Nossa língua e seu (des)conhecido poder (André Jorcelino Flores)

"Sim, eu aceito o Senhor Jesus como Salvador da minha vida. Sim, Senhor, seja Deus da minha vida e que nunca mais me sinta sozinho e nem me desvie dos teus caminhos. Se possível, meu Pai, retire de mim o livre arbítrio para que nunca mais reencontre os maus caminhos."

Talvez estas sejam as palavras pronunciadas por todos que aceitaram a fé em Cristo Jesus. Se não estas, outras semelhantes a estas.

Talvez sua declaração tenho sido mais profunda e você tenha declarado para que "Deus não abra mão de você."

Talvez esta seja sua oração nestes dias.

Todas são maravilhosas declarações de dependência que merecem ser pronunciadas por nós ao Deus que nos amou enquanto ainda o olhávamos de alto a baixo, de "canto de olho". Que nos amou sem pedir que assinássemos termos de mudança de conduta como garantia de que valorizaríamos sua obra expiatória.

Mas, enxergo uma falha ou, pormenorizando, enxergo uma desatenção nestas declarações.

A falha não está nas declarações feitas enquanto no fogo do amor. A falha está na nossa falta de memória. Porque nós nos esquecemos das declarações que fazemos, mas nosso Deus não é daqueles que revoga decretos ou compromissos.

Submeta-se a esta analogia: o que você faria se seu filho decidisse pular de um precipício? O que você faria para impedi-lo? Com o intuito de cumprir o compromisso outrora assumido para protegê-lo, você se preocuparia com a pressão exercida nos braços dele? Se preocuparia em aparar suas unhas antes de impedir seu salto mortal somente para que suas unhas não o ferissem? Se preocuparia em não segurá-lo pelos cabelos? E se, durante esta batalha, seu filho quebrasse um braço, uma perna ou desmaiasse tamanho o esforço que fez para detê-lo?

Ultrapassada esta batalha, imagine-se olhando para o seu filho que agora se recupera, resgata a consciência ou amadurece. Valeu a pena "feri-lo" para resguardar a vida dele?

O fato é que muitos de nós se esquece dos compromissos outrora assumidos e, diante de alguns abismos que insistimos nos expor, percebemos que aquilo que estava ruim ficou pior. Percebemos que "quanto mais rezamos, mais assombrações aparecem." Percebemos que oramos, mas nada se move. E, em alguns casos, o "não mover de Deus" dói mais que um braço quebrado.

Lembra daquela declaração? Aquela que pede para que Deus nunca abra mão de nós? Pois é. Deus não abrir mão de nós pode doer.

O nosso ponto de vista é bem diferente do ponto de vista do Pai. Nós vivemos nossos dias tentando resolver nossos dois ou três maiores problemas, nossas duas ou três maiores preocupações. Enquanto isso Deus está perseverando para resolver toda a nossa vida.

Esses pontos de vista podem ser excludentes entre si. Principalmente se a resposta aos seus dois ou três problemas confrontarem o desejo de Deus em mudar sua vida.

A pergunta que fica: O que será da sua fé se as questões eleitas por você forem resolvidas antes de Deus mudar sua vida? Vinho novo em odre velho.

Entenda definitivamente o tempo de Deus e deixe de pensar, por alguns instantes, naquilo que você espera de Deus e pense naquilo que Deus espera de você. Caso contrário, não se abale se a sua oração de hoje for a mesma na próxima década.

Talvez seja somente Deus cumprindo a parte do compromisso em te proteger de você mesmo e, então, te proteger do mundo.