O FACEBOOK E SEUS POSSÍVEIS EFEITOS COLATERAIS (José Gomes Chácara Jr.)

A gente se vê no FACE! Creio que a rede social fundada por Mark Zuckerberg e seus amigos talvez seja a maior em todo o mundo. O FACEBOOK tem proporcionado a qualquer pessoa que tenha acesso à Internet com alta velocidade a oportunidade de se comunicar com qualquer pessoa de seu relacionamento. Mesmo os amigos que não se viam há muitos anos se reencontram pelo FACE (forma abreviada como tem sido conhecido e que usarei a partir daqui). Por meio de vídeo, texto e fotos ficamos sabendo o que está acontecendo com nossos “amigos adcionados”.
 
Encontrar amigos nos dá prazer. Seja em um churrasco, numa festa ou até mesmo passeando no shopping gostamos de encontrar pessoas que nos são agradáveis. Trocamos informações e experiências de vida. Mas depois do encontro vamos dar continuidade às nossas vidas e quem sabe nos encontremos novamente.
 
Quanto ao FACE este encontro de “amigos” é mais frequente e tem desencadeado alguns sintomas que, por meio de um trabalho de observação pessoal, tem sido identificado na maioria das pessoas que se relacionam por ele. Dei uma ênfase à palavra “amigos”, pois alguém já disse que o correto não seria chamar de amigos no FACE, mas de “pessoas listadas” no FACE. Acredito que identificar alguém como amigo é atribuir a ele o mérito de conhecer, compartilhar e participar da sua vida com mais profundidade e discrição.
 
Ao postar qualquer coisa no FACE a intenção é divulgar para todos os listados as suas realizações e, na sua maioria, as que proporcionaram vitórias, alegrias e sucessos. Raramente alguém “posta” aquilo que fez e gerou constrangimento. Além disto, a manifestação dos “amigos” ao que foi postado é acompanhada com certa expectativa. Se alguém curtiu o que você postou, pode significar: “fui notado, sou importante, alguém gostou, quem curtiu gosta mesmo de mim, etc.” Caso contrário pode ser entendido como “falta de consideração, desprezo, não sou tão importante assim, etc.” Quem nunca ouviu alguém reclamar de que postou algo e ninguém curtiu (notou)?
 
Se o “post” foi comentado por um amigo este é visto com mais consideração ainda. Ele se deu ao trabalho de escrever e não simplesmente clicar. Se ele compartilha é porque gostou muito mais e divulga o que o amigo fez. Tudo isto desencadeia um sentimento de valor, aceitação e admiração que possivelmente as pessoas possam ter por você.
 
A condição de ser adicionado após um convite representa um seja bem-vindo ao meu grupo de amigos o que significa ser aceito. Mas se a resposta em ser aceito demora, muitas coisas podem ser imaginadas e na maioria dos casos não são boas. No caso de ser excluído do grupo de amigos, a situação é mais delicada pois pode provocar sentimento de rejeição, desprezo e o desejo de saber porque motivo foi excluído do grupo. A pessoa que o fez pode ser vista como prepotente, arrogante, orgulhosa e até preconceituosa.
 
Um comportamento muito comum que já pode ser visto na praia, nos restaurantes, nas escolas, no local de trabalho, na rua e até mesmo por quem está dirigindo um automóvel é o acompanhamento online do que os outros estão escrevendo ou postando. Basta ter um smartphone ou tablet conectado à Internet. Este monitoramento virtual que chega a ser por quase 24 horas por dia tem provocado ansiedade, ciúme, inveja, complexo de inferioridade, autoestima baixa, frustração, desconfiança e depressão. Não tem sido difícil encontrar casais que acompanham cada palavra, cada foto que o seu amado ou amada tem postado. Querem saber quem era a garota ou o garoto que estava com ele ou ela na foto. Enquanto não descobrem se deixam levar pelo ciúme e são dominados por uma ansiedade oriunda da sua imaginação. Começam a imaginar que podem descobrir outras coisas que o suposto traidor possa ter cometido. Assim, não largam o aparelho durante as 24h. É como se pudessem ter o poder de acompanhar, dominar e controlar os passos do outro.
 
Uma outra situação são as pessoas que se sentem rejeitadas por não terem sido convidadas para a festa de aniversário ou casamento do seu amigo. Ela só descobriu por que viu as fotos no FACE. Puxa! Eu pensei que nós éramos amigos. Nem me convidou. Outros sentem inveja dos amigos que fizeram uma grande viagem e postaram as fotos fantásticas para que todos vejam. Ficam frustrados por não terem condições de fazer a mesma coisa e assim são invadidos por um complexo de inferioridade e a autoestima fica lá embaixo. E o que dizer dos encontros de família postados com inúmeras fotos, parecendo que todos vivem maravilhosamente bem uns com os outros. Para quem não tem uma família “modelo” como aquela, começa a se ver sozinho, infeliz, podendo até experimentar momentos de depressão.
 
Com toda esta sucinta descrição de alguns sintomas do FACE, pode-se perceber que ele desperta a imaginação das pessoas quanto àquilo que podem ler ou ver. É preciso entender que toda a percepção está baseada na história de cada um. A interpretação ou emoção de cada um é pessoal. Se seu post não foi curtido ou comentado, não significa que as pessoas não gostam de você ou que te desprezam. As fotos no FACE não representam exclusivamente uma ostentação aos amigos, mas uma forma de dizer estou feliz e quero dividir esta felicidade com você. Cada um de nós deve avaliar não somente pelo FACE, mas também no dia a dia real o que anda imaginado sobre as pessoas que convivem com você, seja no mundo real ou virtual. Pergunte sempre se o que você está pensando sobre o outro é a única verdade ou se você está sendo induzido pela sua própria história cheia de insatisfações, conflitos, crises e ideias pré-concebidas. Procure ajuda caso encontre dificuldades em administrar as emoções que se tornam persistentes quando o assunto é rede de amigos, para poder olhá-los em paz FACE TO FACE.