Sei que muito já se falou sobre o assunto e talvez não diga nada de novo, mas decidi escrever sobre o que penso hoje sobre o ministério pastoral. Quando eu tinha dez anos de idade vi o meu pai ser consagrado ao Santo Ministério. Não entendia nada do que estava acontecendo por que os meus interesses como um pré-adolescente eram outros. Mas mesmo assim pude perceber com tão pouca idade e experiência de vida que alguma coisa em casa havia mudado. Meu pai, além do emprego secular, passou a dedicar grande parte do seu tempo à igreja.
Acreditando estar fazendo o melhor pela “causa”, investiu em mais estudos, congressos, conferências e acampamentos. Ele precisava de toda esta bagagem para manter-se atualizado e corresponder às expectativas que o ministério exigia. Até hoje lembro de algumas fotos que ele “tirou” no retiro dos pastores. Mas seriam aqueles pastores os seus amigos? O sorriso deles na foto correspondia ao que verdadeiramente sentiam?
O tempo passou e hoje me vejo no mesmo caminho. Sou pastor, filho de pastor, casado com uma filha de pastor, cunhado de pastores, professor de pastores, pastoreei pastores, trabalhei com pastores e sou amigo de muitos pastores. Digo sempre para amigos mais próximos que há muito tempo eu sei o que é o “vale da sombra da morte”. E este “vale” tem me ensinado muita coisa.
Creio que como o salmista todos nós depositamos a nossa esperança no Senhor, mas é necessário entender a parte que nos cabe. Depois de todo este tempo convivendo com os “homens vocacionados por Deus” aprendi uma grande lição: PASTORES PRECISAM DE VERDADEIROS AMIGOS.
A solidão é uma das características mais comuns na vida dos pastores. Atingidos muitas vezes pela vaidade de serem onipotentes e oniscientes (não cito a onipresença, pois já seria um caso psiquiátrico), acabam se vendo doentes, sozinhos, ansiosos, deprimidos e com uma autoestima muito baixa. Alguns até arriscam criar um vínculo de amizade com “colegas” mais próximos para expor suas dores, mas temem virar ilustração de sermão do “colega” pastor.
Jamais tive a pretensão de dar uma ultima palavra sobre o assunto, mas gostaria de sugerir algo que tem sido eficaz para mim e para muitos amigos: INVISTA EM VERDADEIRAS AMIZADES. Torne-se verdadeiramente interessado em ouvir, compreender e ajudar pessoas que você elegeu para serem seus amigos. Procure sempre “alimentar” a relação de parceria tão necessária aos pastores. Nos momentos de angústia é sempre bom ter com quem “abrir o coração” e dividir as dores e lágrimas. Não precisamos de juízes, mas de VERDADEIROS AMIGOS.
Certa vez passei as minhas férias com um amigo pastor e sua família e vivemos momentos de alegria, descontração e também momentos para compartilhar as crises. Foi inesquecível para todos nós. Nos tornamos amigos verdadeiros e nossas famílias nutrem até hoje uma amizade muito grande. Tome a iniciativa de se tornar um VERDADEIRO AMIGO.