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Bíblia Prazer da Palavra

Autor: Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo, é um pesquisador interessado em usar a internet para mostrar a acurácia e atualidade das Escrituras Sagradas e, assim, demonstrar que fé e razão são como dois trilhos de uma linha de trem. Israel Belo de Azevedo é um escritor com vasta publicação em diferentes áreas. Seus primeiros livros foram na área de história e pesquisa acadêmica. Os seguintes foram sobre filosofia e teologia. No momento, tem-se dedicado mais fortemente ao ensino e à aplicação da Bíblia. Por isso, preparou as notas de duas edições das Sagradas Escrituras: “Bíblia Sagrada Bom Dia” e Bíblia, o Livro da Esperança” (ambos da Sociedade Bíblica do Brasil, que prepara uma terceira, sobre orações). O projeto no qual tem dedicado mais tempo presentemente é a preparação de uma nova versão da Bíblia, que seja entendida por todos. Trata-se da “Bíblia “Prazer da Palavra”. Desde 1999, Israel Belo de Azevedo pastoreia a Igreja Batista Itacuruçá, localizada no bairro da Tijuca, região central da cidade do Rio de Janeiro. É casado com Rita e pai de Rachel. Ele é graduado em teologia e em comunicação. Tem pós-graduação em história e mestrado em teologia. É doutor em filosofia.

Gálatas 3.26-28: NATAL: JESUS ENSINOU A IGUALDADE

Jesus, cujo aniversário de nascimento comemoramos, mudou a história do mundo, tornando dignas pessoas que não tinham quaisquer direitos. Um pai, por exemplo, podia matar o seu filho, sem cometer crime, segundo as leis romanas. Uma viúva indiana era queimada viva com o seu marido. Um homem endividado era transformado em escravo.Graças a Jesus, somos todos iguais. O apóstolo Paulo resume a proposta do seu (e nosso) Senhor: “Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.26-28). Entendemos melhor a revolução de Jesus, recordando as condições sociais das mulheres, das crianças e dos estrangeiros no mundo antigo. O LUGAR (NENHUM) DAS MULHERESNo mundo antigo, a condição da mulher era lamentável. A esposa, por exemplo, era uma propriedade do seu marido. Nada demonstra melhor a indignidade da mulher do que a prática do sati, que durou até 1828 e segundo a qual a viúva era imolado na fogueira funerária do marido.Na elogiada cultura, pré-cristã, a mulher vivia confinada na casa dos seus pais até que lhe fosse escolhido um marido. Sua função era parir e criar filhos, especialmente filhos homens. Quanto às mulheres, uma era criada, mas a segunda podia ser vendida como escrava ou como prostituta. A esposa não tinha relacionamentos sociais com seu marido e filhos. Encontros sociais eram para homens. Ir a um mercado era coisa para homens ou para mulheres escravas.Os intelectuais legitimavam esta situação. Platão (427 – 347 a.C.) escreveu que a mulher era uma degeneração da natureza humana perfeita. Para ele, só os homens eram seres humanos completos. Para Aristóteles (384 – 322 a.C.), as mulheres eram naturalmente inferiores aos homens. [Cf. Greek Philosophy on the Inferiority of Women. Disponível em <http://www.womenpriests.org/traditio/infe_gre.htm>. Acessado 29.11.2003.] Sófocles ensinava que “o silêncio dá graça as mulheres”, ao que Aristóteles complementou: “embora isto em  nada se aplique ao homem”. [TORRES, Moisés Romanazzi. Considerations about the Woman’s condition in Classical Greece (5th and 6th centuries). Disponível em <http://www.revistamirabilia.com/mulher.html>. Acessado em 29.11.2003.]Em Atenas, a mulher passava a maior parte do tempo confinada em casa.  Ela não podia conversar com seu marido por muito tempo. O marido não devia tomar as refeições na companhia de suas esposas. Quando havia festa em casa, a esposa não devia comparecer na sala. Em Esparta, a situação era pior, porque não podiam sequer criar os seus filhos e de manter regularmente um relacionamento conjugal com seus maridos.  [TORRES, Moisés Romanazzi. Considerations about the Woman’s condition in Classical Greece (5th and 6th centuries). Disponível em <http://www.revistamirabilia.com/mulher.html>. Acessado em 29.11.2003.]Na Palestina dos tempos de Jesus, as mulheres exerciam papéis menores. Consideradas inferiores aos homens, eram confinadas à casa dos seus pais ou maridos. Sua condição na sociedade pode ser comparada à vivida pelas mulheres no Afeganistão ao tempo do governo talebã. [Cf. The Status of Women in the Gospels. Disponível em <http://www.missionislam.com/comprel/womengos.htm>. Acessado em 29.11.2003.]No mundo de hoje, ainda temos violência contra as mulheres, inclusive dentro de casa. No Brasil, a violência doméstica é uma epidemia, ao ponto de alguns governos estaduais terem criado delegacias de mulheres para investigar os crimes contra elas. Há muitos homens que ainda tratam suas esposas como inferiores ou como se fossem suas propriedades. Mesmo entre os cristãos, há denominações que proíbem as mulheres de chegaram ao sacerdocio, no pressuposto que são não só diferentes dos homens, mas inferiores a eles. A prática de Jesus era radicalmente diferente, por ser absolutamente inclusiva. A experiência de igualdade levou as discípulas de Jesus a desempenhar papéis de liderança nas igrejas cristãs antigas. Jesus tratou as mulheres como iguais aos homens. Ele  se refere a elas também como filhas de Abraão (Lucas 13.16). Coerentemente, violou várias regras da lei judaica contrárias à dignidade feminina. Sua ação em relação às mulheres, não há dúvida, foi revolucionária.Ele ensinava às mulheres (Luke 10.38-42) e conversava com elas, mesmo que fossem estrangeiras (João 4.7-5.30). Para curar uma delas, ignorou as leis sobre a impureza.Jesus aceitou mulheres no seu círculo íntimo. Ele era seguido por 12 discípulos  e um número não especificado de discípulas, como Maria de Magdala, Joana, Suzana e muitíssimas outras (Lucas 8.1-3). Ele se preocupou com as viúvas (há seis referências a elas só no Evangelho de Lucas). As mulheres estão presentes na sua morte (Mateus 27.55-56, Marcos 15.40-41). Ele lhes apareceu primeiramente na sua ressurreição. [Cf. The Status of Women in the Gospels. Disponível em <http://www.missionislam.com/comprel/womengos.htm>. Acessado em 29.11.2003.]Ao longo do Novo Testamento, são inúmeras as referências às mulheres em posição de  destaque, sejam como missionárias (ambulantes) e como dirigente de culto em suas casas. As cartas de Paulo dão às mulheres títulos missionários e caracterizações como cooperadora (Priscila), irmão/irmã (Ápia), diácona (Febe) — que é recomendada como oficial na igreja de Cencréia –, e apóstolo (Júnia). “Além disso, algumas evidências apontam para um aspecto novo: a parceria e a missão de casais parecem ter sido a regra no movimento missionário cristão, e não a atividade missionária individual”. Fica claro também que a influência das mulheres “contribuiu para a conversão dos seus parentes e desempenhou um papel essencial na transmissão da fé. Para os pagãos, era esse poder de subversão que tornava as mulheres pobres de espírito”. [SIQUEIRA, Silvia Márcia Alves. Participação feminina no movimento cristão primitivo: um resgate. Disponível em <http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=1758&id_noticia=370>. Acessado em 29.11.2003.]Faz todo sentido, portanto, o ensino do apóstolo Paulo: “Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.26-28). O apóstolo Pedro pede que os homens sejam sábios e amorosos no convívio com suas esposas, que são “co-herdeiras do dom da graça davida”, porque este tratamento faz com que não sejem interrompidas as suas orações”. (1Pedro 3.7).As mulheres não podem permitir que nenhum voz, decreto,

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Israel Belo de Azevedo janeiro 3, 2007

Isaías 9.1-7: NATAL: UM MENINO NOS NASCEU, UM FILHO NOS FOI DADO

Pregado na Igreja Batista Itacuruçá, em 7.12.2003 1. INTRODUÇÃO: o significado dos filhosJesus mudou o mundo, ao lhe oferecer, com seu nascimento, morte, ressurreição e ascensão, o que as pessoas precisam para viver de modo feliz. Segundo aprendemos em Isaías 9.1-7, Ele nos propicia, como o indica seu próprio nome, o Conselho para nos orientar, o Poder de Deus para nos socorrer, a Eternidade de uma vida com qualidade e a Paz que excede nossos conhecimentos e as circunstâncias que nos acompanham.Ouçamos o que nos ensina o texto sagrado: Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz.Fizeste [, Senhor] crescer a nação e aumentaste a sua alegria; eles se alegram diante de ti como os que se regozijam na colheita, como os que exultam quando dividem os bens tomados na batalha. Pois tu destruíste o jugo que os oprimia, a canga que estava sobre os seus ombros, e a vara de castigo do seu opressor, como no dia da derrota de Midiã.Pois toda bota de guerreiro usada em combate e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, como lenha no fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz (Isaías 9.1-6). Como muita liberdade, quero tomar este texto de natureza messiânica, para falar um pouco do significado dos filhos na vida dos casais e das famílias. 2. Os filhos são presentes de Deus (verso 6).“Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado” — eis o que o texto sagrado nos lembra. Diz a Bíblia ainda que os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem que tem a sua aljava cheia deles! Não será humilhado quando enfrentar seus inimigos no tribunal (Salmo 127.3-5)Os filhos são heranças que Deus nos dá ainda em vida. Nós os temos quando estamos jovens. Quando bebês, nós os seguramos, mas chegará um tempo em que eles nos segurarão.Por isto, a sociedade hebraica considerava a fertilidade com uma bênção de Deus e imaginava as famílias reunidas em torno da mesa como plantas de oliveira (Salmo 128.3). A oração do poeta bíblico é que os filhos sejam como plantas viçosas e as filhas se pareçam como colunas esculpidas para ornar um palácio (Salmo 144.12).Recebam, pois, pais, seus filhos e suas filhas como presentes de Deus, para o presente e para o futuro.Quero recordar aos que não têm filhos, por opção ou por impossibilidade biológica, que Deus nos dá outros presentes. 3. Os filhos dão direção à vida familiar (verso 1).Para os que desejam filhos, não os ter é viver na escuridão (verso 1). Quando eles chegam, com seus choros, sorrisos e balbucios, são luz, no sentido, que dão luz (direção) a vida familiar.Filho faz a vida mudar. Uns deixam empregos; outros apertam o tempo para que os filhos recebam a prioridade. Uns trancam cursos;  outros o tocam num ritmo mais lento. Uns levam as novas tarefas sozinhos (pais e mães, às vezes, só mães); outros agregam mais gente à casa. As mudanças são muitas, incômodas até, mas nenhum casal se arrepende ao olhar o seu bebê.Há um certo peso na paternidade/maternidade, mas tudo é compensado pela lembrança daquele choro primordial na maternidade, a fúria em direção aos seios maternos, os primeiros e ininteligíveis sons, os primeiros movimentos definidos, os primeiros olhares amigos, as primeiras sílabas, as primeiras tentativas de passos.Com a chegada de um bebê, a família que andava na escuridão vê uma grande luz. 3. Os filhos trazem a alegria do crescimento (verso 3)Nossos bebês crescem e isto é medido em gramas e centímetros. Daqui a pouco — daqui a pouco mesmo! — esses bebês que agora são sustentados nos colos correrão pelo santuário, tropeçaram nos corredores e brincarão de escorrega nos corrimãos.Eles trouxeram alegria quando nasceram; trazem alegria quando crescem. É assim que Deus age, continuando o que começou. Por isto, podemos aplicar a oração do autor bíblico: Fizeste [, Senhor] crescer a nação e aumentaste a sua alegria; eles se alegram diante de ti como os que se regozijam na colheita (verso 4).Alegrem-se, pais, com o crescimento dos seus bebês, mesmo que isto lhe traga saudade. Seu filho crescendo é o Seu Deus agindo neles e em vocês. 4. Os filhos são modelos de fé para os adultos (verso 6)Em nossa vida, para que ela valha a pena, precisamos receber Jesus como nosso Maravilhoso Conselheiro, nosso Deus Poderoso, nosso Pai Eterno, nosso Príncipe da Paz (verso 6).Nesta decisão, precisamos nos fazer com crianças. Jesus valorizou as crianças de tal modo, que as colocou como modelo de fé para os adultos. Eis o que ele, chamando uma criança e a colocando meio do grupo, disse: Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus. Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo (Mateus 18.2-5).O que há de tão paradigmático nas crianças, para Jesus elogiá-las desse modo?Nelas há, pele menos, três qualidades nas crianças que levam alguém a responder ao convite de Jesus. As crianças não são ansiosas. Elas vivem o dia de hoje, hoje; a hora de agora, agora. A ansiedade nos afasta de Deus e nos incapacita para viver do modo como Ele deseja. Em certas circunstâncias, Ele nos pede algo, que só as crianças podem obedecer com facilidade: Parem de lutar! Saibam que eu sou Deus! Serei exaltado entre as nações, serei exaltado na terra (Salmo

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

Lucas 9.46-56: JESUS NOS ENSINOU A TOLERÂNCIA

JESUS NOS ENSINOU A TOLERÂNCIA Lucas 9.46-56 Pregado na IB Itacuruçá, em 14.12.2003, manhã Odiar é escolher a facilidade simplista e redutora do desdém como fonte de satisfação. É cavar um fosso onde cairão sufocados o agente do ódio e sua vítima. Odiar é atear o fogo da guerra em que as crianças se tornam órfãs, e os velhos, loucos de dor e de pena.Em religião, o ódio esconde a face de Deus. Em política, o ódio destrói a liberdade dos homens. No campo das ciências, o ódio está a serviço da morte. Em literatura, ele deforma a verdade,  desnaturaliza o sentido da história e encobre a própria beleza sob uma grossa camada de sangue e de feiúra.O ódio é como a guerra: uma vez começada, é tarde demais.(Elie Wiesel — WIESEL, Elie. Prefacio. Em: A intolerância. Rio de Janeiro: Bertrand, 2000, p. 8) Jesus mudou o mundo. Não dá para imaginar o mundo sem o natal de Jesus. Não dá para imaginar também como a intolerância ainda persegue o mundo.No final de 2003, dois jovens viajavam num vagão de trem em São Paulo. Vestiam roupas tipo punk. Outros jovens se acercaram deles e eles acabaram sendo jogados para fora com o trem em movimento. Um teve grave traumatismo craniano e outro perdeu um dos braços. Segundo as denúncias, os agressores eram skinheads, que não podiam tolerar punks no seu “território”.Na mesma época, o governo francês pretendia, em nome do secularismo, considerado melhor que a religião, proibir que alunas e professoras muçulmanas usassem véus nas escolas da França.Apesar do que ensinou Jesus, que foi morto pela mão e pelos pés da intolerância, muitos cristãos no passado trafegaram pela mesma via da morte. Na maior parte do mundo controlado pela fé islâmica, ser cristão é crime punível com a pena de morte. Na maior parte do mundo cristão, há liberdade de expressão para todos, mas há cristãos individuais e organizações cristãs envolvidos em movimentos de ódio contra outras pessoas, porque pensam diferente. No interior da igreja, há pessoas que não se falam, mas falam mal da outra, porque têm interpretações diferentes da Bíblia ou porque têm gostos litúrgicos diferentes.Jesus nasceu para nos pôr em outra via. Leio, então, uma das histórias do Novo Testamento (Lucas 9.46-55), em que Jesus nos mostra como viver. Começou uma discussão entre os discípulos acerca de qual deles seria o maior.Jesus, conhecendo os seus pensamentos, tomou uma criança e a colocou em pé, a seu lado. Então lhes disse:— Quem recebe esta criança em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, está recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre vocês for o menor, este será o maior”.Disse João:— Mestre, vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos.— Não o impeçam” — disse Jesus, — pois quem não é contra vocês é a favor de vocês.Aproximando-se o tempo em que seria elevado aos céus, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém. E enviou mensageiros à sua frente. Indo estes, entraram num povoado samaritano para lhe fazer os preparativos; mas o povo dali não o recebeu porque se notava que ele se dirigia para Jerusalém. Ao verem isso, os discípulos Tiago e João perguntaram:— Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los? Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: — Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los.E foram para outro povoado. Esta é uma história de intolerância, ou melhor, de intolerâncias.Os discípulos de Jesus tinham dificuldades em conviver com o sucesso, imaginário no caso, do outro. A disputa deles tem a ver com a incapacidade de se respeitar o outro e em se admirar o outro e de se entender que cada um tem um lugar no Reino de Deus, em função de suas habilidades e em função  da necessidade do Reino.Os samaritanos odiavam os judeus porque estes cultuavam em Jerusalém; eles detestavam o sectarismo judeu. Por esta razão, não cooperaram, como mandava a hospitalidade, com os discípulos de Jesus que recolhiam donativos para a viagem. A sua intolerância os cegou para ver o Messias.Os judeus odiavam os samaritanos porque eles, no passado, tinham se envolvido em casamentos mistos (com não judeus) e agora não podiam ser aceitos na comunidade dos filhos de Abraão. Os discípulos se tornaram escravos deste mesmo sentimento. A sua intolerância os levou a agir contra suas próprias convicções espirituais. Eles eram crentes, o que prova que mesmo os mais crentes, como Pedro, Tiago e João, os mais íntimos  de Jesus, podem se tornar intolerantes, violentamente intolerantes. 1. Não façamos do conhecimento da verdade um escudo para esconder nosso pecado (verso 46-47).Há dois episódios nesta história, que se interligam, porque toda a intolerância é filha do vaidoso desejo de ser superior aos outros. Jesus era combatido por fariseus e saduceus, que certos de suas verdades, como maiores e melhores, recusavam quaisquer outros. Temerosos que suas verdades fossem negadas, negaram ao outros, Jesus e seus seguidores, o direito à liberdade e, por fim, o direito à própria vida.A intolerância tem a ver com a presunção da verdade. A intolerância tem a ver com a vaidade. Os fariseus e saduceus tinham a certeza que estavam mais certos e eram melhores. Quem não era bom como eles, deviam se converter ou morrer.Ao longo da história cristã, muitos cristãos que puderam carregar no peito da tolerância, enquanto outros deixaram seus corpos ser manchados pelo sangue dos que pensavam diferentes deles, e logo nos vêm a mente o triste episódio da inquisição européia, ramificada na América Latina.Olhando para os exemplos tristes, ocorre-me pensar que o intolerante tem algo escondê-la. Posso recorro à história real relatada por Philip Yancey no admirável “Maravilhosa Graça”. Joe Grandão era um intolerante. Embora fosse (ou se achasse) cristão, não aceitava a igualdade racial e, diferentemente de todo ensino bíblico, se envolveu em vários episódios de intolerância contra os negros.

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

João 1.32-34: NATAL: AFIRMANDO JESUS COMO FILHO DE DEUS

1. O Natal é um convite a que afirmemos que Jesus é o Filho de Deus.A grande notícia do Natal é que o menino Jesus, filho de Maria, é o Filho de Deus. Precisamos afirmar que Jesus é o Filho de Deus (João 1.32-34).O exemplo de Paulo é notável: logo após a sua conversão, ele pregava, nas sinagogas, a Jesus, afirmando que este é o Filho de Deus (Atos 9.20). 2. O Natal é um convite a que deixemos Jesus ser para nós o que Ele é: profeta de Deus, sacerdote de Deus, Rei de Deus. Quando Ele nasce no nosso coração, Ele fala a palavra de Deus, como profeta; Ele nos purifica, como sacerdote; Ele governa as nossas vidas, como rei.É por Ele que nós vivemos, como o sabia o apóstolo Paulo (Gálatas 2.20).Quando confessamos que Jesus Cristo é o Filho de Deus somos restaurados à família de Deus (1João 4.14-15).Quando recebemos a Jesus Cristo como nosso Redentor, como o Senhor que veio nos salvar, a primeira palavra que falamos é “Aba”, que quer dizer “Pai” (Romanos 8.15). Quando uma criança começa a falar, “pai” está entre as suas primeiras palavras. Quando uma criança diz “pai”, está indicando seu pertencimento a uma família, está indicando que precisa de proteção. 3. O Natal é um convite a que vivamos os ensinos do Filho de Deus (1João 5.2-3).Se não vivemos os mandamentos de Deus, nós O fazemos um mentiroso. Esta é a tragédia dos cristãos: sua religião fracassa quando se esquece de viver os mandamentos do seu Senhor; sua vida fracassa quando se afasta dos mandamentos do seu Senhor, para seguir os seus. 4. O Natal é uma afirmação de vitória para aquele que crêA pergunta bíblica contém a resposta: “Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1João 5.5).Quem crê vence pelo poder de Jesus, por quem foram feitas todas as coisas.Quem crê vence do jeito de Jesus, que nem sempre coincide com o nosso jeito (o nosso é saúde e prosperidade; o dEle é graça que sustenta e companhia que aquece). 2003ISRAEL  BELO DE AZEVEDO

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

João 1.14: NATAL: SE O NATAL NÃO TIVESSE ACONTECIDO

Pregado na Igreja Batista Itacuruçá, em 21.12.3003 (Cantando o Natal) Muitas vezes ouvimos a seguinte lamentação: “ah! se o Brasil tivesse sido descoberto ou colonizado pelos holandeses…”. Talvez fôssemos um país desenvolvido ou um país com segregação racional ou com mais miséria do que temos…Não dá para saber o que seria o nosso país se a nossa história fosse outra, porque só temos esta história e não outra. Portanto, sou daqueles que aceitam que na história não existe o imponderável: não podemos especular sobre as conseqüências de um fato que não aconteceu.No entanto, quando olhamos para história de Jesus, narrada no Novo Testamento, nós lemos que Ele trouxe percepções absolutamente novas. A humanidade ainda não as vira. Por isto, ouso pedir licença para tocar no imponderável, porque Jesus é imponderável. Dá para pensar um Deus que nasceu numa estrebaria? Dá para pensar num Deus cuja notícia de seu nascimento foi dada primeiramente a pastores? Dá pensar num Deus que curou, ensinou e pregou, mas nunca quis ser famoso? Dá para pensar num Deus que recebeu a culpa de todos os homens em todos os tempos ao morrer numa cruz entre dois bandidos, Ele que não tinha pecado? Dá para pensar num Deus que teve sua ressurreição anunciada primeiramente a mulheres? Dá para pensar num Deus que, tendo deixado a habitação dos homens, deixou com os homens o Seu Espírito de força para a vida?Diante de Jesus, estamos diante um Deus imponderável. Até hoje Ele é assim: quando pensamos que Ele vai agir de um modo e Ele age de outro, sem nos dizer a razão, que sabemos ser a melhor para nós.Então, penso que posso pensar em três conseqüências negativas se Jesus não tivesse nascido. E não é apenas a mais evidente: a de que não estaríamos aqui, esta igreja proclamando o nascimento de Jesus, vocês ouvindo acerca deste Salvador… Se Jesus não tivesse nascido, não conheceríamos um Deus presente.Todos os deuses moram longe e gostam de posar de inacessíveis aos seres humanos. Mesmo no Antigo Testamento, onde aprendemos que só um há Deus que cria, embora muitos outros criados por nós, só excepcionalmente Deus “aparece”. Ele é apresentado com o Deus que se inclina, mas nunca aparece, exceto por meio de representantes, a que Bíblia chama de anjos.Com Jesus, é diferente. Ele é o Emanuel, isto é, o Deus presente. Ele disse que quem O visse estava vendo o próprio Deus, pois Ele e Deus (Deus Pai, bem entendido) era um só. Por isto, um contemporâneo seu escreveu que Ele habitou entre os homens cheio de graça  e de verdade. Por isto, este autor conclui, bem pessoal: “Vimos a sua glória, como a glória do filho único do Pai” (João 1.14).Se eu pudesse definir numa só expressão, para os seus contemporâneos e para nós, o que significa que Jesus é Deus presente, esta expressão é: não estamos sozinhos.Você nunca está sozinho, se você aceita que Deus se fez e se faz presente. O Natal, portanto, é uma recordação (Deus morou conosco), uma certeza (Deus mora conosco) e um convite (Deixe Deus morar com você). Foi para isto que Jesus veio. É para isto que deixou presente o Espírito Santo para ser nosso companheiro. Se Jesus não tivesse nascido, não teríamos recebido o ensino acerca do amor por alguém que viveu o amor.Na antiguidade, a ética prevalecente determinava: “dente por dente, olho por olho”. Jesus, porém, ensinou que o ofensor deve ser perdoado, assim como Deus nos perdoa, a nós que o ofendemos com os nossos pecados. Na antiguidade, o máximo de bondade era amar os amigos. Jesus, porém, ensinou que devemos amar os nossos inimigos.Ele disse e viveu assim. Até hoje as instruções de Jesus continuam vivas e atuais para nós, embora nos seja difícil cumpri-las. O natural em nós é devolver o ódio com ódio sempre e, de vez em quando, retribuir o amor com amor.Como Jesus, os cristãos ensinamos sobre o amor. Diferentemente de Jesus, os cristãos não vivemos o amor. Porque se o vivêssemos, o mundo seria outro. O Natal é tempo de nos compromissarmos em amor, com palavras, mas não com palavras apenas, e com gestos, mas gestos concretos, prazerosamente fraternos. Se Jesus não tivesse nascido, viveríamos sem esperança.A antiguidade anterior a Jesus é definida pela Bíblia como prisioneira das trevas (Isaías 9.2). O mesmo Jesus é apresentado como o Deus que veio iluminar o mundo e cassar o poder das trevas (João 1.19). A luz que é Jesus (“Eu sou a luz do mundo” – Ele o disse) apaga as trevas e acende a esperança.Não precisamos mais tatear nas trevas do desespero. Nossa vida presente está guardada em Jesus.  A vida tem sentido: Jesus Cristo.Não precisamos mais ignorar o que nos aguarda no futuro. Nossa vida futura está guardada em Jesus. Uma dia voltaremos a nos encontrar com Ele e então vai ser só festa.Esperança é ter alguém esperando pela gente. Jesus espera hoje que o aceitemos como Salvador e Senhor, para nos dar uma vida com qualidade, agora e no futuro. É Natal, logo não estamos sozinhos. Deus está conosco todos os dias.É Natal, logo podemos amor, porque fomos e somos amados por Jesus.É Natal, logo podemos viver na luz da esperança, porque esta é a promessa do Deus que se faz carne e habitou entre nós.

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

Efésios 1.15-23; 3.10: QUANDO CRISTO E A IGREJA SE COMPLETAM

Quando eu tinha 20 anos, li “Os irmãos Karamazovi”. Descobrir Dostoeivski foi para mim um marco inesquecível. Eu até hoje me lembro onde, quando e como o li: assentado na varanda da casa dos meus pais, durante as férias do Seminário. As cadeiras eram dessas de ferro e plástico trançado, comum àquela época no interior. Eu guardo a impressão, talvez falsa, que li de uma só vez o livro todo, com suas 535 páginas de fontes miúdas. (A propósito, o grupo Abril está relançando uma coleção de clássicos da literatura universal, a preços bem baixos.)Nunca mais tive coragem de abrir aquele livro magistral, que conservo até hoje. Algumas de suas cenas me tocaram, especialmente a morte do abade Zózima, um santo cujo cadáver fedeu, e a fantasia do Grande Inquisidor, que venho recontando de memória ao longo destas três décadas. Com medo de ter inventado demais, voltei às palavras angustiadas do inquisidor ao Jesus retornado à terra. Ei-las: “Não digas nada, cala-te. Aliás, que poderias dizer? Sei demais. Não tens o direito de acrescentar uma palavra mais do que já disseste outrora. Por que vieste estorvar-nos?” (DOSTOÉIVSKI, Fiodor. Os irmãos Karamázovi. São Paulo: Abril Cultural, 1971, Livro V, capítulo V, p. 187.)Eu confesso: esta é uma fantasia que me incomoda. Não há um só dia que eu não me pergunte se as nossas igrejas aceitariam conviver com Jesus, voltado à terra. Talvez, como o inquisidor, achamos que sabemos demais e que levamos o Evangelho às últimas conseqüências, de modo que Jesus não cabe mais, nem nos bancos de nossas igrejas quanto mais nos seus púlpitos. Talvez  nos achemos tão modernos que em nossa prática não haja mais lugar para um Messias primitivo, que ensinou verdades tão simples quanto radicais e que cometeu um gesto impensável, para não dizer ingênuo, o de dar a sua vida para e pelos outros.É grande a tentação de não sermos incomodados por Jesus. Penso em mim mesmo. Se ele voltasse, para conviver comigo, eu deixaria que Ele dissesse o que pensa de mim? Eu deixaria que Ele ditasse o ritmo da minha vida? Eu O seguiria onde quer que Ele fosse? Eu O levaria a todos os lugares que eu vou? Eu queria que Ele passasse o dia todo comigo, ou apenas alguns minutos na agenda?Essas lembranças todas ficam ainda mais dramáticas diante de uma afirmação de Jesus Cristo, a de que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja (Mateus 16.18). Esta promessa é um peso enorme demais. O conceito que Jesus tem da igreja nos traz uma responsabilidade que encurvam os nossos ombros, conceito que o apóstolo Paulo elaborou de forma magistral, na sua oração reproduzida em Efésios 1. [TEXTO BÍBLICO](Efésios 1.15-23; 3.10) Por isso, também eu,tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesuse o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória,vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele,iluminados os olhos do vosso coração,para saberdesqual é a esperança do seu chamamento,qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;o qual exerceu ele em Cristo,ressuscitando-o dentre os mortose fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, potestade, poder, domínio e de todo nome que se possa referir,não só no presente século, mas também no vindouro.E pôs todas as coisas debaixo dos pés,e, para ser o cabeça sobre todas as coisas,o deu à igreja, a qual é o seu corpo,a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (…),para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida,agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais. Não há como não ficar impactado por este poema paulino sobre a singularidade de Cristo e sobre a natureza da Sua igreja. Depois de se alegrar com a fé no Senhor Jesus e com o amor vivenciado pela comunidade dos cristãos, o apóstolo ora ao Pai e pede que Ele conceda aos cristãos toda a capacitação necessária para uma vida eivada de esperança, repleta de riqueza e plena de poder, exatamente como foi a jornada entre nós do seu Filho.Jesus Cristo é apresentado como a força total de Deus, demonstrada na Sua ressurreição e na sua volta ao trono divino para governar sobre todo o cosmo. Durante sua vida na Palestina, Ele abriu mão voluntariamente deste poder, restabelecido a partir da ressurreição. Desde então, estão sujeitos a Ele todos os poderes deste mundo, tanto aqueles que conhecemos como aqueles que não conhecemos: sejam eles principados (que podemos pensar como todos os tipos de governos, federal, nacional ou municipal), sejam eles potestades (que podemos pensar como todo tipo organização não-governamental com impacto sobre as nossas vidas), sejam eles poderes (que podemos pensar como todo tipo de corporações financeiras, que determinam nosso ir e vir pela face da terra, ditando preços e prioridades), sejam eles domínios (que podemos pensar como formados por todos os tipos de sistemas de educação, comunicação, ideologia e lazer), sejam eles nomes (que podemos pensar como todos aqueles indivíduos que, pela força ou pela sedução, controlam as nossas vidas).Todas estas forças estão debaixo dos pés de Jesus Cristo e só não vemos esta realidade se realizando porque só conseguimos enxergar o microcosmo, nunca o cosmo todo. Aquele que tudo vê já sujeitou estes poderes todos, embora eles ainda se agitem nas grades onde estão presos.Se isto nos soa forte demais, soa ainda mais forte ler, nesta mesma oração, que este poderoso Jesus foi dado à igreja, para que ela torne pleno o poder deste poderoso Jesus. A igreja recebeu o poder de Jesus Cristo para continuar a Sua obra de submissão do cosmo ao Seu poder. Tremo em ler que a igreja é a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

1Timóteo 3.16-17: LUTERO, CATIVO DA PALAVRA DE DEUS

“Minha consciência é cativa da Palavra de Deus” (Martin Lutero). (1Timóteo 3.16-17) Entre as frases de Lutero, há uma que merece figurar no quadro mental de todo cristão. É aquela que proferiu na Dieta de Worms, em 1521: “A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém” HISTÓRIA DA FRASE E DOS POSTULADOS DA REFORMA1. Em 1514, o monge agostiniano Martin Lutero (1483-1546) era professor de teologia moral da Universidade e padre da igreja de Wittenberg. Por esta época, ele convivia com a incerteza acerca da sua salvação, que tanto buscava. Preparando suas aulas, deparou-se com a afirmativa de Paulo, em Romanos 1.17, de que o homem é justificado pela fé. Para ele, foi o que ele mesmo chamaou de “a descoberta do evangelho”, descoberta que mudou a história do Cristianismo.Já com esta convicção, ele observou, no seu trabalho pastoral, que o povo, em lugar de comparecer à igreja, ia a cidades vizinhas (como Jüterbog ou Zerbst) para comprar indulgências, pelas quais tinham perdoados os seus pecados sem necessidade de confissão (isto é, de arrependimento). Um dos vendedores de indulgência na região, o comissário papal Johann Tetzel (1465-1519), fazia suas ofertas de modo muito ostensivo, dizendo (segundo consta) que “quando o dinheiro tilinta na caixa, as almas dão um pulo para o céu”.A prática deixou Lutero repugnado e ele passou a pregar contra o comércio de indulgências. Ele escreveu então 95 teses (frases) para servir de debate sobre o tema. Entre elas, podemos destacar três, por sua contemporaneidade:. “Erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa”. (21ª Tese). “Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da  pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem carta de indulgência”. (36ª  Tese). “Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e, a despeito disto, gasta dinheiro com indulgências não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus”. (45ª  Tese)No dia 31 de outubro de 1517, Lutero enviou cartas a alguns bispos e amigos, com transcrição das teses, sem imaginar a reação que se seguiria. As teses foram impressas pouco depois por diferentes pessoas em diferentes cidades. Tetzel protestou e acusou Lutero de ser um herege, seguidor de Jan Hus, ameaçando-o queimar numa fogueira. Alguns bispos aplaudiram Lutero.Em seguida, Roma abriu uma inquisição (inquérito) contra ele (1518). Atacado, Lutero se pôs a trabalhar, desenvolvendo uma teologia autônoma, na qual começava a afirmar os postulados fundamentais do que seria a Reforma Protestantes, ausentes nas suas 95 Teses.  Seus primeiros livros (“Mensagem à Nobreza Cristã da Nação Alemã”, “O Cativeiro Babilônico [da Igreja Católica]” e “A Liberdade do Cristão”), escritos sob forte emoção, rompiam com Roma, que ameaçou excomungá-lo se não se retratasse.A resposta de Lutero foi queimar em público a bula  (“Exurge Domine”) que o ameaçava. O papa o excomungou pouco depois. 2. Para tentar acalmar os ânimos, uma dieta imperial foi convocada por pressão de principies (governadores) que não o apoiavam). Lutero foi convocado pelo Imperador da Alemanha. Apoiado por outros príncipes, que tinha interesses políticos, Lutero compareceu à reunião, realizada em Worms, onde chegou aplaudido pelo povo. No caminho, pregou em várias cidades.Por duas vezes, ele compareceu diante do Imperador Carlos V. Seus livros foram colocados sobre a mesa. Ele foi perguntado se os livros eram seus e se se retratava de algo ali contido. Lutero pediu tempo para responder e no dia seguinte ele voltou com a seguinte resposta: “A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém”. 3. Lutero foi dispensado e só não foi preso porque tinha um salvo-conduto que lhe dava 21 dias de viagem em segurança. Quando ele e os príncipes que o apoiavam deixaram a cidade, o reformador foi declarado proscrito e podia ser morto por qualquer pessoa sem que isto fosse um crime.Para protegê-lo e evitar mais dificuldades para si mesmo, o eleitor (governador) Frederico, da Saxônia, manteve-o recluso em Wartburg. Ali era chamado de Cavaleiro Jorge e deixou seu cabelo e sua barba crescerem. Neste ínterim, traduziu o Novo Testamento a partir do grego, no curto período de 11 semanas. Quando deixou o refúgio, a Reforma Protestante estava próxima de se tornar uma realidade, para qual Lutero contribuiu com a ação e com a produção de tratados, comentários, tradução da Bíblia e de hinos que foram 36, dos quais o mais conhecido é “Castelo Forte”, de 1529, baseado no Salmo 46. 4. Um dos postulados da Reforma (“sola Scriptura”, a autoridade da Bíblia como regra de fé e pratica) encontrou seu teste-de-fogo em Worms. A busca pela salvação chegara ao fim com a leitura da Bíblia, que lhe permitiu uma nova e maravilhosa definição da justiça de Deus e a conseqüente compreensão de que a fé é indispensável para salvação (“sola Fide”). O embate contra as indulgências estava na formação do outro postulado, de que não há mediadores entre o homem e Deus no seu caminho para o Pai  (“solos Christus”). Decorrido quase meio milênio da formulação do princípio da autoridade normativa da Bíblia, ainda precisamos dele. Necessitamos entender que a Bíblia deve ser a fonte de nossos desejos e opiniões, bússola para nossas decisões. Não é cristão quem “acha” isto ou aquilo mas aquele que lê a Palavra de Deus, interpreta-a e aplica-a, para

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

Isaías 54.2-3: CAREY, PERSISTÊNCIA É TUDO

“Se você espera grandes coisas, faça grandes coisas” (William Carey, 1761-1834) Na Inglaterra do século 18, o livro mais vendido era um relato de viagens do navegador James Cook (1728-1779). As aventuras do capitão eletrizavam as pessoas, mas em um leitor provocou um sentimento completamente diferente: um dublê de professor primário e sapateiro inglês, apaixonado por livros e idiomas, passou olhar, não as habilidades do navegador, mas as necessidades dos povos que visitava.Ainda hoje viagens marítimas nos empolgam, como as do navegador Amir Klink e da família Schurmann ou de outros viajantes. A propósito, revistas e programas de televisão sobre viagem continuam despertando interesse. Como cristãos, também lemos e vemos estas histórias. Um dia destes, vi uma longa reportagem sobre a visita de alguns brasileiros ao Quirguistão. Fiquei pensando, enquanto via a matéria, nas necessidades espirituais do povo quirguiz. Nenhum outro cristão deixaria de pensar nisto.No entanto, na Inglaterra do século 18, os cristãos não pensavam nisto. A salvação dos outros povos era um assunto de Deus. Quando quisesse salvá-los, Ele o faria. O cenário só mudou quando este inglês, de nome William Carey, não se conformou com esta atitude colonialista e egoísta.Ordenado pastor, Carey começou a pregar sobre a universidade do amor de Deus, ele que era de uma igreja batista particular, que cria que a graça de Cristo era restrita apenas aos predestinados. Suas palavras pareciam vozes num deserto árido. No entanto, na noite do dia 30 de maio de 1792, ele pregou uma marcante mensagem numa reunião de pastores. Baseado em Isaías 54.1,2, ele desafiou os ouvintes com a seguinte frase-tema: “Se você espera grandes coisas, faça grandes coisas”. Esta frase ficou famosa com um complemento: “Se você espera grandes coisas de Deus, faça grandes coisas para Deus”, que faz justiça ao pensamento de Carey. PARA SE REENCANTAR COM A VIDAA mensagem estava baseada na profecia de Isaías (Isaías 54.2-3). Este texto descreve a vida do povo de Israel em determinado contexto e pode ser aplicado também à vida de muitos cristãos, e eu me refiro àqueles que perderam o encanto pela vida. Ouçamos a descrição completa: [1.] Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e exclama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor.[2.] Alarga o espaço da tua tenda;estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas.[3.] Porque transbordarás para a direita e para a esquerda;a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas.[4.] Não temas, porque não serás envergonhada;não te envergonhes, porque não sofrerás humilhação;pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te lembrarás do opróbrio da tua viuvez.[5.] Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra.(Isaías 54.1-5) Este texto, relido à luz da vida de William Carey, ajuda àqueles que querem dar uma virada nas suas vidas.Quem tem a Deus como Senhor é comparado a uma mulher estéril, incapaz de dar à luz, numa cultura em que a fecundidade era um valor supremo. Sua vergonha era imensa.Na comparação poética, não tinha filhos, mas recebe a estranha ordem de alargar o espaço da tenda, isto é, aumentar o tamanho da sua casa, como se fosse ter um filho. 1. Mantenha a visão de Quem Deus é (verso 5).O desencanto com a vida advém de uma falta de visão de quem Deus é.Neste texto, encontramos algumas imagens para Deus que indicam o modo como Ele se relaciona conosco: Ele é o marido, mas marido cuidadoso, fiel, infalível. Seu nome é Senhor dos Exércitos, indicando que é forte, acima de qualquer força e de qualquer obstáculo.Ele é santo, palavra aqui é sinônimo de perfeito.E é ainda o Deus de toda a terra, o que mostra que Ele é universal; por isto, Ele nos alcança, e não há limite em Sua ação para conosco. Carey cria num Deus assim.Carey cria que Deus marido amava os indianos. Ele era marido também dos indianos. Quando Carey tentou, o resultado foi o nascimento de uma sociedade missionária foi fundada e Carey, junto com um médico, foram os primeiros enviados, no caso à Índia.Carey cria no Nome de Senhor dos Exércitos. Para ele, Deus triunfaria sobre os obstáculos, principalmente do comodismo e do egoísmo humanosCarey cria que Deus era Santo, logo, perfeito em Seus planosCarey cria que Deus era o Deus de toda a terra, e alcançaria os indianos. E alcançou. 2. Louve a Deus, pelo que Ele fará embora ainda não esteja fazendo, por crer que Ele fará e estar convencido que Ele fará (verso 1)O desencanto com a vida se expressa na lamentação. Acontece por causa da ilusão, que é o encanto com pessoas e causas, que devem ser conseqüências de um entusiasmo com Deus.Jonas e a mulher de Jó são exemplos da falta de encanto com o Senhor e com a vida .. Perda da visão de Deus. Perdemos a visão de Deus quando olhamos apenas para nós mesmos. Quando olhamos apenas para os nossos problemas. . Esta visão de Deus deve provocar uma atude que transcenda a contemplação, mas que chegue à ação.. Louve Aquele Deus que está atento às suas necessidades. Como Israel se sentia, Deus se apresentou.. Como você se sente, Deus se apresenta.O que é isto, louvar? Segundo a Bíblia, Louvar é ter uma visão de Deus e ser possuído por esta visão. É dizer o que Ele é e viver segundo esta visão. O louvor é filho e mãe da fé, porque nasce dela e a fortalece. Se seu Deus for pequeno, você não precisa louvá-lO e você será pequeno também. 3. Faça grandes coisas, mesmo que pareçam sem sentido (versos 2 e 3)Carey foi um homem que fez grandes coisas.Ele acreditou que os indianos

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

Romanos 15.13: BUNYAN, UMA FÉ FORTE

“A esperança não adoece quando a fé está forte” (John Bunyan, 1628/1688)E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo (Paulo, aos Romanos 15.13) Depois da Bíblia, o livro mais vendido no mundo é “O Peregrino”, do escritor inglês John Bunyan (1628-1688). Os críticos têm sublinhado a genialidade do autor, que o escreveu enquanto estava preso. Depois de sua conversão, Bunyan tornou-se um pregador não-conformista, isto é, ele não aceitava a religião oficial anglicana e fazia parte do imenso grupo de pessoas que desejavam um cristianismo com compromisso apenas com a Palavra de Deus. Suas convicções fizeram com que ficasse 12 anos na cadeia, o que o levou a dizer que “preferia a caminhar na escuridão com Deus do que estar sozinho na luz”. Por esta época, ele também dizia a quem o visitava no cárcere: “Pregue a liberdade aos outros, enquanto escuta o chacoalhar das minhas algemas”. Além de escrever, ele fabricava cordões de sapatos para sustentar sua família. (Para uma biografia de  Bunyan, vejam-se os seguintes endereços eletrônicos: <http://www.bunyanministries.org>, <http://www.museums.bedfordshire.gov.uk/education/Bunyan/Bbiog.html> e <http://www.johnbunyan.org>) São de Bunyan outras frases igualmente magistrais, como as seguintes:SOBRE O PERDÃO: “Nenhum filho de Deus peca tanto ao ponto se tornar incapaz de ser perdoado”. SOBRE A BÍBLIA: “O pecado manterá você longe deste livro (a Bíblia) ou este livro manterá você longe do pecado”.SOBRE A ORAÇÃO: “Na oração é melhor ter um coração sem palavras do que palavras sem coração”. “As melhores orações geralmente têm mais gemidos do que palavras”. “Aquele que corre de Deus pela manhã dificilmente vai encontra no resto do dia”. “Você pode fazer mais que orar, depois de ter orado, mas você não pode fazer mais que orar antes de orar”. “A oração faz o homem parar de pecar, mas o pecado leva um homem a parar de orar”.SOBRE O SOFRIMENTO. “Deus guarda nossas lágrimas numa garrafa para que possa, ao final, enxugá-las”. Quero sublinhar, no entanto, uma frase ainda menos conhecida de Bunyan, pela sua atualidade. Ele escreveu que “a esperança não adoece quando a fé está forte”.Esta frase mostra com clareza que o fundamento da verdadeira esperança é a fé. É verdade que precisamos esperar para viver. Há um princípio da esperança em todas as culturas. A Bíblia o testemunha ao menciona 100 vezes. A pessoa que joga na loteria está motivada pela esperança de ganhar. A pessoa que acha que as coisas vão melhorar se segura num fatalismo positivo sem fundamento. Um doente que não se entrega, na esperança de que ficará curado está arrancando de dentro sua última centelha de vida. A sociedade que elege um presidente na expectativa que ele mudará o estado de coisas está recusando o cansaço e afirmando que aposta em dias melhores.No entanto, quem garante que estas esperanças se concretizarão? Nos termos de Bunyan, estas são esperanças enfermas, porque não estão firmadas na fé. Se a esperança não for funda na fé, não passará de poder do pensamento positivo. É a fé que nos dá certeza das coisas que esperamos e nos convence que acontecerão fatos hoje improváveis (Hebreus 11.1). A esperança cristã é uma esperança sadia porque se firma na fé, não em superstições ou em projeções da mente. Por isto, o cristão não pode ficar confundido, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado (Romanos 5.5). 1. A esperança cristã é sadia porque vem da fé em Deus como Senhor da história. Como diz a Bíblia, pela fé, entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem (Hebreus 11.3). O cristão tem esperança porque aceita que Deus, criador do universo e da vida, inclusive a vida humana, ainda dirige a história, e fará com que ela alcance um final de glória, mesmo que o presente não o aponte. Nosso cântico deve ser: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (Apocalipse 4.11).Para quem lê a Bíblia,  que, segundo o apóstolo Paulo, foi escrita para o nosso ensino, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança (Romanos 15.4) fica fácil ver os atos poderosos de Deus no passado e no presente, na criação e na historia, na natureza e na vida de pessoas. Somos lembrados que os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo (Salmo 19.1-4). Por isto, o salmista cantava, e podemos cantar também: Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, o Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos (Salmos 65.5).Fica fácil ver também que Ele é um Deus gracioso, que não age segundo os padrões humanos e nem em função dos méritos humanos. Como Ele mesmo nos ensina, Sua ação para conosco não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia (Romanos 9.16).Fica fácil ver também que Deus cuida dos seus filhos, segundo as Suas regras, nem sempre compreensíveis por nós mas absolutamente boas para nós. Ele é Aquele que, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das necessidades dos Seus filhos (Filipenses 4.19). Por isto, o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente (Salmo 9.18).A esperança cristã, portanto, se firma numa fé num Deus pessoal, misericordioso e atento. Não é a fé numa presença vazia, num

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007

Hebreus 04.16: BONHOEFFER, FIEL ATÉ A MORTE

“Quando Cristo chama um homem, ordena-lhe que vá e morra”. (Dietrich Bonhoeffer, 1906-1945) Preparado para ser pregado na IB Itacuruçá, em 24.11.2002 (noite). Como vivida por Jesus, a graça nos incomoda. A graça de Deus é o oferecimento gratuito da vida de Jesus Cristo para que, por meio do Seu sacrifício, todos possamos ser salvos. Há muitas pessoas confrontadas com esta verdade, mas que não a aceitam porque ela é simples demais. Há alguns que propõem algum tipo de pagamento, por meio, por exemplo, de reencarnações sucessivas, por julgá-las mais justas, ou por meio de da manutenção de um sistema religioso repleto de proibições, vistas como necessárias para o crescimento espiritual ou santificação. Quem pensa assim está julgando de modo correto a graça: ela não é justa e, por isto, é graça, e é pena que quem pense assim não a receba, porque não a quer…Não há nada que possamos fazer para merecer esta graça. Segundo o resumo do apóstolo Paulo, ela é uma concessão gratuita de Deus, em Jesus Cristo.Ajuda-nos a entender a idéia da concessão compreender aquilo que faz a legislação federal sobre certos serviços. Para se tornar concessionária de um serviço público (na área do transporte, por exemplo), a empresa precisa se qualificar e ganhar uma concorrência. Depois de um certo julgamento, “ganha-se” a concessão. Ainda há pouca semelhança desta concessão com a concessão da graça, porque a empresa precisa provar que merece explorar o serviço. No caso da radiodifusão ou teledifusão, as regras são diferentes. O poder executivo pode conceder uma emissora de rádio ou televisão para quem quiser, geralmente em retribuição a algum serviço prestado antes ou a ser prestado no futuro, pressuposto que a empresa terá condições de prestar o servico. No Brasil, a concessão se tornou um instrumento de negociação para fins políticos. Aqui a semelhança é maior, porque a concessão é fruto da vontade do poder executivo. No entanto, a semelhança pára aí, porque no caso da graça, Deus age sem qualquer interesse pessoal e Ele concede a Sua graça a todos, não a apenas a alguns “protegidos”. Como nos ensino o apóstolo Paulo, somos salvos pela graça, mediante a fé; [ela] não vem de nós; é dom de Deus; [ela] não de obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos (Efésios 2.8-10). Ela não decorre da nossa bondade; antes, vem curar a nossa maldade. Não há nada que possamos fazer para exagerar o impacto desta graça. Na verdade, nossa atitude deve ser outra diante de oferecimento tão magistral: Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna (Hebreus 4.16)Não há nada que devamos fazer para baratear esta graça. Antes, devemos estar atentos para não a transformarmos numa graça barata. Se ela não nos custou nada, custou tudo a Jesus Cristo: sua própria vida.Desde o início, a compreensão da realidade da graça, totalmente nova e única na história das religiões, tem provocado muitas incompreensões.O evangelho da graça do Senhor Jesus Cristo teve que enfrentar diversas tentativas de negação. Os legalistas, em todos os tempos, acham que ela precisa da cooperação das obras para que possa dar seus frutos. Os libertinos, em todas as épocas, acham que tal é a liberdade que traz que nenhum compromisso se espera de quem foi alcançado e salvo por ela.O Cristianismo tem sofrido demais com a dificuldade de os cristãos entenderem e viverem sob esta graça, bem compreendida. Temos uma enorme facilidade para nos passar para outro evangelho (Gálatas 1.6), desligando-nos de Cristo (Gálatas 5.4).Ao longo da história, alguns cristãos têm levantado suas vozes para profetizar acerca da verdadeira graça. Paulo, o principal deles, deixou bem claro que assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida (Romanos 5.18). Nós somos justificados gratuitamente (Romanos 3.24), portanto.Diante dos legalismos, Paulo adverte que, se é pela graça que somos salvos, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Romanos 11.6). Se a justificação é mediante a lei, a conseqüência lógica é que Cristo morreu em vão (Gálatas 2.21).Diante dos libertinismos, Paulo nos lembra: Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação (1 Tessalonicenses 5:8). Cada um de nós desenvolver a salvação gratuitamente recebida (Filipenses 2.12). O prazer do salvo é crescer na graça, segundo a instrução de outro apóstolo (2Pedro 3.18). 2Nós fomos comprados por um alto preço e não podemos nos deixar escravizar (1 Coríntios 7.23) por nenhuma negação da graça. Antes, devemos glorificar a Deus em nossos corpos (1 Coríntios 6.20), mesmo que isto signifique sofrer por ele, como Paulo e Pedro sofreram, como, na Alemanha nazista, Martin Niemöller (1892-1984) e Dietrich Bonhoeffer sofreram.Para muitos cristãos, pastores inclusive, o nazismo estava correto no seu anti-semitismo e no seu projeto de supremacia nacional. Uma organização cristã defendia que os não-arianos deviam ser proibidos de participar, ministrar ou ensinar nas igrejas. Muitos se opuseram, como Niemöller e Bonhoffer. Há uma pequena história que nos ajuda a entender como os cristãos alemães estavam divididos. Numa manhã, Niemöller foi visistado na prisão por um pastor, luterano como ele, que lhe perguntou, surpreso:— Irmão, o que você fez. Por que está aqui?Niemöller respondeu:— Irmão, diante do que está acontecendo em nosso país, eu lhe pergunto: por que você não está aqui?(Disponível em <http://www.allsaintssunderland.ang-md.org/id64.htm>. Acessado em 17.11.2002) Niemöller foi libertado pelos aliados da prisão onde aguardava a execução ordenada por Hitler. É atribuído a ele um dos mais importantes poemas em defesa da consciência cívica: “Quando os nazistas vieram atrás dos comunistas,eu me calei: eu não era comunista. Quando prenderam os sociais-democratas,eu me calei: eu não era social-democrata.Quando eles vieram procurar os

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Israel Belo de Azevedo janeiro 2, 2007
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