Maldades e Dilúvio — Capítulo XV (Ignácio Resende)

A Rede Globo acaba de anunciar que, no primeiro semestre de 2013, dará início à novela “Maldades e Dilúvio Universal”, baseado nas informações colhidas no material comprado do projeto “As Tabuinhas de Harã”.  Todas as mais famosas vilãs da Rede Globo já estão ‘afiando as unhas’ e pensando nas expressões, falas e ações que irão mostrar ao público em suas interpretações. A Rede Globo tem feito questão de mostrar, no horário nobre das novelas, as faces das vilãs já escolhidas. A elas caberá a maior soma de maldades que estão sendo imaginadas pelo autor da novela que buscará ser o mais fiel possível ao ‘achado de Harã’.

Algumas das maldades já catalogadas pelo autor responsável por essa adaptação encontram-se descritas na Bíblia, com o objetivo de nos advertir que delas fujamos, mas, que saibamos que mesmo as maiores maldades podem ser perdoadas pelo Senhor, se houver o sincero arrependimento e o pedido de perdão a Ele. E isso Jesus nos mostra, quando na cruz, diante do pedido do chamado ‘bom ladrão’, que não viu nele nenhuma razão para que tivesse sido condenado à morte, e reconhecendo nele o Filho de Deus, pediu que dele se lembrasse de quando chegasse a seu reino e ouviu de Jesus: “ainda hoje estarás comigo no Paraíso”. Podemos encontrar na Bíblia algumas dessas maldades que, mediante arrependimento, poderiam ter sido perdoadas, porém, por mais que Noé tenha pregado sobre a necessidade de arrependimento e a proximidade do extermínio para aqueles que não se arrependessem de suas maldades, tornou-se motivo de chacota dos que o ouviam, pois, entendiam que não haveria o dilúvio, uma vez que não conheciam nem a chuva, pois, não chovia em Pangéia! Então, como choveria sem parar durante quarenta dias e quarenta noites? Alguns desses exemplos de maldades tirados da Bíblia mostram filhos possuindo a mulher do próprio pai, avarentos, idólatras, maldizentes, beberrões, roubadores, incrédulos, injustos, imorais, homossexuais, faladores, vaidosos, insensíveis, dissolutos, néscios, irados, lascivos, maledicentes, obscenos, iníquos, assassinos, indecentes, prostituidos, intrigantes, negligentes, ociosos, preguiçosos, cobiçosos, difamantes, etc..

As ações envolvendo a ganância, a inveja e a soberba nunca estiveram tão presentes na vida de um povo, como nas vidas dos habitantes do continente Pangéia, relata Noé a Abraão, na tabuinha nº 23. Essa é a tabuinha que servirá de maior inspiração para as adaptações das maldades da novela que está sendo escrita. Noé nos leva, necessariamente, através de suas afirmações, diante de tantas maldades, à leitura de alguns Salmos, os chamados ‘Salmos Imprecatórios’, escritos por salmistas que se sentiram vítimas de pessoas ou de nações que matavam, escravizavam e destruíam seres humanos ou o povo judeu, com o objetivo de atender aos seus anseios mais primitivos de atender à ganância e a maldade, e estas envoltas na promoção adicional da dor e do sofrimento. Mesmo, no século vinte, diante do holocausto de milhões de judeus, promovido por Hitler, nos sentimos condicionados a revisitar esses ‘Salmos Imprecatórios’. Não somente esse pedaço da História que se busca esquecer, mas, também, as cenas degradantes que vemos e que muitos abnegados irmãos em Cristo, vivem nos dias de hoje, ao procurarem ajudar às vítimas da ganância, nos chamados centros de uso de drogas, conhecidos por ‘cracolândias’; sentimos a nossa ira se acendendo contra esses que manipulam esses doentes do nosso século em busca de atender à sua sede de dinheiro. Não esquecemos que, nos dias de hoje, uma das maiores fontes de maldade é a falsificação de remédios que está levando tantos dependentes dos mesmos à morte, por falência de órgãos que seriam preservados se não houvesse tal abundância de busca de dinheiro sujo. E, mais uma vez, sentimos a necessidade que os salmistas sentiram de escrever os ‘Salmos Imprecatórios’. Apenas para citar um deles, o Salmo 109 roga pragas sobre um homem que “perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para levá-los à morte”. “Visto que amou a maldição que ela lhe sobrevenha” é a proposta desse Salmo. E este é um Salmo de Davi, um ‘homem segundo o coração de Deus’. Nós nos sentimos assim, quando lemos que um zelador de um prédio de idosos usava cópia das chaves para entrar nos apartamentos das viúvas, bater nelas e roubar seu dinheiro. Esse vigarista escapava da prisão porque usava mascara. Sabiam que era ele, mas, não conseguiam provar! Isso nos coloca fervendo tanto quanto os salmistas dos “Salmos Imprecatórios”. Esse pode ser dito que é o lado ‘sombrio’ da fé, como declara o psicólogo cristão Dan Allender.

Diz o autor de “A Bíblia que Jesus Lia”, Plilip Yancey, que esses Salmos expressam uma imaturidade espiritual que foi corrigida pelo Novo Testamento. C. S. Lewis, incomodado com esses “Salmos Imprecatórios” escreveu “Reflections on the Psalms” para contrapor o espírito de oração do salmista para que o Senhor promova a vingança aos malfeitores, com o espírito que aprendemos no Novo Testamento, onde Jesus nos ensina a “amar os nossos inimigos” e a “perdoar porque não sabem o que fazem”. Essa é a atitude correta, diante dessas injustiças, e não as manifestações de desejo de vingança, nessa linha de raciocínio que até aqui foi utilizada.  Essa vingança pertence a Deus.

Noé nos transmite uma coleção de maldades nesta tabuinha que representa material suficiente para entendermos os acontecimentos descritos no período que antecedeu ao Dilúvio Universal. O livro de Genesis resume no capítulo 6, versos 5 e 6 : “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; então, se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração”.

As novelas da Rede Globo normalmente terminam com a vitória do bem sobre o mal, havendo justiça para os maldosos. Nem sempre, observamos isso na vida real. Porém, a justiça divina para os maldosos que aparentemente tiveram ‘vitória’ é a nossa segurança de que essa ‘vitória’ é apenas aparente! Assim, entregamos a Deus essas ofensas e dormimos em paz por que Ele é justo e a justiça está em suas mãos!
A certeza que temos de que a população de Pangéia poderia ter atingido alguns bilhões de seres humanos a mais, quase a população atual da terra, se fosse levado em conta a inexistência do extermínio provocado pelos atos maldosos de seus habitantes, como contendas seguidas de mortes, guerras tribais, ações escravizadoras visando obtenção de lucro fácil, fruto de ganância, multiplicação de armas cada vez mais mortíferas, alcoolismo, drogas, prostituição, nos conduz à comparação do que estamos vendo em nossos dias, cheios de tecnologia, parte significativa dela visando o extermínio da vida humana, com raras exceções que se destinam à sua preservação. Não fosse o período da graça, concedida pelo Senhor (sem mérito de nossa parte, pois, somos pecadores), ora podendo ser vivido pela humanidade, e já estaríamos sendo dizimados pelo Senhor, como ocorreu com o povo de Pangéia, exceto a família de Noé.

Não haverá, portanto, dificuldade para que a Rede Globo associe o que se encontra nessa tabuinha nº 23 com a realidade que está sendo vivenciada pela humanidade, para que possa fazer o elenco de tantas maldades lá descritas e as muitas hoje existentes.

Há um esforço imenso das diversas denominações evangélicas, visando cumprir o comando de Jesus que nos deixou a orientação “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo”. Muitos, porém, ao ouvirem essa mensagem, oferecida de graça, não a ouvem como não ouviram os que habitavam em Pangéia, à época de Noé. Estamos vendo mudanças dessa constatação, porém, numa relação de ‘progressão aritmética’ enquanto os que não creem em Deus em ‘progressão geométrica’. Você, meu caro leitor, que vai assistir a essa novela da Rede Globo, será testemunha da destruição da humanidade que viveu naquela época, com apenas uma família sendo salva, a de Noé. Ela será excelente oportunidade de demonstrar, contrariando o aparente ‘sucesso’ de alguns malfeitores, na vida real, que todo o mal será castigado!