BOM DIA: PERDÃO, MÃE

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Perdão, mãe, pelas palavras que não ouvi, mais interessado em outros conselhos, por achar exageradas as suas recomendações. Perdoe-me, mas saiba que elas me acompanham, até mesmo aquelas sobre como atravessar a rua.
Perdão, mãe, pelas horas de sono que lhe furtei de você, quando tardei em chegar. Saiba que ainda hoje, quando estou fora de casa, imagino-a me esperando colocar a chave na maçaneta para entrar, embora os (nossos) tempos sejam outros.
Perdão, mãe, pelo dinheiro que peguei emprestado e nunca devolvi, embora nem mesmo o desejasse. Saiba que seu gesto me ensinou o valor da generosidade.
Perdão, mãe, por não lhe ter ajudado nas tarefas da casa. Saiba que eu me arrependo de não lhe ter acompanhado na arrumação do quarto ou no preparo do alimento.
Perdão, mãe, por ter batido os pés tantas vezes a um pedido seu, a uma instrução vinda dos seus lábios. Saiba que me arrependo porque hoje sei que era o meu bem o que buscava.
Perdão, mãe, por ter reclamado tanto na hora de ir para a escola ou para a igreja. Saiba que hoje sei que eu nada seria sem as suas insistências.
Perdão, mãe, pelo carinho que recebi e não percebi. Perdoe-me, mas saiba que ainda hoje me imagino aconchegado no seu colo ou comendo aquele prato, simples e saboroso, feito na hora ou guardado com cuidado.
Perdão, mãe, por não ter apreciado o seu gesto por mim como o que era: sacrifício: tão acostumado a receber, não imagnei o quanto lhe custava. Perdoe-me, mas saiba que seu suor e suas lágrimas formam um cálice de memória que tomo em minha jornada como tônico para a vida.
Perdão, mãe, por andar tão ocupado que não posso parar um pouco para agradecer o quanto fez por mim, sem nada esperar em troca.
Perdoe-me, mas saiba o quanto a amo. 
E aqui vai um filho feliz, porque perdoado.
Perdoado e, agora, reconhecido.
Perdão e obrigado, mãe.
 
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
 

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