A descrição da tabuinha número 19 mostrou o relacionamento de Adão com Deus. Havia chegado a Noé através de seu avô Salém, como Noé costumava tratar a Matusalem, algumas informações que foram sendo peneiradas das conversas de Matusalem com Adão e que demonstram os cuidados de Deus para com Adão, tanto no período da ‘inocência’ quanto depois do pecado da desobediência, o período da ‘consciência’. Uma das coisas que intrigava a Adão era o fato de que Eva havia sedo enganada pela serpente e não aparentava nenhuma indicação de mudança em seu comportamento ao lhe oferecer do fruto da arvore do ‘conhecimento do bem e do mal’. Ora, ela agora conhecia o mal, e nada mudara. Por quê? Adão era extremamente inteligente e não tendo percebido nenhuma mudança em Eva (esperava que estivesse morta com a sobra do fruto em uma das mãos!) decidiu aceitar a oferta de sua mulher para que comesse daquele fruto. No entanto, tão logo comeu daquele fruto, tudo mudou! A primeira coisa que sentiram foi a nudez, antes totalmente despercebida. Agora, tudo havia mudado também para Eva. Porque, perguntava Adão a si mesmo, nada mudara em Eva antes que ele comesse e agora tudo mudara para ambos? Se ele não houvesse aceito comer daquele fruto tudo continuaria como antes? Adão, ao cozer folhas de palmeira para esconder sua nudez e a de sua mulher, ia procurando em sua memória cada momento de seu relacionamento com Deus. Buscava nos recônditos de seu coração o que ouvira de Deus, quando este vinha conversar com eles, na viração do dia. E ia se lembrando de cada frase, de cada palavra, de cada afirmação, de sua ‘aliança’ com Deus. E quanto mais se lembrava das orientações de Deus mais dificuldade tinha em identificar a razão da sua desobediência como sendo a que tivera efeito, enquanto o ato de Eva não tivera nenhuma consequência aparente! E, nessa varredura, finalmente ele lembrou que a ordem de Deus tinha sido pessoal: ‘você pode comer do fruto de todas as arvores menos do fruto da arvore do conhecimento do bem e do mal’; Eva, nesse momento, não havia ainda sido criada! Agora, ele entendeu que a proibição havia sido pessoal: ‘pois, se dela comeres, certamente morrerás’. Ele a havia transmitido a Eva, porém, a responsabilidade era sua. A proibição fora entregue por Deus a ele. Adão agora podia entender que ele, somente ele, tinha recebido essa instrução pessoal de Deus. O pecado era seu! As consequências eram suas! Nada seria como antes desse instante em diante! Estava vivo fisicamente, porém, afastado de Deus. Precisava, então, se esconder de Deus. Havia sido criada uma barreira em sua vida e já não poderia manter-se conversando com Deus. Outra consequência foi o começo da ruína do universo. Se Newton tivesse feito a análise do ponto inicial da aplicabilidade da ‘segunda lei da termodinâmica’ este seria o pecado de Adão. As consequências do pecado de Adão agora se tornaram universais. Os animais ferozes, antes mansos, agora passaram a atacar os indefesos; o jardim começou a apresentar espinhos; essa e outras manifestações da natureza começaram a indicar a Adão que seu pecado era cheio de consequências, cujo dimensionamento seria demonstrado ao longo dos seus anos de vida futuros.
E Deus começa a perguntar a razão de terem se escondido. Claro que Deus sabe de todas as coisas; mas, ele esperava uma resposta real e uma palavra de arrependimento. O que ouviu foi uma transferência de culpas: a mulher se disse iludida pela serpente e o homem pela mulher! Na cabeça de Adão fervilhava a dúvida: ‘em que momento iremos morrer?’ Em sua mente, agora, acumulava mais um problema de seu relacionamento com Deus: por que fui dizer que a culpa foi de minha mulher? Por que não assumi logo que eu é que fui desobediente? Então sua inteligência ficou embotada e seu coração acelerado não conseguia perceber e dizer: ‘Senhor eu fui o culpado de tudo porque deixei de cuidar de minha mulher e fui passear sozinho pelo jardim e fiquei envolto na admiração da beleza da tua criação; se estivesse ao lado dela, como devia, pois, fomos feitos um para o outro, ela não teria ouvido a serpente ou mesmo a serpente não teria procurado enganá-la, pois, juntos e na aliança com o Senhor somos muito mais fortes do que sozinhos. Estou arrependido pelos meus atos de ter deixado de protegê-la e de ter aceito a oferta que me fez do fruto proibido. Perdoa-me Senhor’. Nada disso, no entanto, foi dito ou pensado por Adão. Então, o Senhor, em seu infinito amor, proferiu as sentenças para a serpente que emprestara seu corpo para que fosse usado por Satanás, para Eva e para Adão. A expulsão do jardim do Éden tornou-se necessária, pois, se lá permanecessem poderiam comer do fruto da ‘arvore da vida’ e permaneceriam eternamente em pecado, sem possibilidade de remissão; e a remissão foi ali prometida pelo Senhor e ela veio a realizar-se através de Jesus Cristo. O sacrifício do primeiro animal para extração da sua pele para que fosse usada por Adão e Eva era o prenúncio do sacrifício remidor de Jesus pelos nossos pecados, desde esse primeiro pecado de Adão até o ultimo. E a remissão é oferecida como ato da graça do Senhor, para aquele que se arrepender de seus pecados e receber a Jesus como seu Senhor e Salvador. Tudo isso foi ensinado pelo Senhor, nos momentos que antecederam a expulsão do jardim do Éden, pois, o Senhor nos revela o que devemos entender para que a nossa vida seja a etapa de preparação para a eternidade.
A tabuinha número 19 continua agora, mais informal, a relatar a conversa entre Noé e Abrahão. E Abrahão pergunta a Noé sobre suas conversas com Deus. Noé explica que Deus havia tido uma conversa com ele em que definiu a missão de sua vida: a ‘construção da arca’. Havia sido uma conversa em que Deus procurou, em primeiro lugar, dar a ele uma ideia da maldade que enchera o coração dos homens que, em grande número, habitava a Pangéia. Em seguida, falou da sua difícil decisão de refazer a humanidade e que havia escolhido a ele e não a um de seus parentes, pois, os seus parentes justos, não tinham dias de vida suficientes para a empreitada que lhe estava entregando. Poderia, no entanto, contar com a sabedoria e os conhecimentos que concedera a seu avô Matusalem e a seu pai Lameque. Devia contar, também, com sua esposa, seus filhos e suas noras. E Deus lhe falou, também, que seu conhecimento adquirido em Tecnópolis que o capacitara para essa empreitada. Nada havia a ensinar-lhe adicionalmente, mas, estaria com ele lhe dando perseverança, disposição, saúde e bom animo. E Noé lhe perguntou se deveria fazer a captura e seleção dos animais para o transporte na arca, ao que Deus lhe respondeu: não tire sua atenção da ‘construção da arca’ e na pregação às pessoas sobre a vinda do dilúvio, pois, todos devem conhecer que a salvação está na ‘arca’ que você estará construindo. Não haverá nenhum outro lugar na superfície de Pangéia capaz de oferecer salvação. Nem mesmo o mais alto monte, pois, a ‘arca’ navegará em águas que irão cobrir os mais altos montes da terra. Os animais serão uma escolha minha. Eles ficarão nos dois compartimentos inferiores, no escuro e onde o frio da água irá permitir que fiquem sonolentos, a maior parte do tempo, o que não exigirá grandes quantidades de comida. Os grandes animais os trarei pequenos para que caibam todos na arca. Não trarei animais além dos representantes de cada espécie para que não entulhem a arca. Assim, trarei apenas um casal de cães, por exemplo. Esse casal terá crias e as crias de geração a geração irão se adaptando às condições climáticas da área em que habitarem e, em consequência, no futuro teremos desde os cães adaptados às baixas temperaturas dos árticos quanto das altas temperaturas dos desertos. Isso você não conhece, pois, em Pangéia, existe uma camada de água circundando a terra e estabilizando o clima. Porém, quando vier o dilúvio, irei usar essa camada para precipitá-la sobre a terra, além, das águas subterrâneas que irão romper com os seus escudos atuais. Assim, a terra como hoje é conhecida por você será modificada e passará a ter altíssimos montes, desertos de areia muito quentes, regiões muito frias, florestas tropicais, rios de diferentes comprimentos e caudais, vários continentes, etc., etc..
Agora, é Noé me questionando: e você, Abrahão, como tem conversado com Deus? Abrahão respondeu: ainda não ouvi a voz de Deus. Tenho esperança de que ele venha falar comigo e venha dar sentido à minha vida. Como tenho ouvido sobre a preciosa ação de Deus nas vidas de vocês, os Patriarcas pré-diluvianos, desejo ardentemente que o Senhor dê uma direção à minha visa. Tenho me sentido muito vazio, pois, cuidar de animais e ir para casa no final do dia e conversar com a minha esposa, sem filhos, não enche a minha solidão! Como seria bom ter um filho para me acompanhar nas minhas andanças com os animais à procura de bons pastos! Mas, a Sara é estéril. Ela é o amor da minha vida, mas, sei de seus choros e de sua tristeza por não poder me dar um filho. Queria tanto que o Senhor falasse comigo e mudasse a vida da Sara e ela pudesse me dar um filho. Então, Noé fala com Abrahão: meu caríssimo filho: creio que possa chamá-lo de filho tal é a alegria que tenho, em minha velhice, de compartilhar com você sobre as coisas da minha vida e dos meus antepassados. Continue confiando no Senhor. Continue esperando pela sua orientação. Ela virá. Mais cedo ou mais tarde o Senhor irá dar sentido à sua vida. Não deixe de atender ao Senhor. Mesmo que seja muito difícil. Mesmo que você se sinta ameaçado de perder aquilo que mais ama, não duvide do que o Senhor tem para a sua vida! Tudo o que ele lhe pedir faça! Ele não vai pedir nada sem um propósito. Ele irá tirar da dor a oportunidade de você crescer e de se tornar um exemplo de vida para todas as nações da terra.