CARTA ABERTA DA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL POBREZA, SUSTENTABILIDADE E INTEGRALIDADE

No Templo da Igreja Metodista Central em Belo Horizonte, cristãos de diversas expressões e de várias organizações sociais, nos dias 28 a 30 de maio de 2013, participaram da CIPSI -Conferência Internacional Pobreza, Sustentabilidade e Integralidade, com um programa de palestras, debates e oficinas visando despertar as Igrejas Cristãs, as ONGS e a sociedade em geral para ações mais efetivas no enfrentamento da pobreza nas Américas. Em Deuteronômio 15.4, temos o repto“...não haverá pobres entre vós...”.
 
A convocação para a CIPSI deveu-se basicamente a dois fatores – a existência de milhões de brasileiros vivendo na condição de pobreza, entre bilhões de seres humanos em todo o mundo e, a dicotomia existente nas igrejas quanto a sua missão, separando a pregação da mensagem do evangelho e a ação social para a transformação da sociedade.
Em sua palestra, o Dr. Gerson Pacheco, Diretor Nacional da ChildFund Brasil, referindo-se à Parábola do Bom Samaritano, declarou que as igrejas são chamadas para socorrer a pobreza. Considerou, entretanto, que nossas igrejas estão, muitas delas, agindo como o sacerdote e o levita, passando de largo ao olhar a miséria, enquanto outros – seitas e organizações não cristãs – estão agindo como o Samaritano, que não se limitou ao assistencialismo, pois socorreu e tratou o ferido com azeite e vinho e levou-o a uma estalagem, ali cuidou dele, pagou suas despesas e prometeu retornar e pagar outros gastos, numa atitude de integralidade sustentável proporcionando meios de redencão.Fundamentado em estudos de pesquisas estatísticas do censo 2010 do IBGE, mostrou mapeamento que indica a localização, em nosso País, onde encontram-se aglomerados humanos com alto índice de vulnerabilidade social, que devem ser o foco das ações do enfrentamento à pobreza.
 
O Dr. Clóvis Pinto de Castro, ex-Reitor da Universidade Metodista de Piracicaba, em sua palestra mostrou, baseado em diversas passagens bíblicas do Antigo e do Novo Testamento, que é a justiça que dá sustentabilidade ao mundo. Ligadas à justiça sempre aparecem o direito e a paz. E a paz, “Shalom”, é realização pessoal e comunitária. Como cristãos é preciso que nossa justiça exceda à dos escribas e fariseus, comparados por Jesus a sepulcros caiados. O conteúdo básico do Reino de Deus é a administração da justiça, na qual o mundo foi ordenado.
 
A palestra do Dr. Maurício Cunha, mestre em Antropologia Social, Diretor do CADI – Centro de Assistência e Desenvolvimento Social –, versou sobre integralidade. Enfatizou a “Missio Dei” demostrando que a missão é integral, e busca a reconciliação de todas as coisas com Deus, que deseja governar sobre todas as áreas da vida e da natureza que Ele criou. A miséria e a injustiça são conseqüências da queda, que afetou toda a criação. A igreja será irrelevante em seu contexto se não promover a transformação social integral. O campo missionário clama pela ação integral – não há missão que não sirva a comunidade onde opera. A integralidade é a essência da missão da igreja. O agir redentor de Deus alcança o ser humano em sua totalidade e a toda criação. A dicotomia fé e obras, sagrado e secular, espiritual e material, não é bíblica e teve sua origem no helenismo. O Reino de Deus é o tema central de toda a Escritura. Jesus ensinou-nos a orar: “Venha o Teu Reino”, isto é, pedir o governo de Deus. A ação de transformação social é a sinalização da chegada do Reino de Deus. Jesus veio para implantar o Reino de Deus nessa dimensão, conforme Ele mesmo declarou em Lucas 4.18, 19. O modelo de espiritualidade que Deus requer de nós é a compaixão, a misericórdia pelos pobres, indefesos e vulneráveis que precisam do nosso socorro para experimentar uma transformação integral. Precisamos agir na emergência, na reabilitação ou reconstrução, no desenvolvimento e em “advocacy”, que é a defesa de direitos, mudança das estruturas corruptas, mudança nas políticas públicas. A missão é integral – somos enviados como Jesus o foi (João 20.21e Mateus 9.35-38).
 
Como resultado da apresentação de qualificadas palestras, das dez oficinas, corroboradas pelas mensagens em celebrações nas noites dos três dias da Conferência, diversos temas relacionados com a missão da Igreja foram desenvolvidos e surgiram sugestões de como podemos atuar no enfrentamento dos problemas da pobreza. Seguem algumas das sugestões:
· A Igreja deve estabelecer parceria com organizações cristãs profissionalmente estabelecidas em atividades de ação social, dentro dos valores da Palavra de Deus;
· Igrejas presentes em comunidades pobres devem agir como sal e luz, diretamente ou em parcerias com outras igrejas ou ONGS, contribuindo para a solução dos problemas dessas comunidades, como os de educação, saúde, alimentação, moradia etc.;
 
· Mobilizar recursos financeiros, econômicos e humanos para atuar nas comunidades pobres, é nossa responsabilidade, como brasileiros, cuidar dos pobres do Brasil;
· Desenvolver a missão integral visando socorrer dessa forma os que anseiam por dignidade, justiça social, inclusão, cidadania e vida eterna;
 
· Promover a instrução e capacitação de atores para a ação em assistência social, entendendo que o evangelho não está restrito ao templo, mas deve ser vivido em todo lugar, nos espaços públicos e privados e em todo o tempo.
 
· Empreender em comunidades pobres ações transformadoras e emancipadoras, com sustentabilidade e integralidade, aliando a justiça social e a mensagem salvífica do evangelho;
 
· Insistir numa pregacão que retire do nosso meio a dicotomia que separa a pregação da palavra da ação social, levando-a a considerar a ação transformadora da comunidade como responsabilidade de todos nós;
 
· Levar os cristãos a entenderem a integralidade da missão para se tornarem atores da transformação da sociedade;
 
· Recomendar que se promovam encontros regionais e com segmentos para dar-se continuidade às propostas da CIPSI, e, que se promova em 2014 uma segunda Conferência com o mesmo tema.
 
A Comissão:
Sillas dos Santos Vieira – relator, Oswaldo Soares Pinto – secretário,
José Gilberto de Souza, Vera Lúcia da Silva Assunção, Maria Tereza de Sá Nogueira.
 

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