguei pra te dizer que você é muito importante na minha vida, muito obrigado por tudo e Feliz Natal e se cuide”; “Obrigado” foi a resposta chorosa ao perceber que o relógio marcava meia-noite: “Obrigado”.
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Nota do Autor: Que tal você, também, ligar para alguém neste Natal?

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