SEMINÁRIOS DE TEOLOGIA, 3 -- TEOLOGIA DA HISTÓRIA

TEOLOGIA DA HISTÓRIA

 

Israel Belo de Azevedo

 

“O reino de Deus chegou. Realizou-se agora a promessa de aquele reino como a meta da história foi estabelecido firmemente. Esta realização começou com Jesus. O tempo do fim já chegou. Sua vida e morte sacrificial, suas palavras e milagres, tudo unido em sua ressurreição e glorificação, ressoarão na fase final da história. As fronteiras de Israel foram aberta de par em par e os gentios participação da salvação de Abraão. A história tem agora não somente uma eta (a volta de Cristo) como também um centro (sua primeira vinda). O crente olha para frente olha para trás e sabe que ele mesmo está envolvido no incontrolável momento em direção à consumação do Reino de Deus”.

(L. Berkhoff)[1]

 

Em todos os momentos tropeçamos no significado da história.

Quando uma pessoa morre, por exemplo, é comum ouvirmos que chegou o seu dia. Quando na família alguém faz escolhas que geram dor, orarão para que Deus o liberte. Quando uma doença corrói terminalmente um corpo, não se agigante a explicação interna, mas se roga uma intervenção externa divina para a cura. Quando uma país se afunda numa crise politico-econômica, mesmo os que creem se dividem sobre como orar nessas condições. Quando uma pessoa obtém um sucesso (numa venda ou num concurso), dela se diz que é "predestinada".

A ideia de que todos temos um dia certo para morrer nos coloca no centro de uma interpretação fatalista da história, que põe os fatos como previamente determinadas ou pelo vago destino ou por Deus.

A oração por libertação ou cura traduz a fé em que Deus, ao mesmo tempo, transcende às coisas humanas e intervém, para alterar, as humanos coisas.

A conversão de alguém, como a de Saulo de Tarso, arremete-nos ao epicentro da liberdade humana. Uns sugerem que os seres humanos estão predestinados irresistivelmente à redenção, enquanto outros propõem que o livre-arbítrio faz parte da história da salvação.

Esses casos tornados gerais nos obrigam a pensar teologicamente a história.

Os fatos das nossas vidas, as nossas e as das pessoas em geral, têm um propósito ou são meramente resultam de uma combinação de acasos?

O que chamamos de história tem um sentido, seguindo em direção a um fim projetado, ou o seu sentido é inexistente ou, se existe, não passa do sentido que lhe atribuímos?

 

O ETERNO RETORNO

 

O sentido da história tem uma história, que remonta às primeiras reflexões humanas, que estão intimamente relacionadas à questão da liberdade.

É comum uma linha histórica acerca do sentido das coisas que começa com o naturalismo, que vê o homem como parte da natureza, logo sujeito aos seus ciclos (de vida e morte), como os das estações dos anos. Entre os antigos, os gregos inclusive, esta era a visão predominante.

No entanto, também na Grécia urgiu a ideia de que o homen transcende a natureza e, com isto, nasce o ideal de uma vida que pode vencer as condições que a natureza impõe. O passo seguinte foi o idealismo como algo interno à história.

 

A ARTE DE TRANSCENDER

 

Entre os hebreus, no entanto, o ideal não vem da contemplação de uma ideia mas de um relacionamento com o Deus considerado como único. Assim, quando Adão e Eva desobedecem, exercitam do seu modo o dom da liberdade. A teologia hebraica da história incluía a noção de liberdade. Quando promete esmagar a serpente, Deus gera na alma humana a noção de esperança, que se realizará na históriaou depois dela.

Bem claramente, "em Israel, o homem é emancipado da natureza pela Palavra que pede uma resposta definitiva e, assim, vai adiante do homem ao longo do tempo, assinalando o caminho. Deste modo, a história é liberada da natureza de uma forma muito mais radical que na Grécia. Não há ciclo alguma. Também não ha azar ou uma sorte inflexível. A história é o terreno da liberdade e da responsabilidade humana porque é primordialmente o terreno do chamado e da direção de Deus. O homem é liberado da natureza porque é liberado por e para Deus. Assim, ele é posto no caminho em direção ao grande objetivo, o Reino de Deus", [2]marcado sobretudo pela justiça, vivenciada na liberdade e na igualdade entre os seres humanos, como canta o profeta Isaías (Isaías 65.17-25), entre outros.

O Novo Testamento segue na mesma rota. Com o Messias, "ressoa o clamor: 'o Reino de Deus chegou'. Agora realizou-se a promessa de que aquele reino como a meta da história se estabeleceu firmemente. Esta realização começou com Jesus. O tempo do filho chegou. Sua vida e sua morte sacrificial, suas palavras e milagres, unidos a sua ressurreição e glorificação, ressoaram nesta fase final da história. As fronteiras de Israel foram abertas de par e paz e os gentios participação da salvação de Abraão. A história tem agora não somente uma meta (a volta de Cristo), como também um centro (sua primeira vinda). O crente olha adiante e para trás e sabe ele mesmo está envolvido no incontível movimento rumo à consumação do Reino de Deus. [3]

Como escreveu Noordmans, "fomos liberados da natureza pelo nascimento de Jesus, assim como o menino Moisés foi libertado dos crocodilos no Nilo, e fomos postos nas mãos do Espírito Santo e da história, assim como o menino Moisés foi posto nas mãos de sua irmã Miriam". [4]

Se o conceito antigo era de uma história cíclica, que se repete, agora ela é linear, que progride. Ela marcha sempre para frente.

 

A TENSÃO DO REINO

 

Jesus inaugurou o reino de Deus, mas como explicar o sofrimento, tanto pessoal quanto nacional? Oscar Cullmann cunhou a fórmula "já" versus "ainda não", para dizer que o Reino de Deus já foi implantado, mas não se consumou.

 

ATÉ AQUI em 16.10.2016

 

Assim, a batalha continua. Nos termos de Agostinho, a históriase encontra na batalha entre o reino terreal e o reino eterno, que começou com Cristo, vencerá o conflito e alcançará a gloria. [5]

Com a secularização da Europa, anteriormente cristã, a ideia de que a história tem um sentido foi parcialmente rejeitada. De um lado, os chamados progressistas entenderam que a história não é mais o resultado do confronto entre forças opostas, mas o resultado da marcha das forças boas que Deus colocou no interior do homem. Nesta perspectiva, arminiana e não calvininiana, prevalece uma perspectiva otimista da história , vista a secularização como o ápice do progresso, que dispensa até a volta de Jesus.

 

O RETORNO DA NATUREZA

 

Também na Europa, numa espécie de renascimento do naturalismo, alguns pensadores (como Auguste Comte), esposaram a convicção de que o desenvolvimento da história se dá segundo leis sociais fixas que são continuações das leis biológicas. A visão poderia ser tachada de pessimista, mas ainda não é, porque o progresso é visto como inevitável, como uma lei, vinda não de Deus, mas da natureza.

O pessimismo radical, para o qual não há progresso, vem depois e se personifica em Nietzsche, que escreve no seu "Assim falou Zaratustra":

 

 

"Tudo vai, tudo torna; a roda da existência gira eternamente. Tudo morre; tudo torna a florescer; correm eternamente as estações da  existência

Tudo se destrói, tudo se reconstrói, eternamente se edifica a mesma casa da existência. Tudo se separa, tudo se saúda outra vez; o anel  da existência conserva-se eternamente fiel a si mesmo.

A todos os momentos a existência principia; em torno de cada aqui, gira a bola acolá. O Centro está em toda a parte. A senda da eternidade é tortuosa”. [6]

 

O homem dito moderno convive com este paradoxo. O otimismo feérico inspirado pelos avanços tecnológicos ignora o pessimismo da falta de sentido da vida. A consequência é um hedonismo desenfreado. A riqueza desmedida proporcionada pelos meios de produção não sabe o que fazer com as pobrezas extremas que ceifam comunidades e nações. O homem tudo faz para ignorar a sua condição essencial de pecador por definição.

Nesse caso, trate, então, cada um de dar sentido ao que não tem sentido.

Assim, nessa perspectiva dominante, esposada por existencialistas como Sartre (na filosofia) e Bultmann (na teologia), a história não tem um sentido aprioristico, porque é dado pelo que fazemos com as nossas vidas e as dos outros.

 

O REALISMO CRISTÃO

 

Como na antropologia, temos que ser realistas (entendido o realismo como o equilíbrio entre o pessimismo e o realismo), porque não fazem o bem que queremos fazer (Paulo), também na teologia da história (ou escatologia). O pecado original e atual frustra a história, que neste sentido é repetição e progresso. Por causa do pecado, volta. Por causa da fé, avança. A marcha da história é cíclico-linear, como uma espiral dentro do cone.

 

Deste modo, a perspectiva cristã pode ser percebida a partir de algumas palavras:

 

 

PROJETO

 

Amizade. Liberdade. Complementaridade. Bondade. Estas säo as quatro palavras que nos ajudam a elaborar uma teologia da criação.

O único motivo para a criação da humanidade foi o amor de Deus, amor que transfordou. O amor precisava estar em comunhão. Não coube em si mesmo. Nem o limitado amor humano cabe em si. O de Deus resultou na criação de um ser humano com quem podia manter amizade.

O amor transbordante pensou o ser humano como completador da obra da criação, por meio do cuidado (nomeie as coisas e sujeitem a terra) e da produção (“multipliquem-se e encham a terra”)

Para ser parceiro, o homem precisa ser livre. O amor transbordante de Deus criou um ser humano em plena liberdade.

O propósito de amizade, com liberdade, permaneceu mesmo depois da recusa humana, ao escolher se afastar de Deus (Gênesis 3).

Diante da decisão errada do ser humano, Deus reposicionou seus gestos, mantendo o propósito (amizade e, agora, reconciliação) e manifestando a essência do seu coração, transbordando em gestos de bondade. É assim que o homem também deve viver: fazendo o bem todos os dias da sua vida (Tito 2.14).

A história, portanto, surge como resultado do propósito de Deus de tornar possível o relacionamento dele com o ser humano. A criação é uma manifestação do amor de Deus ou, em outros termos, a criação é a graça de Deus em ação.

 

Diante deste amor, o crente deve cantar:

 

“Aleluia!

Todos os que estão nos céus,

louvem o SENHOR Deus nas alturas!

Louvem o SENHOR, todos os seus anjos,

todos os seus exércitos celestiais!

Sol e lua, louvem o SENHOR!

Todas as estrelas brilhantes, louvem a Deus!

Que os mais altos céus o louvem

e também as águas que estão acima do céu!

Que todos eles louvem o SENHOR,

pois ele deu uma ordem, e eles foram criados!

Ele mandou, e foram firmados para sempre nos seus lugares;

eles não podem desobedecer.

Louve o SENHOR, tudo o que existe na terra:

monstros do mar e todas as profundezas do oceano!

Louvem o SENHOR, relâmpagos e chuva de pedra, neve e nuvens,

e ventos fortes, que obedecem à sua ordem!

Louvem o SENHOR, colinas e montanhas,

florestas e árvores que dão frutas!

Louvem o SENHOR, todos os animais, mansos e selvagens!

Louvem o SENHOR, passarinhos e animais que se arrastam pelo chão!

Louvem o SENHOR,

reis e todos os povos,

governantes e todas as outras autoridades!

Louvem o SENHOR, moços e moças,

velhos e crianças!”

(Salmos 148:1-12)

 

 

PRESCIÊNCIA

 

O homem é livre para fazer a história, mas Deus conhece de antemão (previamente, portanto) todos os seus passos. Este conhecimento prévio de Deus não significa prévia determinação dos fatos humanos por Deus.

Por sua sabedoria, Deus fez e faz as coisas segundo leis também primariamente estabelecidas por ele, leis que organizam as mesmas coisas, tanto no plano natural quanto no plano moral. Por sua soberania, ele intervém para alterar o estado das coisas, em alguns casos, pois em outros, ele aceita os desígnios humanos, incluídas as responsabilidades deles, vale dizer, as consequências dos atos que perfaz.

O homem é livre. Até os fios dos cabelos das suas cabeças estão todos contados (Mateus 10.30), mas eles crescerão e cairão segundo regras próprias, vindas da natureza (leis naturais) ou mesmo da sociedade (leis sociais).

Como há muitos séculos, na esteira de Agostinho, escreveu João de Damasco (675-749),"precisamos compreender que, embora Deus preveja tudo, Ele não predetermina tudo. Ele conhece de antemão até aquelas coisas que são dependentes de nós, mas não as predetermina. Ele não quer que o mal ocorra, mas não força as virtudes, de modo que a predeterminação pertence à ordem divina da presciência. Por outro lado, Deus predetermina as coisas que não são dependentes de nós, de acordo com a sua presciência. De acordo com sua presciência, Deus já prejulgou todas as coisas de acordo com Sua bondade e justiça". [7]

Entender a presciência de Deus nos ajuda nas agudas questões da salvação e do sofrimento.

 

PROVIDÊNCIA

 

O Deus presciente é o Deus providente.

A providência pode funcionar por meios da manutenção de leis naturais, segundo seu curso, e também da intervenção, interrompendo seu curso.

Assim, a providência divina pode funcionar pois dois grandes meios. O primeiro se dá pela manutenção (respeito) às leis naturais (natureza) ou sociais (morais). Quando elas seguem seus cursos, implicando obviamente em suas consequências, indiretamente são resultados da providência de Deus.

Quando, por exemplo, Deus promete dar o pão aos que o amam enquanto dormem, sua providência está em ação. Durante a noite, o trabalho desenvolvido anteriormente dá os seus frutos. Imaginemos uma aplicação financeira. Depois de aplicado, o dinheiro crescerá, sem que o investidor nada precise fazer. Imaginemos uma partida de futebol. Deus não tem preferência por nenhum dos times, nem por nenhum atleta. Se o pênalti for bem batido, será gol. Há leis que regem a trajetória da bola e o movimento dos jogadores. A providência se Deus se dá pela manutenção das regras.

Esta percepção nos ajuda a interpretar o texto bíblico que nos informa:

 

"Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava”. (1Samuel 16.14)

 

Por ter criado leis naturais e morais, Deus é o responsável ultimo por tudo que acontece na história. Se Saul foi acometido por uma doença mental (como a bipolaridade), uma lei natural foi quebrada em sua mente, sem que ele o soubesse. Neste caso, Deus é o responsável último por ter criado a respectiva lei natural. Se Sauel fez escolhas morais erradas, tornando-se cruel em suas atitudes, sua decisão foi indiretamente fruto da providência de Deus, que criou as leis morais que regem o comportamento humano.

A providência de Deus foi, por assim dizer, genérica por ter criado as condições (como as leis naturais e a liberdade humana), não específica. Neste caso, o problema de Saul foi natural, não resultando de uma intervenção de Deus.

O segundo meio da providência é a intervenção, não para manter as leis, mas para alterá-las. Deus pode manifestar a sua providência intervindo nos fatos para modificar os resultados, sem mudar as leis definitivamente senão provisoriamente. Novamente, a providência interventiva decorre da santidade, sabedoria e soberania de Deus, atributos que não temos.

No caso da história de Israel, incluída a experiência de Saul, Deus deixou as instruções para uma vida cheia de paz ("shalom"). As escolhas errada do povo determinaram sua dor. Icabode! Foi-se a glória da presença de Deus junto ao povo (1Samuel 4.21). Deus não precisava intervir para as leis funcionarem, embora às vezes o tenha feita. Volta e meia, no entanto, Deus envia um profeta ou sacerdote para chamar o povo arrependimento. Uns foram mortos e outros foram ouvidos. Diante dos que foram ouvidos, Deus interveio e alterou os fatos, mostrando sua que habita (Shekinah) entre o povo.

Na verdade, a história de Israel é a história de um Deus que intervém. A história da humanidade é a história de um Deus que intervém. Como ele intervém de modo sábio, santo e soberano, temos dificuldade de alcançar as razões dele, que são muito elevadas para nós (Isaías 55.8-9). Ele intervém por amar. Ele intervém para que a paz aconteça. Ele intervém para redimir. Ele intervém segundo um plano.

Como escreveu Karl Barth, esta providência demanda fé. Com fé na providência de Deus, o homem é capaz de considerar a história “com olhos bem abertos, atentos e participantes. E não poderia ser de outro forma. Não sería fé se não fossse conhecimento neste sentido, um conhecimento relativo, provisional e modesto com necessidade de correção, mas ainda assim conhecimento verdadeiro, agradecido e vigoroso. Quando um homem crê na providência de Deus, ele não sabe apenas abstratamente e de maneira geral que Deus está sobre todas as coisas e que todas as cosas estão em Suas mãos, mas que continuamente vê algo da obra destas mãos e pode ver continuamente a vontade e propósito de Deus nos eventos, relações, conexões e mudanças definidos na históriados seres criados”. [8]

Pela fé, o ser humano “nota disposições e direções, pistas e sinais, limites estabelecidos e possibilidades abertas, ameaças e juízos, preservações e ajudas cheias de graça” nesta história, sabendo “como distinguir entre o grande e o pequeno, a verdade e a aparência, a promessa e a ameaça. Sabe como distinguir entre a espera necessária e a ação urgente, levantar a voz e o silêncio, a ação e a paixão, a guerra e paz. Percebe sempre o chamado da hora e atua em concordância. [9]

A providência nos dá a segurança de que a história não está à deriva, embora nos pareça. Imaginemos o que pensava um judeu diante doqueimaginava ser o silêncio de Deus antes de os anjos cantarem aos pastores no campo que o Salvador tinha nascido? Sim, dos atos providenciais de Deus, o maior foi a redenção, por meio de Jesus, na cruz. A história precisa de redenção, para chegar ao seu ponto terminal, ao seu ponto crístico.

 

CONVERGÊNCIA

 

Deus atua na história humana. Ele pede ao homem para seguir adiante e deseja participar desta história.

Deus tem um propósito na história humana, de conduzi-la para um bom termo, e convida o homem para dela participar.

A história é o resultado da aceitação ou da recusa desta parceria.

A providência visa levar o plano adiante. Como numa viagem guiada por um GPS, a meta está estabelecida, o roteiro é previamente conhecido, mas se faz no caminho. Quando necessário, Deus intervém e recalcula a rota, tendo em vista a meta a ser alcançada.

A meta está dada. Nós a lemos em Isaías 60.1-15 e Apocalipse 22. O Novo Testamento estabelece que o fim da história, razão pela qual o Messias veio, será a realização do Reino de Deus.

A história terminará quando Cristo for tudo em todos (Colossenses 3.11: "Já não existem mais judeus e não judeus, circuncidados e não circuncidados, não civilizados, selvagens, escravos ou pessoas livres, mas Cristo é tudo e está em todo".), quando Cristo for completamente exaltado. O fim da história é exaltação de Jesus Cristo como Senhor (Filipenses 2.5-11).

Como cristãos, cremos que a "a história e a consumação estão intimamente relacionadas. As forças do Reino, que já estão ativas na história, serão libertadas dos grilhões do pecado e da morte na consumação. Neste sentido, a consumação é o momento final da história. Contudo, este momento final é, ao mesmo tempo, a glorificação pela qual a história supera as possibilidades que nos são conhecidas". [10]

Deus faz com que s coisas Deus cooperem para o bem (Romanos 8.28) que ele deseja para a humanidade. A rebeldia humana frustra o propósito de Deus, mas apenas temporária e limitadamente. A históriaprecisa de redenção. Como há obstáculos ao seu plano, ele recalcula a ruta (como num GPS), mas o final será alcançado. Por isto, a história marcha de modo cíclico-linear, como se fosse uma espiral dentro de um cone. O Alfa será o Ômega.

Quando se realizar, o homem será livre para amar, a Deus e à criação.

Deus será aceito para amar a criação e o ser humano.

Esta fé se baseia no fato de que Cristo foi levantada dentre os mortos. Como lembra Berkhoff, quem crê assim não se perturba com o fato de que a experiência parece contradizer esta fé. Ele espera no Senhor (Salmo 27.3). Ele espera ver a bondade do Senhor, sobretudo através da obra missionária -- esta excelente parceria com Deus --, que vai fazendo surgir novas igrejas por todas as partes do mundo

 

Apreciamos uma canção que diz:

 

“Deus tem um plano, em cada criatura

Aos astros Ele dá o céu

A cada rio Ele dá o leito

E um caminho para mim traçou.

 

A minha vida eu entrego à Deus

Pois o Seu Filho entregou por mim

Não importa onde for

Seguirei meu Senhor

Sobre terra ou mar

Onde Deus mandar, irei.

 

Deus enumera a cada grão de areia

As ondas ouvem Seu mandar

As aves em seus rumos lhe obedecem

Seu carinho faz abrir a flor.

 

Em Seu querer encontro paz na vida

E bênçãos que já mais gozei

Embora venham lutas e tristezas

Tenho fé que Deus me guiará”.

 

Se, por plano, entendemos um livro previamente escrito, Deus não tem um plano. Se, por plano, entendemos um livro onde está apresentada a vontade de Deus para nós, Deus tem um plano.

Lembremos que há dois personagens na história: Deus e o homem. Assim, a história é o resultado do encontro e desencontro entre o Criador e a criatura. Para este fim, ele fez o ser humano à sua imagem e semelhança, inclusive na liberdade. De sua liberdade Deus soprou liberdade aos pulmões humanos.

A liberdade de Deus é absoluta ou soberana, embora seja temporalmente limitada pela liberdade do homem quando escolhe ignorar a Deus e os valores que oferece para a humana felicidade.

Assim, quando oramos a Deus pela conversão de uma pessoa, não podemos esquecer que Deus não se impõe, mas se se oferece, até mesmo insistentemente, mas não obriga que o ser humano o queira em sua vida. Parece que a conversão de Saulo de Tarso nega esse valor. No entanto, receber a aprovação de Deus era o seu maior anseio.

A liberdade humana é limitada pelos seus condicionamentos biológicos, emocionais e sociais (como a economia) quando encontra a liberdade do outro. Diante da soberania divina, o homem é livre para aceitá-la ou rejeitá-la. Deus continua sendo soberano, com o seu poder suspenso temporariamente por ele mesmo como prova do seu amor para com a criação.

 

Como escrevi em outro lugar, “o senhorio de Deus se exerce de modo soberano, mas não arbitrário. A história dos homens é a história dos atos de Deus, porque a história de Deus é a história dos atos dos homens”. [11]

Nós fazemos história em diálogo com este soberano, sabio e santo Senhor. Então, que história queremos fazer ou que mundo queremos construir? Esta é a pergunta que não podemos calar.



[1]BERKHOFF Hendrikus. Cristo, el significado de la historia. 1953. Tradução publicada em 2007, p. 13.

[2]BERKHOFF, L., op. cit., p. 14.

[3]BERKHOFF, L., op. cit., p. 14.

[4]NOORDMANS, O. Gestalte en Geest.Citado por BERKHOFF op. cit., p. 88.

[5]BERKHOFF op. cit., p. 15.

[6]NIETZSCHE, F. Assim falava Zaratustra. Edição eletronica. Kindle, posição 3424.

[7] JOÃO DE DAMASCO. "An Exact Exposition of the Orthodox Faith". Disponivel em <http://christianity.stackexchange.com/questions/15886/does-god-predetermine-all-things-according-to-his-prescience>

[8]Citado por BERKHOFF, p.145-146.

[9]Ainda Karl Barth, citado por BERKHOFF, p. 145-146.

[10]BERKHOFF, L., op. cit. p. 130.

[11]AZEVEDO, Israel Belo de. Como Deus age. São Paulo: Exodus, 1997, p. 58.

Comentários   

 
0 #1 SEMINÁRIOS DE TEOLOGIA, 3 -- TEOLOGIA DA HISTÓRIABreanna 21-11-2017 08:26
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