PARTICIPAÇÃO POLÍTICA (Perguntas e respostas)

Recebi as seguintes perguntas sobre a participação política do cristão.

Eis as perguntas, com minhas respostas.

 

1. Qual e como deve ser nossa participação política em nossa atual sociedade?

Por alguma razão, que traz muita alegria às elites dominadoras, temos achado que política é uma coisa ruim e que um cristão não deve se envolver com "essas" coisas. Tudo o que é humano deve interessar ao cristão, que humano é. Todo espaço vazio é ocupado. Se uma pessoa íntegra se omite, deixa o território para ser ocupado por um "esperto". Quando um "esperto" cresce, diminui a justiça. A omissão, por mais confortável que seja, é covarde, porque, se não nos penaliza diretamente, penaliza os pobres.

 

2. Devemos e podemos ocupar algum espaço em termos de participação político?

O meio que a democracia elegeu no ocidente, para a gestão da sociedade, privilegia os partidos como espaços de representação da organização popular. Esses partidos seguem duas lógicas: a dos valores (ideais) e a dos interesses (ou do poder, que deve ser conquistado, às vezes, a qualquer preço). Se predominasse a lógica dos valores, estaríamos no melhor dos mundos. Sem dúvida, há pessoas que se associam a partidos seguindo o impulso da lógica dos valores; bem como, há as que os que se filiam a eles tão somente pelos resultados pessoais (prestígio, dinheiro) que possam lhes trazer. Por essas contaminações e pela complexidade que as relações político-partidárias oferecem, a maioria da população (a maioria dos cristãos, incluída) tem elegido ficar de fora, com prejuízo para os valores e triunfo dos interesses. Se a gestão da sociedade (gestão da cultura, da educação, da saúde, dos transportes, da segurança, etc) é feita pela via política e a via política é intermediada pelo partido político, quem tem ideais (e um cristão é uma pessoa de ideais) deve encontrar meios de se envolver na política partidária, o que inclui o voto nos pleitos, mas vai além. A participação como político (seja na estrutura do partido, seja na disputa de cargos eletivos, seja no exercício de funções públicas) demanda vocação e preparo. O exercício da cidadania por meio do ativismo político-partidário é um assunto espiritual, numa decisão que demanda muita coragem e convicção de ser parte do projeto de Deus para este tempo. Quando olhamos para os políticos José e Daniel, vemos homens que entenderam as suas escolhas como oportunidades de servirem a Deus servindo ao povo, que é a vocação do político realmente vocacionado. 


3. Quais os pressupostos básicos de uma participação coerente com a nossa fé?

Toda participação deve seguir um roteiro interior, com, pelo menos, 4 pontos..

. interesse -- Devemos tratar a política com interesse, reconhecendo que é por seu intermédio que se dá a gestão da vida pública e mesmo da privada (como nas decisões envolvendo sexualidade, por exemplo);

. informação -- Devemos buscar nos manter informados, admitindo que as informações que nos chegam são filtradas segundo interesses não aclarados, o que nos impõe consultar diferentes fontes, ler nas entrelinhas, duvidar da notícia, criticar a interpretação, etc..

. interdependência  -- Devemos partir do pressuposto que o mundo é o que nós fazemos dele. O que nós somos depende do mundo em que vivemos. O que o mundo é depende do que pensamos e fazemos. Não existe omissão possível, apenas lados. Não temos como ser neutros; apenas escolhemos de que lado estamos.

. ideal -- Devemos sonhar com um outro mundo possível. (E para mim, o retrato deste mundo possível está retratado divinamente em Isaías 65.17-25.) 

 

4. Irmão vota em irmão?

Entendem alguns que os crentes na política são melhores do que os não-crentes. Deveria ser assim, mas não é. Na política, como na vida, contam dois elementos: integridade e competência. Se o irmão é íntegro (até agora, deu provas disto), eu voto nele; se não é, devia ser e não merece meu voto, a não ser minha condenação. Há políticas vestidos de crentes, mas que são lobos que se servem de sua "roupa" de crente, para angariar votos; no seu interior, devem rir dos "bobos" que acreditaram nele. Mais ainda: um político crente deve ser íntegro, porque todos esperam isso dele, mais do que de qualquer outro. Um político crente deve ser competente, o que inclui trabalhar para todos e não só para crentes. A causa dos crentes é causa dos brasileiros. 


5. Poderíamos arriscar em traçar um perfil com o mínimo de características aceitáveis para um candidato a um mandado político de cidadão que se apresenta como cristão evangélico e postula essa candidatura?

O mínimo e o máximo são integridade e competência.Íntegro é o político que não visa, com sua postulação e participação, o beneficio próprio ou e sua família ou de seu grupo. Íntegro é o político crente que admite que pecado é pecado, não importa o foro em que é cometido. Mentira é mentira, roubo é roubo, por exemplo. Ele não precisa de um decreto que lhe proíba contratar um parente. Um político entra não vende a sua alma para se eleger ou reeleger.Competente é o político que tem um ideal, com uma agenda bem preparada e organizada, e percebe meios de realizar esta paixão. O político competente sabe também comunicar este ideal; o que ele vai fazer não pode estar apenas na sua cabeça. O político competente conhece o mundo real, inclusive o mundo da política, essa arte do possível. O político competente, disputando um pleito municipal, conhece a sua cidade e tem soluções para os seus problemas. O político competente pensa a longo prazo. 


6. Como cristão, como devo fazer com que minha participação cívica nos pleitos eleitorais seja coerente com meus princípios e valores e com a  fé que professo?

Precisamos ter pregados nas nossas próprias testas quais são os nossos princípios e valores. Com eles na mente, seguiremos os cuidados comuns a qualquer pessoa que se interessa pelo bem do próximo e participaremos do processo político com coragem e coerência. 


7. Como sou cidadão dos céus, até que ponto tenho que participar ou tentar influir num sistema humano e por si só falível, já que nossa posição bíblico-doutrinária enfatiza a separação entre a igreja e o estado?

O que são separados são religião e estado, jamais fé e vida. Embora não sejamos deste mundo, estamos neste mundo. Embora este mundo esteja destinado a desaparecer, é uma bela criação de Deus, de Quem recebemos a tarefa de de cuidar dela, e este mandamento não foi revogado. O reino que Jesus pregou era de origem celeste, mas para ser vivido aqui. Enquanto as  estruturas perfeitas do céu não chegam (e só chegarão quando chegarmos lá), é nosso dever lutar por elas aqui. A cidadania celeste nos impõe a cidadania terrena. Jesus veio para nos salvar e a sua salvação nos ensina a viver. Quando aqui esteve, ele pregou e curou. Sua mensagem tinha uma dimensão política, como tudo na vida. É o que nós devemos fazer: anunciar Jesus e curar. A fé tem a ver com a vida. No processo da cura, fé e vida se encontram, religião e política participam, cidadania celeste e cidadania terrena convergem. Não separemos, por comodismo, o que Deus não separa.

 

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

 

Comentários   

 
0 #7 PEIDO!Eulália Regina 20-10-2016 09:11
Bufa fedida, vai dar dor de barriga!!!!
 
 
0 #6 dlfCEZAR 26-08-2016 09:07
Bom dia, eu tenho uma dúvida e queria saber se é verdade.
Bom...se um prefeito for candidato a reeleição a prefeitura ainda continua nas mãos dele?
E se caso o vice tambem for candidato a prefeitura fica nas mãos do presidente da camara?
E se caso o prefeito,vice prefeito e presidente da camara forem candidatos a prefeitura fica nas mãos da justiça?

Poderias esclarecer minha mente em relaçao a essa minha dúvida por gentileza.
 
 
0 #5 ;;,çkn7 7 09-08-2016 09:52
kjnmn5cvbik
 
 
0 #4 DuvidasGeraldo Araújo 23-06-2016 21:02
Um servidor público efetivo domiciliado em um munícipio tem direito a remuneração no caso de ser candidato a vereador em outro munícipio?
 
 
0 #3 Ribeirão das NevesKarina Allana MG 21-02-2016 01:10
É verdade que o Lian Lucas do partido (PROS)vai concorrer ao cargo de Vereador na cidade de Ribeirão das Neves nas eleições de 2016?
Assistir a propaganda na TV e achei um jovem sério, sentir confiança nele .Alguem conhece algum projeto dele ?
 
 
0 #2 Votar e não voltar.Pr.J.Carvalho 05-07-2014 00:04
Por muitos anos, ouvimos de muitos lideres evangélico, que a política era do diabo. Porem, quando se busca uma consulta em hospital público, a pessoa não chega lá dizendo: "Doutor, sei que o senhor é pago pelo diabo e estar a serviço dele, mas por favor, faça minha cirrugia, me consultes". Não, ninguém fala isso.Só que enquanto nos omitimos, muitos homens e mulheres de Deus competentes, que poderiam enfluenciar, ficaram de fora.Como bem disso o autor do artigo,este mundo foi o Eden que o Senhor nos entregou, não podemos entregá-lo para satanás como fez Adão.
Temos e devemos influenciar, participando ativamente, porém, com ética, competencia e temor do processo eleitoral, em todas as esferas.
 
 
+1 #1 A DIFICIL MISSÃO DE VOTARGuest 21-08-2010 12:00
pr. Israel: Ao ler este belo artigo fico um pouco preocupado com os governantes que se apresentam como candidatos aos cargos eletivos. Salvo engano, pois não sou funcionário público e nem estou próximo dos políticos em Brasilia, não vejo opções alternativas para analisar melhor os candidatos. Parece-me, muita gente de boa índole ficou de fora nestas eleições. O próprio presidente do Banco Central não é candidato, o que seria um ótimo nome à presidencia da republica. Daí, estamos assistindo que a sra. Dilma Rousself está disparada nas pesquisas, justamente por não ter candidatos mais influentes e competitivos. Do mesmo modo, o vice-presidente . Este porém, impedido pela doença. O ítem quinto de seu artigo, me parece muito pertinente. Eu acrescentaria que seria ótimo se fizessem logo a reforma partidária e que constasse nesta reforma a obrigatoriedade de se profissionaliza r os políticos. Há muita gente despreparada. Haja vista os nomes que se apresentam, até mesmo evangélicos.
 

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