CONTEMPLAÇÃO (Adalberto Alves de Sousa)

“Vai-se a primeira pomba despertada... / Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas / De pombas vão-se dos pombais, apenas / Raia sanguínea e fresca a madrugada...” Assim começa o belo poema de Raimundo Correia, As pombas. O texto deixa claro que o poeta amava a natureza e a contemplava.
Hoje os tempos são outros. Vivemos amontoados em grandes cidades, boa parte do nosso tempo se perde em engarrafamentos intermináveis no trânsito, corremos de um lado para outro tentando cumprir uma agenda sempre cheia de compromissos, não importa se somos crianças, jovens, adultos, ou idosos, nosso ritmo é sempre o mesmo. Essa cultura do ativismo nos rouba a capacidade de contemplar, mas precisamos resgatá-la com urgência.
Um outro poeta, o salmista Davi, foi levado a profundas reflexões em sua contemplação: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (leia a íntegra do Salmo 8). Mas o maior argumento para contemplarmos está no relato da criação: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31). Viu porque contemplou. Contemplemos também. 
 

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