Ir para o conteúdo
  • Colunistas
    • Antonio Vieira Sias
    • Carlos Novaes
    • David Matheus
    • Gilberto Garcia
    • Hudson Silva
    • Lécio Dornas
    • Richard Vasquez
    • Mais colunistas
  • Mensagens
    • Novo Testamento
    • Antigo Testamento
    • Temáticas
    • Para Crianças
  • Reflexões
    • Editoriais
    • Poemas
    • Respostas Corajosas
  • Bíblia
    • Bíblia Prazer da Palavra
    • Nomes da Bíblia
      • Significados dos nomes FEMININOS
      • Significados dos nomes MASCULINOS
    • Apaixonados pela Bíblia
  • Recursos
    • Arqueologia Bíblica
    • Carnaval
    • Ciência e Saúde
    • Dia das crianças
    • Dia das mães
    • Dia do Pastor
    • Dia dos pais
  • Loja
    • Bíblia Prazer da Palavra
    • Livros Físicos
    • Livros Digitais
  • Colunistas
    • Antonio Vieira Sias
    • Carlos Novaes
    • David Matheus
    • Gilberto Garcia
    • Hudson Silva
    • Lécio Dornas
    • Richard Vasquez
    • Mais colunistas
  • Mensagens
    • Novo Testamento
    • Antigo Testamento
    • Temáticas
    • Para Crianças
  • Reflexões
    • Editoriais
    • Poemas
    • Respostas Corajosas
  • Bíblia
    • Bíblia Prazer da Palavra
    • Nomes da Bíblia
      • Significados dos nomes FEMININOS
      • Significados dos nomes MASCULINOS
    • Apaixonados pela Bíblia
  • Recursos
    • Arqueologia Bíblica
    • Carnaval
    • Ciência e Saúde
    • Dia das crianças
    • Dia das mães
    • Dia do Pastor
    • Dia dos pais
  • Loja
    • Bíblia Prazer da Palavra
    • Livros Físicos
    • Livros Digitais
Bíblia Prazer da Palavra

Autor: Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo, é um pesquisador interessado em usar a internet para mostrar a acurácia e atualidade das Escrituras Sagradas e, assim, demonstrar que fé e razão são como dois trilhos de uma linha de trem. Israel Belo de Azevedo é um escritor com vasta publicação em diferentes áreas. Seus primeiros livros foram na área de história e pesquisa acadêmica. Os seguintes foram sobre filosofia e teologia. No momento, tem-se dedicado mais fortemente ao ensino e à aplicação da Bíblia. Por isso, preparou as notas de duas edições das Sagradas Escrituras: “Bíblia Sagrada Bom Dia” e Bíblia, o Livro da Esperança” (ambos da Sociedade Bíblica do Brasil, que prepara uma terceira, sobre orações). O projeto no qual tem dedicado mais tempo presentemente é a preparação de uma nova versão da Bíblia, que seja entendida por todos. Trata-se da “Bíblia “Prazer da Palavra”. Desde 1999, Israel Belo de Azevedo pastoreia a Igreja Batista Itacuruçá, localizada no bairro da Tijuca, região central da cidade do Rio de Janeiro. É casado com Rita e pai de Rachel. Ele é graduado em teologia e em comunicação. Tem pós-graduação em história e mestrado em teologia. É doutor em filosofia.
alt
2 Timóteo
Israel Belo de Azevedo

2Timóteo 1.3-6: O QUE OS FILHOS QUEREM DE NÓS

Há muitas famílias na Bíblia, dentro e fora dos padrões. Hoje quero lhe convidar a pensar numa delas, composta de avó, mãe, filho e um pai adotivo, como aprendemos a partir da leitura de 2Timóteo 1.3-6.   Quero lhe convidar a considerar este trecho na perspectiva de um pai. Paulo era o pai adotivo de Timóteo, respondendo à seguinte pergunta: "O que querem os filhos de nós?".   Eles querem que VIVAMOS COM A CONSCIÊNCIA LIMPA ("Dou graças a Deus, a quem sirvo com a consciência limpa" — verso 3a). O apóstolo Paulo era um pai, espiritual neste caso, que tinha a consciência de que tinha sua consciência limpa diante de Deus.  Assim deve viver, com integridade, um pai, uma mãe. Uma vida limpa, honesta, sincera, verdadeira, é o maior legado que um pai, uma mãe, pode deixar para na formação do presente e na memória do futuro de seus filhos. A violência, física ou verbal, em casa dos pais poderá ser repetida na casa dos filhos. Eis um exemplo: uma pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz, com dependentes químicos, demonstra que o consumo de drogas na cidade do Rio de Janeiro é incentivado pelo uso de entorpecentes dentro da própria família. O exemplo paterno é a principal, o que é surpreendente, porque se acreditava mais no papel dos amigos na indução ao vício. Segundo a pesquisa, feita com 3.772 dependentes, 48,7% dos homens e 45% das mulheres disseram que o pai usava drogas. O pai aparece como a principal figura no processo da drogadição. Uma psiquiatra (Ana Cristina Saad) que participou da pesquisa fez o seguinte comentário: “Isto não quer dizer que o pai fica com a garrafa ou com o baseado na mão incentivando o consumo. Mas ele é visto em casa consumindo”. (Dados disponíveis em ) Uma vida exemplar dos pais não garante uma vida exemplar dos filhos, porque estes podem escolher os seus caminhos, mas é a regra. Filhos ruins de pais bons, como Manassés, filho de Ezequiais, são exceções. Filhos ruins de pais ruins, como Acabe, filho de Onri, são a regra. Filhos bons de pais ruins, como Jônatas, filho de Saul, são exceções.  Ter a consciência limpa diante de Deus é importar-se com o julgamento de Deus e buscar ser aprovado por Ele.   Eles queremos também que  DESEJEMOS ESTAR COM ELES ("Lembro-me das suas lágrimas e desejo muito vê-lo, para que a minha alegria seja completa" — verso 4). Tive um privilégio cujo valor reconheço prazerosamente. Até minha adolescência, meu pai tinha seu consultório de dentista em casa. Minha mãe cuidava integralmente da casa. Eu cresci podendo olhar para eles, sem que isto me tornasse dependente, porque souberam manter os espaços distintos. Quanto a meu pai, a influência mais decisiva de minha vida, eu o via no seu escritório cheio de livros lendo a Bíblia por longas horas. Eu o via ajoelhado ao pé da cama. Quando ele se tornou pastor, preparava seus sermões e os boletins em casa, com a minha ajuda, enquanto estive com eles; fui seu redator. Tudo isto está gravado na minha memória, como está gravada a quinta-feira. Durante um longo tempo da minha vida, toda quinta-feira meu pai fechava seu consultório em Vitória e íamos todos para a praia. Pegávamos o ônibus, com um farnel e um pneu para servir de bóia e nos divertíamos na então praia de Camburi. Abençoadas e inesquecíveis quintas-feiras. Paulo e Timóteo, pai e filho espirituais, gastaram muito tempo juntos. Choraram juntos. Agora separados, o pai preso, o filho livro, tinham saudade um dos outros. Eles se conheceram numa viagem do apóstolo, que foi a sua casa (Atos 16) e participou da sua experiência religiosa (quando o circuncidou — Atos 17). Separaram-se várias vezes, mas sempre com o desejo de estarem reunidos de novo, ele e outros cooperadores. Quando o  enviou numa missão, usou as seguintes palavras: "estou lhes enviando Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor, o qual lhes trará à lembrança a minha maneira de viver em Cristo Jesus, de acordo com o que eu ensino por toda parte, em todas as igrejas" (1Coríntios 4.17). Tornado co-autor de muitos de seus livros, este filho adotivo (nos termos de hoje) é referido por Paulo como filho na fé (1Timóteo 1.2), filho (1Timóteo 1.18) e amado filho (2Timóteo 1.2). Paulo achava que estar com o filho era ter alegria completa. Nossos filhos devem encontrar alegria fora de casa, porque a vida não se resume à nossa casa, mas devem sobretudo encontrar prazer em estar em casa. E a tarefa de tornar a nossa casa um lar para eles é dos pais, que devem apreciar quando estão em casa. E isto tenderá a acontecer quando encontrarmos tempo e lugar para eles.   Nossos filhos querem, ensina-nos com sua prática o pai adotivo Paulo (2Timóteo 2.3-6), que VIVAMOS COM CONSCIÊNCIAS LIMPAS, que INTERCEDAMOS POR ELES e que DESEJEMOS ESTAR COM ELES.   Eles querem ainda que ACREDITEMOS NELES ("Recordo-me da sua fé não fingida, que primeiro habitou em sua avó Lóide e em sua mãe, Eunice, e estou convencido de que também habita em você" — verso 5). Paulo estava certo de que Timóteo era um cristão, chamando-o, em outro lugar, de "homem de Deus" (1Timóteo 6.11). Há pais e mães que acreditam nos filhos, no valor deles, confiam neles, mas não dizem isto a eles. Paulo, o pai adotivo, diz do filho: "Você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos que enfrentei" (2Timóteo 3.10-11a). Numa situação difícil numa das igrejas que dirigia, Paulo enviou o filho, seguro de sua competência (1Tessalonicenses 3.5).  Por isto pediu que cuidassem dele quando chegasse à cidade (1Coríntios 16.10). Para ele, Timóteo era um homem aprovado que serviu "como um filho ao lado de seu pai (Filipenses 2.22). Nossos filhos não são perfeitos, como nós não somos. Valorizemos as qualidades dos nossos filhos. Eduque

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo julho 29, 2010
alt
Josué
Israel Belo de Azevedo

PARA LER JOSUÉ

Livro: Josué Capítulos: 24 Versículos: 657 Tempo de leitura: duas horas   A leitura de Josué e Juízes é uma das mais difíceis da Bíblia. Para lermos estes livros, precisamos nos despir de nossa modernidade, porque os valores ali presentes nos chocam. Além disso, só podemos entender essas obras com os livros do Novo Testamento abertos. Josué e Juízes são preâmbulos do Evangelho de João e da carta aos Romanos, por exemplo. Quanto especificamente ao livro de Josué, temos que voltar no tempo, como numa viagem a Jericó, e pensar com a cabeça das pessoas daquele tempo, não com a nossa. Na nossa, tudo é individual, inclusive a responsabilidade. Na nossa, os filhos de Acã não deveriam morrer; na nossa, os inimigos deviam ser poupados, vencidos na guerra; na nossa, pessoas de diferentes religiões devem conviver; na nossa, religião e política são reinos distintos e incomunicáveis. Se não queremos ser anacrônicos, precisamos saber que, na antiguidade contemporânea de Josué, a responsabilidade é comunitária, porque inexiste a ideia de indivíduo; assim, os filhos de um criminoso devem morrer juntamente com ele e os animais; os inimigos devem ser exterminado, jamais perdoados, para que sua extinção mostra quem é vencedor e ninguém sobre deles para continuar seus ideais e seus governos; em Israel, não poderia haver qualquer outro tipo de culto (religião) porque a identidade nacional era dada pela fidelidade do povo a Deus, o que se aplicava às outras nações com os seus deuses; este é o quadro em que se encontrava Israel na idade do bronze, quando religião e política não são duas faces de uma mesma moeda; era uma só face mesmo. Quando Lutero começou sua revolução (no seculo 16 da nossa era) ainda predominava um princípio próximo (“cujus regius, cujos religius” – “tal rei, tal religião”), significando que o povo devia seguir à religião do seu rei. Quando lemos Josué com os evangelhos ao lado, entendemos a grandeza da graça de Deus, manifestada em Jesus Cristo. Agora, o que deve prevalecer é a lei do amor, não a do talião (olho por olho, dente por dente). O que seria de nós sob o comando de Josué e não do de Jesus, conquanto ambos os nomes tenham a mesma raiz e o mesmo significado: Salvador? Mas Deus não é o mesmo, perpassa-nos a pergunta pela mente? Deus é o mesmo, mas sua revelação é progressiva. Ele tem um grande plano (que culmina na cruz, em que o sangue derramado não é o dos outros, mas o do Seu Filho). Para chegar lá, precisa agir de um modo que as pessoas entendam. Deus fala a linguagem da lei, mas seu negócio é a graça; Deus usa o recurso do sangue, mas seu foco é a misericórdia. Por isto, mesmo em Josué, encontramos lampejos de graça: como entender a história de Raabe, se não como sendo Deus piscando para o ser humano, como a dizer: tem mais pela frente?   DATAS É neste contexto que surge o livro, cuja leitura nos desconcerta. Não sabemos quem escreveu o livro, que leva seu nome pelo fato de Josué ser a personagem central e talvez tenha determinado que fosse escrito, para que as futuras gerações soubessem. A questão da autoria de uma obra não tinha qualquer valor naquele tempo, algo bem diferentes da era dos direitos autorais. Não sabemos quando o livro foi escrito, mas não o foi tardiamente (no período exílico, como sugerem alguns), pelas próprias referências internas. Mais uma de uma vez, por exemplo, aparece a expressão “nos dias de hoje” (4.9, 5.9, 6.25, 7.26, 8.28, 9.27, 10.2713.13, 14.14, 15.63, 16.10, 22.3, 23.8, 23.9), época em que o livro foi escrito ou organizado. Não há consenso sobre a data da chegada dos hebreus a Canaã. Os achados arqueológicos ainda não são suficientes para uma decisão, podendo ter ocorrido no século 13 (por volta de 1230 a 1220 a.C.) ou no século 15 (por volta do ano 1400 a.C.) Há indícios que Jericó foi destruída em 1400 a.C.   TEOLOGIA Josué é uma história de conquista. Não foi escrito apenas para registar os fatos, mas para ensinar, a partir dos fatos, embora nem sempre a lição seja apresentada em letras garrafais. O livro, assim, pretende ensinar que “o Criador de toda a terra (Salmo 24.1-2; 47.4) e singular proprietário da Palestina (Levítico 25.23) fez dos patriarcas os procuradores de uma terra apropriada para reis, que manava leite e mel (Deuteronômio 31.20). Deus prometeu dar a terra como herança permanente aos descendentes dos patriarcas (Gênesis 17.8; Êxodo 32.13). A ocupação da terra, a acontecer por etapas (13.1-7), foi deslanchada por Josué de forma impressionante. Foi, então, ‘loteada’ por Deus entre as tribos de Israel mediante sorteio (Númereos 33.50-54), e se tornou, assim, algo de que tinham posse inalienável, e que ninguém poderia lhes tomar à força. Somente os levitas não receberam terra deles mesmos; pelo contrário, ‘herdaram’ o próprio Senhor, abrindo caminho para a compreensão espiritual da herança (13.14)”. (WALTKE, Bruce K. Josué. Em: Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2010, p. 360) A história contada mostra, então, a unidade do povo Israel, a partir da a unidade entre os fundadores da nação. Por isto, o autor insistemente associa Josué a Moisés e identifica o povo que encontrou em Canaã com aquele que saiu do Egito. Sob esses dois líderes, o povo “viu as impressionantes maravilhas do Senhor no Êxodo e na conquista (24.7,17) e entrou em aliança com ele” (WALTKE, Bruce K., op. Cit., p. 361). Esta aliança deve ser cumprida pelo povo, por meio da fé em Deus, que implica em obediência à Sua lei. Sob este pano de fundo e sob a perspectiva da história que se desdobraria com a chegada do Messias, entendemos a guerra travada contra os outros povos. Israel foi um instrumento de juízo sobre esses povos, que não alcançou Raabe, porque ela se arrependeu. A destruição era necessária para preservar Israel da contaminação. O povo não podia correr riscos. TEXTOS DIFÍCEIS Josué 7 (A

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo julho 27, 2010
alt
Provérbios
Israel Belo de Azevedo

Provérbios 20.22 — A VITÓRIA SEM DANO

Provérbios 20.22 Provérbios 21.31 Provérbios 24.6   1 Como reagimos ao mal que recebemos? A resposta tem a ver com o lugar que damos a Deus em nossas vidas. O lugar que damos a Deus em nossas vidas mede o nosso índice de maturidade. Nosso índice de maturidade pode ser avaliado por um pêndulo em que à esquerda está a impulsividade e, à direita, a passividade diante dos ataques recebidos.  Somos impulsivos quando achamos que temos que resolver tudo, ao nosso modo. E saímos como boxeadores em busca do nocaute. É como apenas nós existíssemos. Deus, não. O impulsivo precisa saber que “quem retribui o bem com o mal, jamais deixará de ter mal no seu lar” (Provérbios 17.13). Somos passivos quando achamos que não devemos fazer, deixando tudo nas mãos de Deus, animados por algumas promessas bíblicas (“A mim pertence a vingança e a retribuição. No devido tempo os pés deles escorregarão; o dia da sua desgraça está chegando e o seu próprio destino se apressa sobre eles” — Deuteronômio 32.35; “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor” — Romanos 12.19; “Pois conhecemos aquele que disse: ‘A mim pertence a vingança; eu retribuirei’; e outra vez: ‘O Senhor julgará o seu povo” — Hebreus 10.30). Nossa maturidade não está nos extremos do movimento pendular, mas no centro, onde reside o equilíbrio. Ter equilíbrio é medir o preço dos gestos, dos generosos aos rancorosos. Ter equilíbrio é saber que Deus é Senhor. Ter equilíbrio é ter a coragem de se deixar conduzir por Deus. Ter equilíbrio é não fazer o outro pagar, mas deixar com Deus a justiça, o que pode implicar em nunca ver a justiça sendo feita nos termos humanos. Ter equilíbrio é saber que a maior reparação pelo dano recebido é o perdão, porque o perdão asfalta a estrada da liberdade. Ter equilíbrio é, mesmo em dores internas, ouvir a palavra de Deus: “Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o Senhor” (Levítico 19.18). A vitória que Deus nos dá é sem dano. Não custa o nosso sangue. Não custa o sangue do outro. Por isto, o conselho bíblico é firme: “Não diga: ‘Farei com ele o que fez comigo; ele pagará pelo que fez”. (Provérbios 24.29). Ou ainda mais precisamente: “Não diga: ‘Eu o farei pagar pelo mal que me fez!’ Espere pelo Senhor, e ele dará a vitória a você” (Provérbios 20.22).   2 Essa promessa (o Senhor é que dá a vitória) nos remete para outra tensão de nossas vidas. Diz o provérbio bíblico: “Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, mas o Senhor é que dá a vitória” (Provérbios 21.31). Se imaginarmos uma linha que divide o território de nossas ações do território das ações de Deus, notaremos que ela é móvel. Cabe-nos preparar o cavalo para a batalha (isto é, cabe-nos participar da batalha, com força — de que o cavalo é símbolo). Cabe-nos lutar para vencer, mas não nos cabe vencer. Só quando Deus vence por nós, a nossa vitória é sem dano. Pensemos num pai, que se esfalfa para dar todos os recursos que seus filhos precisam (ou ele acha que precisam). Ele vence e seus filhos têm tudo que precisam. O pai se alegra, mas lamenta que seus filhos cresceram e ele não viu. Seus filhos tiveram problemas na escola e ele não pôde ir lá. Seus filhos conquistaram seus triunfos e ele não pôde aplaudiu. Houve vitória, mas com prejuízo. É tarefa dos pais oferecer o melhor que puderem. No entanto, quando a vitória é a de Deus, não há dano algum. O preço pago pela vitória não pode ser maior que a própria vitória. Quando só o cavalo luta, há dano. Quando Deus luta conosco, há vitória completa. Nossa pergunta deve ser: Deus participa de nossas lutas ou nossa confiança está no cavalo?   3 Estamos caminhando no compasso da autossuficiência. Ser autossuficiente é confiar no cavalo para a vitória. Ser autossuficiente é ouvir a própria voz como a única em que há sabedoria.  Ser sábio é saber quem vence: Deus. Quem é sábio sabe que “precisa de orientação” e que “com muitos conselheiros se obtém a vitória” (Provérbios 24.6). Como diz o sábio bíblico, “o orgulho só gera discussões, mas a sabedoria está com os que tomam conselho” (Provérbios 13.10; cf. Provérbios 20.18 — “Os conselhos são importantes para quem quiser fazer planos, e quem sai à guerra precisa de orientação”). Afinal, “mas na multidão de conselheiros há segurança” (Provérbios 11.14). O verdadeiro sábio não discute. Ele ouve. Se for preciso, falará, mas não imporá. Verdade não se grita; verdade se sussurra. Diz a Bíblia que “os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros” (Provérbios 15.22). Seria, então, a voz do povo a voz de Deus? A maioria dos conselhos que pedimos tem como respostas apenas coisas boas, mesmo quando estamos errados. É comum ouvirmos: “siga o seu coração”, como se o coração não fosse enganoso (Jeremias 17.9), como se não houvesse conselhos enganosos (Provérbios 12.5).  Como saber? O conselho realmente verdadeiro é sempre conselho santo. O conselho santo pode implicar até em perda, mas será perda que resultará em ganho. O conselho santo é aquele que é aprovado pela Palavra de Deus, que é sempre clara, sobre todos os assuntos. A multidão de conselhos deve ser confrontada com a multidão de palavras da Palavra de Deus, para só então serem palavras de Deus também. Conselho que nos agrada não é conselho de Deus só porque nos agrada. Conselho que não mostra o preço a ser pago não é conselho de Deus. Conselho que não pede arrependimento, se pecamos, não é conselho de Deus. Conselho que se contrapõe à Bíblia não é conselho de Deus.   *** Posso agora ajuntar esses provérbios sobre a luta e

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo julho 25, 2010
alt
Provérbios
Israel Belo de Azevedo

Provérbios 19.18 — DISCIPLINE, NÃO MACHUQUE SEU FILHO

Provérbios 19.18   Em 1.7.2010, um projeto de lei foi enviado ao Congresso Nacional (que o examinará) pela presidência da República brasileira, para garantir que “a criança e o adolescente têm o direito de serem educados e cuidados pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou vigiar, sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação, ou qualquer outro pretexto”. O texto especifica que “castigo corporal” é uma “ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente”. A regra define ainda que “tratamento cruel ou degradante” é uma “conduta que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize a criança ou o adolescente”. (FONTE)   As reações foram as mais diferentes, a maioria vindo de pessoas que não leram a proposta, logo chamada de lei da palmada. Muitos avocaram suas próprias experiências, uns agradecendo e outros lamentando as surras que levaram na infância. Outros reclamaram da intervenção do Estado em assuntos que deveriam ser da família, embora 109 países proíbam o uso da palmada nas escolas e 26 o seu emprego no recesso do lar (entre os quais, Suécia, Israel, Dinamarca, Alemanha, Nova Zelândia, Grécia, Espanha, Portugal, Uruguai, Costa Rica, Venezuela), segundo as informações de uma organização internacional, cujo objetivo é “acelerar o fim do castigo corporal de crianças em todo o mundo” (Endcorporalpunishment). Muitos, contrários à iniciativa governamental brasileira, reportaram-se a Bíblia, que preconizo o uso da vara na educação dos filhos.  Opiniões à parte, precisamos examinar o que diz a Bíblia. Não há qualquer referência a palmada, mas é repetido o conselho do uso da vara como forma de castigo ou disciplina, no livro de Provérbios:   “Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá. Castigue-a, você mesmo, com a vara, e assim a livrará da sepultura” (Provérbios 23.13-14). O emprego da vara em crianças é recomendado mais duas vezes no mesmo livro:   “A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela” (Provérbios 22.15). “A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Provérbios 29.15).   Há outros versículos sobre o uso da vara que não se aplicam ao contexto de educação de crianças, mas que precisam ser lidos:   . “A sabedoria está nos lábios dos que têm discernimento, mas a vara é para as costas daquele que não tem juízo” (Provérbios 10.13). . A conversa do insensato traz a vara para as suas costas, mas os lábios dos sábios os protegem” (Provérbios 14.3). “O chicote é para o cavalo, o freio, para o jumento, e a vara, para as costas do tolo!” (Provérbios 26.3). Nenhum desses três versos propõe o açoite como forma de disciplina, porque o uso da palavra é metafórico, como a dizer: quem age de modo insensato provoca conseqüências dolorosas sobre a sua própria vida.    Está o projeto de lei do Planalto em desacordo com a Bíblia, ao proibir “o uso de castigo corporal”, capaz de provocar “dor ou lesão”, bem como o “tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina [e] educação”? A vara produz dor ou machuca a criança? A lei quer proibir. A vara é um tratamento cruel ou degradante? A lei quer proibir. “Vara” deve ser entendido literalmente (“ramo de árvore, fino e flexível”, segundo o Dicionário Houaiss, eletrônico) ou largamente, para se referir a recursos como mãos, chinelos ou correias, com seus sons: palmadas, chineladas ou correiadas.   Quando lemos as instruções pedagógicas da Bíblia, encontramos recomendações de uma pedagogia da suavidade, como expressa por Jesus, que colocou algumas delas no colo, contra aqueles que queriam reprimi-las. No mesmo Antigo Testamento, em que está a coleção de Provérbios, educar é ensinar com persistência e conversar com as crianças, “quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar” (Deuteronômio 6.7). A suma pedagogia do livro de Provérbios segue a mesma escola: “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (22.6).   É neste contexto maior que deve ser colocada a vara. O uso da vara pressupõe um princîpio: eduque seu filho. A vara é uma norma cultural, que pode ser suprimida, desde que não se suprima o princípio: eduque.  O ensino para os pais é, portanto, evidente: discipline o seu filho como parte de um processo educacional mais amplo. E aqui precisamos recorrer aos textos bíblicos, porque, se pais que cometem crueldade com seus filhos, em que a crueldade dos maus-tratos se tornou uma epidemia, há pais que se ausentam na tarefa de disciplinar, que incluir ações como instruir, mostrar (com o exemplo), oferecer limites, plantar valores. Ouçamos, pais, os Provérbios bíblicos:   . “O Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem” (Provérbios 3.12). . “O mandamento é lâmpada, a instrução é luz, e as advertências da disciplina são o caminho que conduz à vida” (Provérbios 6.23). . “Discipline seu filho, pois nisso há esperança; não queira a morte dele” (Provérbios 19.18).  . “Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma” (Provérbios 29.17).   Filhos, escutemos as recomendações sábias:   . “Quem acolhe a disciplina mostra o caminho da vida, mas quem ignora a repreensão desencaminha outros (Provérbios 10.17). . “Todo o que ama a disciplina ama o conhecimento, mas aquele que odeia a repreensão é tolo” (Provérbios 12.1). . “Quem despreza a disciplina cai na pobreza e na vergonha, mas quem acolhe a repreensão recebe tratamento honroso” (Provérbios 13.18).   Escutemos todos:   . “Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo” (Provérbios 13.24).   Castigar com vara não é bater com raiva, não é

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo julho 25, 2010

Provérbios 12 -18: A SABEDORIA DA VIDA

A SABEDORIA DA VIDA Dos Provérbios coletados nos capítulos 12 a 16, destaco alguns para recordar três valores a nos orientar.   1 SÁBIO É QUEM SABE QUE DEUS É O SENHOR. Aprendemos esta verdade, quando lemos: “O nome do Senhor é uma torre forte; os justos correm para ela e estão seguros” (18.10). A imagem de Deus como torre forte evidencia que Ele não tem um poder limitado, como o nosso. Seu poder é absoluto, como criador dos céus e da terra. Foi “por sua sabedoria” que “o Senhor lançou os alicerces da terra, por seu entendimento fixou no lugar os céus” (3.19) Outros provérbios nos mostram este mesmo valor: . “Ao homem pertencem os planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua” (16.1). — Devemos usar nossas habilidades (inclusive a de falar), mas não devemos confiar nelas, mas em Deus, que faz com as nossas habilidades dêem os resultados que imaginamos”. . “O Senhor faz tudo com um propósito; até os ímpios para o dia do castigo” (16.4). — Mesmo aquilo que não conhecemos é do conhecimento de Deus, mesmo que nós não o compreendamos. . “Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos” (16.9) — Devemos planejar, mas devemos saber que é Deus quem permite que o plano se realize, ou não. . “A sorte é lançada no colo, mas a decisão vem do Senhor” (16.33) — Deus é Senhor de tudo, até dos resultados dos jogos (que não são aprovados por Deus), área em que o acaso parece ser o senhor. Trata-se de uma hipérbole para mostrar a soberania de Deus.   O convite supremo da Bibla é claro: “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos”  (16.3) — Este conselho nos desafia. Se fazemos algo que não podemos consagrar a Deus, por ser ilícito, devemos parar de faze-lo, em lugar de (tentar) esconde-lo de Deus. Quando consagramos o que fazemos a Deus (colocando-o em Suas mãos), transferimos-Lhe o que fazemos; o resultado passar a ser com Ele.   2 Também aprendemos que  SÁBIO É QUEM SABE QUE SÓ SERÁ SÁBIO SE VIVER SEGUNDO A PALAVRA DE DEUS A clara pérola bíblica é um convite: “O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte” (14.27).  Como sabemos, temer a Deus é leva-lo a sério, com a disposição de obedecer à sua Palavra, mesmo que nos peça para fazer o que não queremos.  Por isto, “quem anda direito teme o Senhor, mas quem segue caminhos enganosos o despreza” (14.2). Ou: Quem teme ao Senhor anda direito. Quem despreza o Senhor segue caminhos enganosos. Se “há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte” (14.12, cf. 16.25), como saber, se o nosso coração é enganoso?  Só há um jeito: deixarmo-nos habitar pela Palavra de Deus, que “é comprovadamente pura; ele é um escudo para quem nele se refugia” (30.5).  Se estamos de acordo com este princípio de vida, por que ainda nos enganamos? Nós nos enganamos sobretudo porque nem sempre guardamos a Palavra de Deus no coração. Quando estamos no trânsito, nem sempre temos como abrir a Bíblia em busca de orientação. Quando estamos em perigo, seja qual for, nem sempre temos consultar a Bíblia. Os conselhos da Bíblia, em forma de versículos e de histórias, precisam estar vivos na nossa mente. Quando foi tentado no deserto (e só somos tentados no deserto), Jesus não tinha a Tora para folhear; todas as suas respostas eram versículos (de Deuteronômio) guardados na sua memória. Se queremos vencer a tentação, precisamos guardar no coração a Palavra de Deus. Esta é a nossa arma de defesa. Nessa Palavra aprendemos que “a bênção do Senhor traz riqueza, e não inclui dor alguma” (10.22). Se aquilo que recebemos procede de Deus (sem dinheiros, títulos, amigos), é bênção. Se não procede de Deus, pode parecer bênção, mas é maldição e doi.   3 SÁBIO É QUEM SABE QUE PRECISA OUVIR, ANTES DE AGIR, E PROCURA AGIR DESTE MODO Muito antes de Tiago, a sabedoria do Antigo Testamento nos lembra que “a língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto” (18.21).  O roteiro é preciso, para por em prática esta verdade:   . Precisamos ouvir. Tenhamos em mente que “o caminho do insensato parece-lhe justo, mas o sábio OUVE os conselhos” (12.15) — Quem é sábio ouve. Quem ouve é sábio. Como as novas gerações perdem (tempo e dinheiro) inventando a roda, ao não ouvirem os que já a inventaram! As pessoas em geral acham que já sabem tudo, quando poderiam aprender com seus professores, seus amigos, seus queridos.   . Só então devemos falar… É evidente que “quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno” (17.27).  Outros conselhos insistem na mesma orientação: . “Quem guarda a sua boca guarda a sua vida, mas quem fala demais acaba se arruinando” (13.3). . “A conversa do insensato traz a vara para as suas costas, mas os lábios dos sábios os protegem” (14.3). . “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (15.1). . “Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!” (15.23). . “Até o insensato passará por sábio, se ficar quieto, e, se contiver a língua, parecerá que tem discernimento” (17.28). . “Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha” (18.13).   … e agir. Fique claro que “quem examina cada questão com cuidado prospera, e feliz é aquele que confia no Senhor” (16.20).  . “Quem é irritadiço faz tolices, e o homem cheio de astúcias é odiado” (14.17) — O irritadiço é apressado e, por isto, mesmo com boas intenções é confundido com uma pessoa astuciosa.  . “O homem paciente dá prova de grande entendimento, mas o precipitado revela insensatez” (14.29) — Quem examina cada

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo julho 19, 2010
alt
Isaías
Israel Belo de Azevedo

Isaías 1 — Busque a justiça

Como todos os povos religiosos, o de Israel tinha orgulho de sua fé. O profeta Isaías ironiza vigorosamente essa fé, traduzindo as seguintes palavras de Deus, já no final do seu livro: “Dia a dia me procuram; parecem desejosos de conhecer os meus caminhos, como se fossem uma nação que faz o que é direito e que não abandonou os mandamentos do seu Deus. Pedem-me decisões justas e parecem desejosos de que Deus se aproxime deles. ‘Por que jejuamos’, dizem, ‘e não o viste? Por que nos humilhamos, e não reparaste?’ Contudo, no dia do seu jejum vocês fazem o que é do agrado de vocês, e exploram os seus empregados. Seu jejum termina em discussão e rixa, e em brigas de socos brutais. Vocês não podem jejuar como fazem hoje e esperar que a sua voz seja ouvida no alto” (Isaías 58.2-4). Muitos de nós temos orgulho de nossa fé. Os evangélicos brasileiros tendemos a ter orgulho de nossa fé, mas nossa fé tem feito pouca diferença no Brasil. Temos orado pouco pelo Brasil e mesmo este pouco não tem sido ouvido por causa de nossas mãos. Como seremos ouvidos em nossos pedidos de justiça se também somos injustos?  Isaías nos ajuda com sua ironia, com que começa o seu livro: “O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende” (Isaías 1.3) Não temos compreendido a natureza da religião que Deus espera de cada um de nós, como bem definida por Tiago: Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum! A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tiago 1.26-27). Contentamos com belos templos, mas Deus não se contenta. Contentamo-nos com cultos bem preparados, mas Deus não se contenta. Por meio do profeta Isaías, Ele pergunta: “Para que me oferecem tantos sacrifícios?” (Isaías 1.11). Deus mesmo responde: “Para mim, chega de holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos gordos. Não tenho nenhum prazer no sangue de novilhos, de cordeiros e de bodes! Quando vocês vêm à minha presença, quem lhes pediu que pusessem os pés em meus átrios? Parem de trazer ofertas inúteis! O incenso de vocês é repugnante para mim. Luas novas, sábados e reuniões! Não consigo suportar suas assembléias cheias de iniqüidade. Suas festas da lua nova e suas festas fixas, eu as odeio. Tornaram-se um fardo para mim; não as suporto mais! Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue!” (Isaías 1.11-15) Precisamos estar atentos a mensagem divina, mesmo que nos soe dura, como esta: “Lavem-se! Limpem-se!Removam suas más obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva” (Isaías 1.16-17). Lemos a condenação aos que estão no poder e concordamos plenamente: “Seus líderes são rebeldes, amigos de ladrões; todos eles amam o suborno e andam atrás de presentes. Eles não defendem os direitos do órfão e não tomam conhecimento da causa da viúva” (Isaías 1.23). Talvez nos escondamos atrás da suposição de que a injustiça é uma prática de vida apenas dos que têm dinheiro ou poder. A injustiça dos poderosos é um reflexo da nossa, mesmo que a nossa seja “apenas” (obrigatoriamente, entre aspas) a omissão. Todos precisamos ouvir a recomendação divina: “Venham, vamos refletir juntos”, diz o Senhor. “Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão. Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra; mas, se resistirem e se rebelarem, serão devorados pela espada. Pois o Senhor é quem fala!” (Isaías 1.18-21).   Quero, então, fazer um chamado a uma vida digna do Evangelho, que é uma vida pautada pela prática da justiça.   1 Perguntemos onde Deus está diante da injustiça, mas também nos perguntemos onde estamos. No dia 28 de maio de 2006, o papa Bento 16 esteve em Auschwitz, onde, durante o terror nazista, morreram um milhão e meio de pessoas. Segundo se noticiou, enquanto caminhava pela área que um dia foram campos de concentração para a morte, o líder católico perguntou: “Em um lugar como este, faltam palavras. No fim, pode haver apenas um silêncio no qual um coração clama por Deus. Por que, Deus, o Senhor permaneceu em silêncio? Como pôde tolerar tudo isso? Onde estava Deus naqueles dias? Por que ficou ele em silêncio? Como pôde ele permitir esse massacre sem fim, esse triunfo do mal?” A voz do papa ecoou pelo mundo, em diferentes direções. Numa delas, o rabino Henry Sobel rebateu: “Quando nos deparamos com o mal e a tragédia no mundo, é natural perguntarmos: onde está Deus? Como Ele pode deixar que tal coisa aconteça? A meu ver, porém, não são estas as perguntas primordiais. O que nos devemos perguntar não é onde está Deus, mas, sim, onde está o homem. Não como pode Ele, Deus, permitir que tais coisas aconteçam, mas, sim, por que ele, o homem, permite que essas coisas aconteçam. O que é que o ser humano tem feito para impedir as barbaridades? Com todo o respeito, permito-me responder ao Sumo Pontífice: Deus estava onde sempre esteve, esperando que os homens assumissem o seu dever”. (SOBEL, Henry. O papa em Auschwitz. Artigo em O Estadoe de S. Paulo. Disponível em . Acessado em 10.6.2006. Para ser honesto, eu preciso me perguntar: de que lado eu ficaria na Alemanha, com toda aquela propaganda nazista, com muitas igrejas identificadas com o nacional-socialismo? Seria que eu teria a coragem de Martin Niemöller, de Dietrich Bonhoeffer e de

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo julho 17, 2010

Salmo 130 — LIBELO CONTRA A SUPERFICIALIDADE

  PRELÚDIO SOBRE ORAÇÃO A oração é a linguagem da alma. A oração não é o território do lugar-comum, da frase feita, da palavra previsível, das seqüências bem ordenadas, da razão senhora. A oração é o espaço do encontro do homem com Deus. Não se ora se não com assombro. Nós podemos orar e Deus nos ouve. Isto é assombroso. Nós, os pecadores, nos encontramos com o Santo, Santo, Santo Deus e sobrevivemos. O encontro é maravilhoso e temos que ficar maravilhados. A oração é o quarto do desnudamento. Deus nos vem como Ele é e nós nos vamos a Ele como nós somos. Ele não disfarça e nós não precisamos disfarçar. Não há testemunhas para nos julgar. Se é em particular, ninguém está vendo, porque estamos sozinhos com Deus. Se é em público, ninguém está vendo porque todos estão orando também. A oração é como se fosse o último aceno que um náufrago consegue dar para pedir socorro, o último grito que a vítima de um incêndio pode dar para chamar por socorro. A oração é a atmosfera onde o desejo humano se sente livre para se expressar diante de Deus. A oração é um convite a uma vida de profundidade. As pessoas superficiais não oram.  É na profundidade que se ora.  É na profundidade que se vive.   1. Quem é profundo sabe que pode orar. Quem é profundo tem o desejo de orar, como se orar fosse a sua forma de respirar. Não importa onde esteja, ele vai orar, seja no túnel que parece sem fim, seja na montanha onde parece respirar o vento dos céus. Não importa como esteja, ele vai orar, esteja caminhando em passos largos e lépidos, esteja cabisbaixo, quase a se arrastar. Se está precisando de algo, ele ora e pede. Se não está precisando de nada, ele ora e agradece. “Quando invocamos a Deus em circunstâncias impossíveis, demonstramos que ainda confiamos nele e estamos pedindo que intervenha”. (Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 756) Quem é profundo das profundezas clama ao Senhor (Salmo 130.1)   2. Quem é profundo sabe que será ouvido. Ele não precisará marcar audiência com Deus. Em outros momentos, foi ouvido e isto faz parte do livro da sua vida. Ele não precisará usar formulas, porque as fórmulas (como “Pai nosso, que estás nos céus” ou “em nome de Jesus”) são apenas para ensinar a orar, porque o “como” é com cada crente. Cada um ora do seu jeito. A forma de oração não interfere na sua resposta. Orar bonito sem profundidade é orar feio. Orar por orar é desperdiçar a oportunidade do encontro com o amado; orar displicentemente é como se encontrar com uma pessoa querida e ficar olhando para o teto. Quem é profundo pede que Deus o ouça, que Deus o atenda (Salmo 130.2)   3. Quem é profundo sabe que é profundamente pecador, mas também sabe que Deus é completamente perdoador. O encontro com Deus lhe revela a sua pecaminosidade. O encontro faz dele um Isaías no templo, um lábio impuro habitado uma terra de impuros lábios. O salmista se angustia, o apóstolo Paulo se agita: “Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Salmo 14.3). “Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer”. (Romanos 3.12) A consciência da intensidade do nosso pecado deve ser irmã da consciência do perdão de Deus. Em lugar de uma lista de pecados, devemos fazer uma lista de perdões. “Só uma coisa resolve o problema do pecado: o perdão divino” (CÉSAR, Elben. Refeições diárias com o sabor dos salmos. Viçosa: Ultimato, 2003, p. 323) Nós fazemos lista dos pecados que os nossos amigos cometem, para vermos se os perdoamos. Deus não faz lista, porque seu projeto é apagar os itens da possível lista. Jesus rasgou a lista na cruz (Colossenses 2.13-14). Devemos também rasgar nossas listas, imitando o que Deus fez conosco, mesmo que unilateralmente, exatamente como Ele fez. Esta deve ser a nossa convicção:   “Se tu, Soberano Senhor, registrasses os pecados, quem escaparia?” (Salmo 130.4a)   Outra versão nos ajuda a perceber o amor de Deus: “Se tu tivesses feito uma lista dos nossos pecados, quem escaparia da condenação” (NTLH)    Esta deve ser a nossa confiança: “Mas contigo está o perdão para que sejas temido” (Salmo 130.4b)   Temer ao Senhor não é ter medo, não é tremer diante dEle, mas é vê-lO como o único que pode perdoar e, então, verter-se em gratidão.   Outra versão amplia como deve ser nossa atitude:   “Mas o perdão é coisa tua e assim te fazes respeitar” (Salmo 130.4b — Shôkel-Carniti)   Deus não se faz respeitar pelo ódio, mas pelo amor. Você quer ser respeitado, abaixe as mãos, desarme-se, desodeie, ame. Você conquistará seu inimigo. Levante as mãos, mostre força, esteja pronto para a guerra, odeie. Você, no máximo, empatará com o seu inimigo. Deus é diferente porque ama. O amor nos torna diferentes. O ódio nos iguala no que temos de pior.   4. Quem é profundo não se desespera, diante do seu próprio pecado ou diante do pecado dos outros, diante das suas dificuldades ou das dificuldades das outras pessoas, diante de enfermidade ou da enfermidade de uma pessoa querida, porque sabe que pode esperar em Deus. O crente sabe que não tem nenhum direito de exigir a intervenção divina em seu favor. Sua oração é a do cego Bartimeu: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim” (Marcos 10.47). O crente não olha para seu currículo moral ou espiritual e ora como se merecesse receber, como se fosse lógico receber, como se Deus tivesse obrigado a lhe conceder. Sua atitude, diferentemente, é a do salmista:   “Espero no Senhor com todo o meu ser, e na sua palavra ponho a minha esperança.    Espero pelo Senhor mais do que as sentinelas pela manhã; sim, mais do que as sentinelas

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo junho 28, 2010
alt
Salmos
Israel Belo de Azevedo

Salmo 1 — CREIO NO DEUS QUE É AMOR (Felipe Fanuel)

CREIO NO DEUS QUE É AMOR (Salmo 1)   De vez em quando, alguém pode se perguntar sobre o que, de fato, significa esta palavra, amizade. É possível que as definições sejam boas. Mas qual seria o verdadeiro significado de um amigo/a? Acredito que a leitura do texto bíblico iluminará o nosso caminho em busca de uma resposta para o significado exato desta palavra, amizade. Para tanto, todos estamos convidados a ler o Salmo 1. É interessante que ao ler um salmo como esse, temos a sensação de que há dois caminhos. Um que se caracteriza pela felicidade, e outro que se caracteriza pela ruína. Aliás, a gente nota que o salmo começa e termina justamente com estas palavras: felicidade e ruína, respectivamente. Estamos falando aqui de duas grandes possibilidades entre as quais a nossa vida pode oscilar. A felicidade, ou seja, aquele sentimento de bem-estar que aparece vez ou outra. E a ruína, ou seja, aquele sentimento trágico que pode vir a nos incomodar em um momento ou outro de nossa jornada. Felicidade e ruína fazem parte da nossa condição humana. Não podemos fugir da possibilidade sempre presente de a vida não ser um mar de rosas, mas um “mar de preocupações”, como já disse alguém. (“Sea of troubles”. Cf. Shakespeare, William. Hamlet. London: Penguin, 2001, p. 81). Mas o que mais alegra o nosso coração é ver que não estamos sozinhos. Temos amigos e amigas que nos acolhem em suas mesas, as mesas da amizade. Estou falando de pessoas que ainda sonham com as palavras de Jesus. Ainda sonham, de dia e de noite, com a maior de todas as leis do Senhor. A lei de amar. Amar as pessoas. Como a nós mesmos.  Na hora da dor, na hora do desespero, na hora da ruína, o que faz diferença mesmo é a mesa na qual estamos assentados. Se é uma mesa de amigos/as, seremos acolhidos, cuidados e encorajados a continuar sonhando com a lei do Senhor, de dia e de noite. Desta forma, nossa jornada encontra sentido na lei do amor. Aliás, a única lei possível é o amor. Lembro-me bem de que quando criança eu tinha um exemplar do Novo Testamento intitulado “O mais importante é o amor”. Esta é a mensagem última de nossa fé. Uma fé que nos leva a acreditar nas palavras de Jesus, no evangelho de Mateus (22.34-40), que toda a lei depende do verbo amar. Logo, a única lei possível é amar.  Como mexe com o nosso coração a leitura daquele célebre texto: “Quem não ama não descobriu Deus, porque Deus é amor.” (1João 4.8) A grande verdade é que amar não é fácil. Fácil é acreditar na impossibilidade de amar. Principalmente de amar os outros. Essa crença na impossibilidade de amar me aproxima de atitudes de injustiça, perversidade e zombaria diante do amor. É como se tornássemos profana a sagrada palavra que diz quem Deus é. Só que não há outro caminho para Deus a não ser o amor. Todo amor vem de Deus. O amor se fez e se faz carne, salvando-nos da ameaça de autodestruição sempre presente no não-amor. Ora, se Deus é amor, por que devemos ser outra coisa?  Mas reconhecer que Deus é amor também não parece ser coisa fácil. Não foi à toa que Paulo disse que tal amor divino nos constrange. (2Coríntios 5.14) De maneira que o amor só pode ser divino mesmo. Porque nós humanos somos vacilantes. Não amamos como Deus. E quando amamos, só o fazemos porque é obra de Deus. Porque Deus é amor. E esta é a sua lei. Amar. Amando, aumentamos os assentos na mesa de amigos e amigas, na mesa da amizade, e diminuímos o interesse pelos assentos disponíveis na mesa dos injustos, perversos e zombadores do amor. Amando, sonhamos, dia e noite, com a lei do Senhor, da qual dependem todas as outras leis: “Amar a Deus e ao próximo”.  Amando, temos prazer em amar. Amando, somos como uma árvore plantada, que tem sede de água corrente. Nossas raízes querem ser saciadas na mais feia secura do dia-a-dia. Nossas folhas não querem murchar. Nossos frutos querem nascer. Nossos frutos irão nascer. No tempo certo, o melhor de todos os tempos. O tempo do Senhor. Como cristãos e cristãs, temos acreditado que Jesus, o amor em pessoa, inaugura um novo tempo. Trata-se de um tempo que acontece hoje, agora, o único tempo possível. A fé cristã acredita que esse é o kairós, o tempo oportuno de Deus para a humanidade. Não é um tempo cronológico, mas é um tempo qualitativo. É um tempo especial.  Esse tempo é importante porque não é o nosso tempo. É o tempo de Deus. Eu diria que amar é um verbo que acontece exatamente neste tempo divino. Neste tempo especial, porque é obra dos céus aqui na Terra. E como já disse Santo Agostinho, “se nós voltamos para Deus, até mesmo isso é um presente de Deus”.  (Apud Brennan Manning. O evangelho maltrapilho. São Paulo: Mundo Cristão, 2005: p. 25) O Senhor conhece o caminho dos que amam, porque este é o caminho do Senhor. Não queremos nos perder longe do amor. Mas queremos orar, como já o fez o poeta:   Jesus, suave e meigo,  Ensina-nos a amar,  E como Tu sejamos Também no perdoar! Ah! Quanto carecemos De auxílio do Senhor! Unidos supliquemos A Deus por esse amor!  (Terceira estrofe do hino 381 “Amor Fraternal”. Cantor Cristão. 4a ed. Rio de Janeiro: Juerp, 2004, p. 318).   Amém.   (FELIPE FANUEL)  

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo junho 20, 2010
alt
Salmos
Israel Belo de Azevedo

Salmos 126: SEMEANDO COM LÁGRIMAS

SEMEANDO COM LÁGRIMAS Salmo 126   Provavelmente, o salmo se refira à volta do exílio da Babilônia, fato memorável da história do antigo Israel, narrado no livro de Esdras. O contexto nos ajuda a entender o salmo, mas seu significado aplica-se ao alívio de qualquer situação aflitiva, o que inclui os que amam a Deus; nós também, em nosso país e em nossa casa, podemos estar na condição de exilados ou de ex-exilados. Muitas vezes em nossas vidas, “a alegria parece morar no passado, porque o presente é feito só de lágrimas”. (MOTYER, J.A. Salmos. Comentário bíblico Vida Nova, 2008, p. 868) Podemos estar exilados de Deus e voltar para Ele.   1. Precisamos celebrar as nossas libertações (versos 1-3)   “Quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um sonho.    Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: ‘O Senhor fez coisas grandiosas por este povo’.    Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres”.  (Salmo 126.1-3) O poeta olha para o seu presente e talvez se aflija (como parece indicar o verso 4: “restaura-nos”). Então, olha para o passado do seu povo e fica extasiado diante do que Deus fez. Ele diz que a libertação (a volta para casa) foi tão esperada (esperada, porque desejada) e tão inesperada (inesperada, porque não dependeu das ações das pessoas, mas da providência de Deus) que pareceu um sonho, algo irreal. Voltar para casa é uma das experiências mais sublimes de uma pessoa. Chico Buarque perenizou o sonho dos anistiados voltando ao Brasil de 1977:   “Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto Eu tô voltando Põe meia dúzia de brahma prá gelar, muda a roupa de cama Eu tô voltando Leva o chinelo prá sala de jantar Que é lá mesmo que a mala eu vou largar Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando” (Chico Buarque de Hollanda)   Depois de tantos anos impedidos de pisar no Brasil, os refugiados políticos foram voltando. Parecia um sonho, para ele, seus familiares, seus amigos, seus partidários. Precisamos da memória da nossa libertação. Precisamos cantar a nossa libertação.  O poeta bíblico celebra a libertação, comparando-a a um sonho. Precisamos saber que a nossa libertação pareceu um sonho, de tão extraordinária, mas aconteceu de fato. Se ainda nos parece um sonho, precisamos acordar do sonho. E às vezes demora percebermos o que Deus fez. Acostumamos tanto em pedir que, quando Deus faz, não acreditamos, como se estivéssemos anestesiados. Muitas vezes, precisamos de um tempo para a restauração plena após a vitória. De um tempo para despertar do sonho da vitória. De um tempo para o coração se acostumar com a nova realidade. De um tempo para o corpo se tranqüilizar. Também precisamos sonhar a com a nossa libertação. São os sonhadores que preparam as grandes mudanças. Não há mudança sem desejo. Não há mudança se alguém não a sonhar. Nossas vidas não mudam se não sonhamos em muda-las.   2. Precisamos continuar orando para que a ação de Deus seja plena (verso 4)   “Senhor, restaura-nos, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto”. (Salmo 126.4)   O poeta, depois de agradecer a libertação, pede restauração. Por que? Será que ele não tinha ainda se acostumado com a vitória? Será que ele ora por aqueles que ficaram na Babilônia, logo em dificuldade ainda (como sugeriu Atanásio de Alexandria, no século 4)? Não: ele sabe que o Deus que agiu no passado agirá no presente. Por isto, sua oração é para que Deus complete o que começou a fazer ou que faça de novo, embora em outro contexto. É um pedido por plenitude. “Restaura-nos” é oração de quem se volta para Deus, depois de estar exilado. “Restaura-nos” é oração de quem confia por ter visto a libertação. “Restaura-nos” é oração de quem reconhece que precisa de Deus. “Restaura-nos” é oração de quem olha para o seu problema e vê a solução que Deus providencia, como já fez no passado. “Restaura-nos” é oração de quem sabe que pode desanimar, mesmo depois de tudo o que viu Deus fazer. “Restaura-nos” é oração de quem está certo que não há plenitude fora do amor de Deus.    3. Precisamos semear, mesmo em lágrimas (versos 5-6)   “Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão.    Aquele que sai chorando enquanto lança a semente voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes”.  (Salmo 126.5-6)   Semear com lágrimas é semear sem ver a colheita. Não há como semear, senão com lágrimas, porque a semeadura precede a colheita. Ah esta é a ordem: primeiro a semeadura, depois a colheita. Ouço diretores de empresas reclamarem de jovens que já querem começar pelo topo, indo logo para a colheita, sem passar pela semeadura. Semear chorando é semear sem saber que vai colher, até mesmo contra a esperança de colher, como quem lança pão sobre as águas (Eclesiastes 11.1). Semeia assim aquele para quem plantar faz parte do seu estilo de vida. Não importa se valerá a pena ou não: ele planta.  Semear com lágrimas é semear colocando no solo o grão que falta para a boca hoje. É passar fome hoje para ter amanhã. É acordar de madrugada, contra a vontade, para estudar, para trabalhar, para preparar a marmita que talvez esteja fria na hora do almoço. É saber que a vida é feita de esforço. Semear chorando é viver de um modo em que não há vergonha nas suas práticas. É viver não para ser reconhecido em seu valor, mas viver de tal modo que será reconhecido. Lembro de uma professora do ensino médio cuja vida deu muitas voltas. Ela deu aulas por muito tempo em escolas particulares da sua cidade, o Rio de Janeiro. Sua vida e a de seus alunos seguiram seus naturais cursos. Suas filhas cresceram e alcançaram a universidade. Para o bem delas, a família

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo junho 18, 2010
alt
Salmos
Israel Belo de Azevedo

Salmo 121 — O OLHAR

  O templo de Jerusalém era o lugar por excelência de culto entre os judeus. As pessoas faziam romarias em direção ao templo, que ficava num lugar elevado, sobre o monte Sião (ou monte santo). Enquanto peregrinavam, cantavam e dançavam. Os compositores prepararam salmos para estes momentos, alguns dos quais estão preservados, como o Salmo 121, cuja melodia desconhecemos:   “Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará. Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel. O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua mão direita. De dia o sol não te ferirá, nem a lua de noite. O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua vida. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre”. (Salmo 121 — ARA)   Imagino que o poeta escreveu este salmo recordando sua participação numa destas caminhadas e o compôs para que pudesse ser cantado ao longo da jornada. O canto é, na verdade, uma bênção, para ser proferida individualmente por um sacerdote ou por um amigo, durante a romaria. Mais tarde, no contexto do culto, o solista, representando estar angustiado diante dos perigos, perguntava e o coro lhe respondia, infundindo-lhe confiança. Na introdução da bênção (versos 1-2), o poeta se dirige a si mesmo. Sua resposta é para alguém próximo (versos 3-8) ou para si mesmo, já que o recurso de falar a si mesmo é recorrente no saltério (como nos salmos 42.5,11; 43.5; 62.5 — “Descanse somente em Deus, oh minha alma; dele vem a minha esperança”; 116.7. 146.1). O templo para onde ia a caravana ficava no monte Sião. Os crentes olhavam para ele e os seus olhos imediatamente iam além, para cima, alcançando o firmamento. Ele pensa no templo, onde estaria e cultuaria. Ele, então, começa a meditar. Da meditação, vai para a contemplação de quem Deus é e do que Deus faz. Embora esteja (ou se imagine) na multidão, ele está só, ele medita silenciosamente, ele se encontra consigo mesmo. Sua pergunta é a questão essencial da impotência humana, embora aparecendo sob diferentes formas: “De onde me vem o socorro?” (verso 1) quando estou aflito? Quem me livrará dos apertos e dos perigos? Quem me socorrerá no tempo da adversidade e da enfermidade? Quem impedirá que meus inimigos internos e externos me causem danos? Quem me livrará de mim mesmo, como no grito do apóstolo Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Romanos 7.24) O poeta canta a resposta: “o meu socorro vem do Senhor” e de mais nada e de ninguém mais. Quem me liberta é o Criador dos céus e da terra. Quem me toma pelas mãos é o meu Deus, o Deus eterno, não o deus dos montes. Quando lemos a história do povo de Israel, notamos que Deus falou e revelou a sua glória nos montes (Êxodo 17, 24 e 34). Mais tarde, quando sugiu o templo, ele foi edificado sobre um monte, o monte Sião, símbolo da presença de Deus. No templo, a sua glória se manifestava (Isaías 6). Há um elogio aos montes, sobretudo ao monte Sião, onde o templo foi fincado: “O Senhor edificou sua cidade sobre o monte santo” (Salmo 87.1) Então: “Por que, oh montes escarpados, estão com inveja do monte que Deus escolheu para sua habitação, onde o próprio Senhor habitará para sempre?” (Salmo 68.16) Jesus gostava de orar no monte, embora o fizesse em qualquer outro lugar. Era-lhe comum sair “para o monte a fim de orar” e passar “a noite orando a Deus” (Lucas 6.12. cf. Mateus 14.23). O monte acabou tomado como o lugar onde Deus mora ou onde deve ser cultuado, o que explica a dúvida da samaritana a Jesus: “Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (João 4.20) Como é forte a tentação em confiar em coisas, alguns transformaram os montes em centros de idolatria, isto é, de anticulto a Deus. As pessoas, ao contrário da orientação divina, “ergueram colunas sagradas e postes sagrados em todo monte alto e debaixo de toda árvore frondosa” (2Reis 17.10) Os israelitas — lamenta um profeta — “se lembram dos seus altares e dos postes sagrados, ao lado das árvores verdejantes, sobre os montes altos” (Jeremias 17.2) Ainda hoje, mesmo entre cristãos, há os que acham que, adorando no monte, suas orações serão ouvidas por Deus de um modo especial. Por isto, há pessoas que realizam vigílias de oração em lugares montanhosos, sozinhos ou em grupo, achando que, por estarem ali, serão abençoados, como se a bênção fosse uma questão de retribuição e não de graça. Podemos olhar para os montes e ver apenas o que são: montes; podemos olhar para os montes e contemplar o Deus que está além e acima dos montes. Podemos subir os montes e achar que encontramos Deus ou pensar que o sacrifício de os subir nos tornará mais dignos da misericórdia de Deus. Os montes nos convidam, ao mesmo tempo, à fé e a idolatria. Idolatria tem a ver com magia, isto é, com a crença num deus que atua no certo lugar, a partir de palavras-chaves. Fé é confiar em Deus como aquele que “me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém”. (2Timóteo 4.18) Na idolatria, os montes ocupam o lugar de Deus. Na fé, os montes são um convite à confiança em Deus. Sabe o poeta que os montes podem ser tomados como mediadores de Deus. “Podemos subi-los com os pés ou com o olhar; a ascensão, porém, há que se dirigir a Deus”, como toda contemplação. (SHOEKEL, L.A., CARNITI, C. Salmos.

Leia Mais »
Israel Belo de Azevedo junho 8, 2010
Carregar Mais Resultados

Inscreva-se

O site Prazer da Palavra tem o propósito de oferecer recursos para o estudo e a aplicação da Bíblia aos nossos dias.

Facebook-f Twitter Instagram

Loja

  • Livros Digitais
  • Livros Físicos
Menu
  • Livros Digitais
  • Livros Físicos

Prazer da Palavra

Quem Somos

Projetos

Contact

contato@prazerdapalavra.com.br

© 2024 Israel Belo de Azevedo