Rolezinho e a Reforma Ortográfica de 1971 (Adalberto Alves de Sousa)

Quem estudou português antes de 1971 lembra que o recreio era hora para um “cafèzinho”. O acento grave indicava que na palavra original, café, a vogal era acentuada e seu timbre, aberto. Essa regra evitava que algum desavisado lesse “cafêzinho” quando a palavra ocorresse em um texto. A reforma ortográfica de 1971 eliminou esse acento, conhecido como secundário, e a partir dela o leitor precisa conhecer as palavras em que ele ocorria, para pronunciá-las com correção. Hoje, mais de 40 anos após a eliminação do acento, a falta dele tem sido sentida, tanto no rádio e na televisão como lá no Planalto.
 
O dicionário Houaiss registra: “rolé - pequeno passeio, volta”, e também “rolê – Rubrica: culinária. m.q. BIFE ROLÊ”. Antes de 1971 um pequeno passeio era um “rolèzinho”. Já o bifinho enrolado com um recheio era um “rolêzinho”. Em Brasília, ministros afirmam que os rolezinhos “são expressão da mobilidade social e das mudanças que caracterizam a sociedade brasileira”, mas alguém precisa dizer pra eles que rolezinho, com ê, não tem nada a ver com mobilidade social.
 

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