1Samuel 1.18-28: [Pregado na IB Itacuruçá, em 18.6.2006, manhã] 1. Os pais devem receber seu(s) filho(s) como uma bênção de Deus — verso 20. Nem sempre nos lembramos que nossos filhos são dádivas de Deus, embora quem não os tenham possa achar que não são abençoados pelo Senhor. Quero começar pelos que, desejando ter filhos, não os tem. 1.1. Quem não o(s) tem …. deve orar até receber um filho ou uma resposta de Deus de que não terá um filho. Ana chorou ano após ano por não ter um filho. A história está sintetizada nos versos 6 e 7: "E porque o Senhor a tinha deixado estéril, sua rival a provocava continuamente, a fim de irritá-la. Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, sua rival a provocava e ela chorava e não comia". Ele fez de tudo. Um dia resolveu entregar seu problema ao Senhor. "Certa vez quando terminou de comer e beber em Siló, estando o sacerdote Eli sentado numa cadeira junto à entrada do santuário do Senhor, Ana se levantou 10 e, com a alma amargurada, chorou muito e orou ao Senhor" (versos 9-10). Depois desta experiência de oração, "ela seguiu seu caminho, comeu, e seu rosto já não estava mais abatido. Na manhã seguinte, eles se levantaram e adoraram o Senhor; então voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações com sua mulher Ana, e o Senhor se lembrou dela. Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um filho. E deu-lhe o nome de Samuel, dizendo: “Eu o pedi ao Senhor” (versos 18b-20). Quando resolveu descansar em oração, ela ficou grávida. Quando oramos, devemos esperar, como fez Isaque (Gênesis 25.19-21, 26): "(19) Esta é a história da família de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou Isaque, (20) o qual AOS 40 ANOS SE CASOU com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arãb, e irmã de Labão, também arameu. (21) Isaque orou ao Senhor em favor de sua mulher, porque era estéril. O Senhor respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou. (…) 24 Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre. (25) O primeiro a sair era ruivo, e todo o seu corpo era como um manto de pêlos; por isso lhe deram o nome de Esaú. (26) Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó. Tinha Isaque 60 ANOS DE IDADE quando Rebeca os deu à luz. 1.2. Quem tem Quem tem filho(s) deve agradecer ao Deus por o(s) ter recebido. Foi assim que Ana recebeu Samuel em sua vida. Quem tem filho(s) não deve achar que, por ser(em) bênção de Deus, não terão problemas com eles. Isaque e Rebeca tiveram filhos e problemas, como muitos pais da Bíblia e da vida. O fato de você ter, por exemplo, um filho com alguma doença não quer dizer que ele não seja igualmente uma bênção de Deus. Em 1953, Dale Evans Rogers, que fazia dupla com seu marido Roy Rogers em filmes, escreveu um livro sobre sua experiência de terem uma filha, Robin, com síndrome de down, numa época em que portadores desta doença viviam muito pouco. O título do livro revela como eles receberam o menino, em português "meu anjinho desconhecido". A referência é a Hebreus 13.2: "Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos". A irmã de Robin, escrevendo 50 anos depois, conta que os médicos não queriam que levassem a menina para casa porque teria apenas dias de vida. Ela observa que sua mãe, ao dar seu testemunho, escrevendo-o como se fosse a filha, não imaginaria que ele abençoaria tantas pessoas ao redor do mundo. Filhos são empréstimos que Deus nos faz, para nos abençoar. 2. Os pais devem se saber que há etapas na(s) vida(s) dos seu(s) filho(s) — verso v. 22. Em nosso crescimento biopsíquico, temos etapas, naturalmente necessárias. A Bíblia fala da amamentação e do desmame como sendo duas destas etapas. Houve um tempo em que Ana ficou em casa para cuidar exclusivamente do seu filho. Um filho é para ser cuidado. Deve haver um tempo exclusivo para ele, mesmo que a mãe trabalhe fora. Só a mãe pode fazer isto. A menos que tenha um impediento biológico, ela não deve abrir mão disso. Esse tempo com seu filho, apoiado pelo pai, valerá para todo o sempre. Quanto ao desmame, em certo sentido, é a partir desse momento que a vida começa. Abraão e Sara desmamaram Isaque (Gênesis 21.8). Deve ter sido doloroso, mas era necessário. Elcana e Ana desmamaram Samuel, numa decisão dolorosa, porque, naquele caso, desmame seria separação, já que o garoto iria para o seminário de Siloé, para aprender com o sacerdote Eli. A dependência dos filhos em relação aos pais só é saudável dentro de limites bem claros, senão produz doença. Convivemos com um paradoxo em nossa sociedade. As crianças são precocemente iniciadas ao mundo do consumo e dos direitos pessoais, por exemplo, ao mesmo tempo em que os jovens retardam sua saída, por trabalho ou casamento, de casa. Muitas vezes, eles e seus pais têm medo da partida. Penso que não devemos cometer o exagero da cultura norte-americana em que é considerado bom que o jovem saia de sua casa e de sua cidade para cursar a universidade. Penso também que não devemos cometer o exagero da cultura brasileira em considerar rebelde o jovem que busca sair de casa, em busca de melhores condições de estudo ou apenas de independência. Na cultura norte-americana, o saldo positivo é o alto grau de iniciativa empreendedora dos jovens; o saldo negativo, segundo Harold Bloom, é a libertinagem, provida pela liberdade. Na cultura brasileira, o saldo positivo é o prolongamento dos laços familiares, em suas dimensões de proteção e formação; o saldo negativo é a dependência que retarda o pleno desenvolvimento dos indivíduos. A percepção de que a vida é feita por