Todos vivemos de palavras.
Vejamos um caso.
Se houvesse uma lista dos piores jogadores de futebol do mundo, eu estaria no topo. Nas brincadeiras, eu era o último a ser escolhido e não era apenas pelos meus graúdos óculos. Eu não tinha noção do que era jogar futebol, de modo que eu podia entrar — suprema humilhação — para defender qualquer lado.
Hoje essas situações só me trazem gargalhadas.
Lembro de palavras mais poderosas. Numa destas brincadeiras de adolescentes, o “técnico” sem se referir diretamente a mim, mas referindo-se com certeza sobre mim, depois de uma jogada, disse que eu tinha potencial.
Não me lembro o nome dele, mas aquele professor me valorizou com sua palavra. Jamais as usei nos campos ou quadras, pois eu sabia que não prestava para o esporte, porque o que importava era que eu tinha potencial naquilo em que era pior.
Minha conclusão foi que, se eu tinha potencial no que era pior, podia realizar este potencial no que eu tinha de melhor.
Não por acaso, Jesus é chamado na Bíblia de “Palavra”, Palavra de Deus para os seres humanos.
Em letras menores, mais que ter palavras, somos palavras.
Que palavras temos sido?
Quem convive conosco sai exaltado (como acontecia com os desvalorizados a quem Jesus buscava) ou cai, atordoado?
ISRAEL BELO DE AZEVEDO