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Bíblia Prazer da Palavra

Autor: Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo

Israel Belo de Azevedo, é um pesquisador interessado em usar a internet para mostrar a acurácia e atualidade das Escrituras Sagradas e, assim, demonstrar que fé e razão são como dois trilhos de uma linha de trem. Israel Belo de Azevedo é um escritor com vasta publicação em diferentes áreas. Seus primeiros livros foram na área de história e pesquisa acadêmica. Os seguintes foram sobre filosofia e teologia. No momento, tem-se dedicado mais fortemente ao ensino e à aplicação da Bíblia. Por isso, preparou as notas de duas edições das Sagradas Escrituras: “Bíblia Sagrada Bom Dia” e Bíblia, o Livro da Esperança” (ambos da Sociedade Bíblica do Brasil, que prepara uma terceira, sobre orações). O projeto no qual tem dedicado mais tempo presentemente é a preparação de uma nova versão da Bíblia, que seja entendida por todos. Trata-se da “Bíblia “Prazer da Palavra”. Desde 1999, Israel Belo de Azevedo pastoreia a Igreja Batista Itacuruçá, localizada no bairro da Tijuca, região central da cidade do Rio de Janeiro. É casado com Rita e pai de Rachel. Ele é graduado em teologia e em comunicação. Tem pós-graduação em história e mestrado em teologia. É doutor em filosofia.

Mateus 10.8a: A GENEROSIDADE COMO SABEDORIA

DITOS DE SABEDORIA DE JESUS, 2Mt 10.8a: A generosidade como sabedoria “Vocês receberam de graça; dêem também de graça” (Mt 10.8a).. Jesus está falando de generosidade, para nos ensinar que o melhor da vida não pode ser comprado porque não é vendido. A mensagem de Jesus é sempre sábia. Aí pelo início de novembro, somos lembrados que o natal está chegando. O comércio assesta contra nós suas armas de venda. Começo por ler alguns trechos de uma reportagem típica dessa época, cujo titulo, bastante sugestivo, é “Vamos vender”: “Vocês estão na loja para que?”, pergunta o sujeito à platéia, que grita: “Vender”. “Quando?”, continua. “Sempre”, berra a platéia, formada por vendedores de shoppings. (…)É nesse clima de programa de auditório que se desenvolve a palestra motivacional “Show de Natal”, voltada a vendedores do varejo. (…) O consultor (…) diz que vendedores precisam ser artistas e que a venda é um show (…).Em tom emocionado, o publicitário (…) declara à platéia de vendedores: “Você ganha a vida ajudando as pessoas a serem felizes. Quem pretendia comprar um presente acaba levando outros porque você fez com que essa pessoa lembrasse que é Natal”. (Cf. Folha de S. Paulo, 1/12/2007, cad Vitrine.)Essa sessão de treinamento revela um pouco do espírito de nosso tempo, presente em todas as épocas certamente, com variações.Comparemos este curso com o que Jesus ofereceu aos seus primeiros apóstolos: “Por onde forem, preguem esta mensagem: O Reino dos céus está próximo. Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça; dêem também de graça. Não levem nem ouro, nem prata, nem cobre em seus cintos; não levem nenhum saco de viagem, nem túnica extra, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno do seu sustento” (Mateus 10.7-10a). Os pregadores enviados por Jesus (e isto se aplica a qualquer seguidor-enviado de/por Jesus) deviam viver os valores do Reino que pregavam, travando internamente uma luta contra os valores dos reinos por onde circulavam.Ao longo de suas vidas, alguns certamente seriam procurados e elogiados, conhecendo a fama. Não deviam tirar proveito disto (seja em forma de dinheiro ou poder) porque tinham recebido graciosamente o poder de Deus em suas vidas para abençoar outras vidas..Quando circulassem pelas cidades, conheceriam o sistema, em que o que conta é o dinheiro, mas deveriam se contentar apenas com seus salários e nada mais cobiçarem. Não deveriam confiar na auto-suficiência que seus recursos traziam, mas tão somente viver na dependência de Deus.Focados na sua missão, podiam se esquecer que, antes da salvação recebida, estavam espiritualmente mortos. A vida viva que agora tinham lhes foi dada como presente. Ah se também nos lembrássemos que fomos salvos pela graça e que nada fizemos para merecê-la! Olharíamos as pessoas em geral com mais humildade… Contemplaríamos com compaixão aqueles que andam desgarrados pelo mundo…Antes do ensino recebido dos lábios de Jesus, nada sabiam. O que agora sabiam foi recebido de graça, não tendo que pagar pela educação recebida. No mundo sem os valores de Deus, nada é de graça. No Reino de Deus, tudo é de graça.Jesus, então, diz: não vivam os valores dos sem-Deus, mas vivam os valores do Reino da graça de Deus. Quem vive no Reino da graça consome, mas não acha que consumir é ser feliz; consumir é apenas consumir; não vale mais que isto.No mundo sem os valores de Deus, o mais importante é cada um acumular o quanto puder, tirar dos outros tudo o que puder, proteger-se dos outros o mais que puder, evitar todos os contatos humanos que puder. Jesus mostra a seus seguidores (daquele tempo e do nosso) que não devem ter como metas de suas vidas acumular por acumular, porque quem age assim é louco ao ponto de trocar sua alma por coisas acumuladas que a traça consome.Jesus mostra a seus seguidores (daquele tempo e do nosso) que não devem usar os outros para beneficio próprio, seja sua companhia (usada e descartada), seja seu dinheiro ou seu poder (que traz uma boa sombra).Jesus mostra a seus seguidores (daquele tempo e do nosso) que não devem se distanciar das pessoas, não devem se tornar indiferentes às pessoas, não devem ficar desinteressados das pessoas, não devem achar que sua posição era mais importante que as pessoas. Se passam a agir assim, são iguais às pessoas a quem são enviadas para anunciar o Reino de Deus. Até hoje a maior tragédia dos que crêem em Deus é viver igualzinho aos que não crêem em Deus. “Vocês receberam de graça; dêem também de graça” (Mt 10.8a).. Jesus está falando de generosidade, para nos ensinar que o melhor da vida não pode ser comprado porque não é vendido.Mais que advertir contra o espírito da época, Jesua adverte contra a permanente natureza humana.A generosidade não é natural. Li uma entrevista do economista político José Luís Fiori, da UFRJ, em que ele analisa a condição do mundo contemporâneo (mas poderia ser de qualquer época) nos seguintes termos: o sistema mundial “se parece com um universo em expansão contínua, movido pela luta das grandes potências pelo poder global e que por isso estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, paz e guerra. O que ordena e estabiliza esse sistema, por mais doloroso que seja reconhecê-lo (…) [é] a existência de `eixos conflitivos crônicos’ e a possibilidade permanente de guerra. O sistema não acumula poder e riqueza sem a competição das nações e não se estabiliza sem as guerras” (Cf. Folha de S.Paulo, 1.12.2007, p. E-10).Na contramão de Jesus, a economia das nações precisa do conflito, vale dizer, da negação do outro, como forma de afirmação.Na contramão de Jesus, a ordem mundial precisa das guerras para se estabilizar. Esta é a paz do mundo, feita de guerras, medos e perturbações. Não é assim a paz de Jesus, que disse: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo” (João 14.27).Deixemos as nações e falemos de

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Israel Belo de Azevedo dezembro 2, 2007

Mateus 9.16: SABEDORIA DE SE DEIXAR MUDAR

DITOS DE SABEDORIA DE JESUS, 1Mateus 9.16: Sabedoria de se deixar mudar “Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, pois o remendo forçará a roupa, tornando pior o rasgo” (Mateus 9.16). 1. Jesus não era pano novo em tecido velhoA vinda de Jesus foi uma ruptura radical. O Filho de Deus nasceu como filho de um homem e uma mulher, no qual não há nada de novo, com a variável que não tiveram contato sexual, o que é totalmente novo. O Rei não nasceu como Rei, tendo sido dado à luz em condições precárias e longe, muito longe, dos palácios; hoje diríamos que nasceu num táxi a caminho da maternidade. Ele não era pano novo em tecido velho.Ao seu tempo, a vida política era governada por Roma, mas ele não fez aliança com o Império. Quando ameaçado de morte por um representante do governo romano, mandou-lhe um enigmático recado, de quem não contemporizava: “Vão dizer àquela raposa: `Expulsarei demônios e curarei o povo hoje e amanhã, e no terceiro dia estarei pronto’” (Lucas 13.32). O roteiro de sua vida não era dado pelos dirigentes da época, por mais poderosos que se achassem. Ele não era pano novo em tecido velho.Quando foi interrogado por um representante de Roma, ficou em silêncio, num gesto de ruptura entre o seu reino, totalmente espiritual, e o império vigente, totalmente baseado na força. Como os fins não justificam os meios, Ele não procurou salvar a sua própria pele. Ele não era pano novo em tecido velho.Nos termos humanos, seu tempo aqui foi perdido, porque ele acabou traído e assassinado. Se quisesse vencer nos termos humanos, agindo segundo o modo humano de fazer as coisas, inclusive a política, teria que se compor com os partidos religiosos de sua época, especialmente com os fariseus, que dominavam todas as cenas. Se quisesse vencer nos termos humanos, teria que se compor com os governantes, pregando, ensinando e curando nos palácios, o que poderia fazer se fechasse os olhos para a imoralidade, a hipocrisia e a corrupção dos palácios; se o fizesse, teria um quarto nos palácios, mas ele preferiu seguir, em grande parte de sua atuação, como um maltrapilho que não tinha lugar certo para dormir a cada noite. Ele não era pano novo em tecido velho.As circunstâncias do seu nascimento indicam a natureza diferente (vale dizer: a natureza divina) de sua vi(n)da. Os pastores foram avisados de seu nascimento em Belém por um coro de anjos, o que jamais ocorreu com qualquer ser humano. Os magos foram levados até a casa provisória dos seus pais conduzidos por uma estrela, e as  estrelas, nós sabemos, não se movimentam desse modo. Quando de volta para casa dos seus pais em Nazaré, o caminho foi outro, por causa do aviso divino que receberam. Ele não era pano novo em tecido velho.Foi no Natal, quando chegou a plenitude dos  tempos, que “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei,  a fim de redimir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao coração de vocês, e ele clama: `Aba, Pai’. Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro” (Gálatas 4.4-7). 2. A graça é oferecida de graça para ser recebida como graça.Jesus pregou o Reino de Deus. Jesus pregou que Deus é o Rei. Jesus pregou que Deus é o Senhor. Jesus pregou que o Reino de Deus está se realizando porque já chegou.A face visível do Reino de Deus é a graça de Deus, manifestada na palavra e na vida de Jesus.A graça de Deus, trazida e vivida por Jesus, da manjedoura à cruz, do batismo à ressurreição, da comunhão com seus seguidores até à partida na ascensão, é algo novo. A graça não é pano novo em tecido velho. A graça não é remendo.Recebi, um dia destes, uma peça publicitária em casa. Acima de uma foto de um cabo coaxial, usado para conexão de tevês a cabo, vinha a chamada: “remendar é fácil”. Sobre o cabo, havia uma imagem simulando um remendo com algum tipo de cola preta. Aberta a peça, vinha a informação completa, acima de um cabo coaxial ainda maior: “Remendar não é com a [nome da empresa]. A gente faz questão de crescer do jeito que é certo e não do jeito que é fácil”. (Cf. anúncio da empresa Net, enviado pelo correio na última semana de novembro de 2007.)Remendar é fácil, mas não resolve. O remendo se arrebenta e é preciso outro. A Lei era o remendo e foi substituída pela graça, definitiva. A graça não é uma conquista, obtida com muita luta, feita dos remendos dos ritos e merecimentos. Segundo o velho tecido, o tecido da lei, os bons recebem o prêmio da salvação. Segundo o novo tecido, o tecido da  graça, os maus são justificados e tornados bons depois de terem recebido o prêmio da salvação. Na lei, a recompensa vem depois. Na graça, ela vem antes.O legalismo não deu certo, mas ainda seduz. Mesmo quem já foi alcançado pela graça recebe os seus convites e tende a aceitá-los. Por isto, Jesus ensina: não ponham o pano velho do legalismo sobre o tecido novo da graça.A pressão é maior na escassez. por que, por exemplo, nos acontecem certas coisas? por que nossos filhos ou cônjuges ou pais não trilham o mesmo caminho que nós trilhamos? por que os casamentos terminam? por que as doenças consomem os corpos? por que crianças dormem nas ruas? por que velhos apodrecem nas estradas? por que os poderes se apoderam dos pobres? O legalismo responde: tudo tem que ter uma explicação; coisas ruins acontecem porque alguém errou e precisa ser punido; o legalismo insiste: desista de lutar por seu filho ou por seu cônjuge ou por seu pai, porque pau que nasce torto nunca se endireita; o legalismo prega: quem sofre fez alguma coisa por merecer,

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Israel Belo de Azevedo dezembro 2, 2007

1Pedro 1.1-7: DE QUE SOMOS PROTEGIDOS

DE QUE SOMOS PROTEGIDOS1Pedro 1.1-7 (Preparado para ser pregado na Igreja Batista Itacuruçá, no dia 28.10.2007) Há na Bíblia uma nuvem de textos sobre o cuidado divino para com o ser humano. E repito apenas cinco deles:. “O Senhor é meu pastor e nada me faltará” (Salmo 23.1).. “Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Salmos 37.5).. “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28.20b).. “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8.28). . “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13). Outro texto, também consolador, é 1Pedro 1.1-7, que tem dois parágrafos. O primeiro, com o destinatário da carta, diz: (1) Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, (2) eleitos segundo a presciência [ou conhecimento prévio] de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. Ou, também, segundo outra versão, (1) Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia, (2) escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e a aspersão do seu sangue: Graça e paz lhes sejam multiplicadas. O segundo parágrafo é um cântico dirigido a Deus, nos seguintes termos: (3) Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, (4) para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, (5) que pelo poder de Deus vocês são guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; (6) na qual exultam, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejam contristados por várias provações, (7) para que a prova da sua fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; (8) a quem, sem o terem visto, amam; no qual, sem agora o verem, mas crendo, exultam com gozo inefável e cheio de glória, (9) alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas. (ARA, modificada) É muito difícil ler todo este segundo parágrafo num fôlego só. Razão pela qual, precisamos alterar a pontuação original. (3) Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, (4) para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor; herança guardada nos céus para vocês (5) que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo; (6) nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. (7) Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado. (8) Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem agora, crêem nele e exultam com alegria indizível e gloriosa, 9 pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas. (NVI) Diz o autor, portanto, que há pessoas que são protegidas (ou guardadas, ou preservadas) pelo poder de Deus. Diante de tantos perigos à vida, soa como um brado de esperança escutar o apóstolo repetir esta promessa que se espraia pela Bíblia. A HISTÓRIA DE NOSSA ELEIÇÃOPreciso dizer, no entanto, que esta não é uma carta para todos. O autor se inclui no grupo a quem escreve, como circundando a promessa entre eleitos e peregrinos.As duas palavras podem soar estranhas. “Eleitos” pode sugerir que Deus escolhe algumas pessoas para a salvação e outras para a perdição. Bem, de fato isto ocorre. A Bíblia está cheia de referências a este fato (cf. Mateus 24.22, Marcos 13.20, Romanos 11.17, 1Timóteo 5.21, Tito 1.1).Neste texto, contudo, o próprio apóstolo Pedro trata de dirimir qualquer dúvida, quando informa que os eleitos são eleitos segundo o conhecimento prévio que Deus tem da história toda de uma pessoa. Do alto do Seu conhecimento, Deus vê as nossas escolhas; aqueles que respondemos ao Seu convite, Ele elege como salvos.Vou repetir aqui a explicação que um autor (Francis Leonard Schalkwijk [em “Confissões de um peregrino”. Viçosa: Ultimato, 2000, p. 16]) dá para Romanos 8.30. Neste texto, Paulo anuncia o processo da salvação nos seguintes termos: “aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou” (Romanos 8.29-30).No texto paulino, que Pedro ilumina, vemos a seqüência da eleição no plano divino. É assim que Deus vê e age, em quatro passos: primeiro, ele predestina (escreve o nome no livro do céu); chama; justifica (perdoa os pecados) e glorifica (regenera para uma nova vida, aqui e no futuro). Não vemos na perspectiva de Deus, pelas razões de nossa óbvia limitação. O que vemos tem os seguintes passos, seqüenciados: primeiro, Deus chama a todos para a salvação, que é uma vida de amizade com Ele desde agora; depois, Deus justifica (perdoando) aquele que aceita seu convite para a salvação; em seguida, glorifica-a (regenera-a, dando-lhe uma personalidade à imagem de Jesus Cristo); por fim, Deus a predestina, escrevendo seu nome no livro que está na biblioteca que tem o tamanho do céu. ELEIÇÃO, UM PROCESSO   SEQÜÊNCIA DIVINA<!–[if !supportLineBreakNewLine]–><!–[endif]–> SEQÜÊNCIA HUMANA<!–[if !supportLineBreakNewLine]–><!–[endif]–> predestinação chamada (convite) chamada (convite) justificação justificação glorificação glorificação predestinação (Fonte: SCHALKWIJK, Francis Leonard. Confissões de um peregrino. Viçosa: Ultimato, 2000, p. 16) Esta seqüência é autorizada pelo verso

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Israel Belo de Azevedo outubro 27, 2007

Efésios 6.4: DEVERES DOS PAIS, 1

Princípios bíblicos para a vida familiar…, 9 (Efésios 5.21-6.4)DEVERES DOS PAIS, 1 (Efésios 6.4)(Preparado para ser pregado em 14.10.2007) Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor (Efésios 6.4). Ler esta recomendação paulina nos soa como um ideal tranqüilo, para nós que amamos nossos filhos. No entanto, nem sempre foi assim na história da humanidade. DO INFANTICÍDIO AO AMORUm pesquisador (Lloyd deMause) mostrou que antes de o amor pelos filhos se tornar um ideal, houve outros ideais. No primeiro estágio da criação de filhos, que chegou ao período do surgimento do Cristianismo, o infanticídio era universalmente aceito, bem como o molestamento sexual deles por seus pais.No segundo estágio, comum ao tempo do Novo Testamento, as crianças rejeitadas podiam ser abandonadas em praça pública, para serem adotadas como escravas. Foi por isto que um cristão protestou, escrevendo: Os cristãos “casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos” (Epístola a Digoneto). Mais tarde, a criança passou a ser vista como um indivíduo e começaram a surgir uma legislação de proteção dos seus direitos, que passam a ser reconhecidos. Pouco depois, a criança passou a ser pensada como uma pessoa livre. Só no século 20, passou-se a considerar que a criança tem seus próprios objetivos próprios de seu estágio de vida, podendo explorar suas habilidades próprias. Só, portanto, muito recentemente os pais começaram a ajudar seus filhos a satisfazer suas necessidades. “A criança deve se sentir amada incondicionalmente, sendo invioláveis pelo adulto sua integridade pessoal, seu espaço físico e sua sexualidade”. DeMause, Lloyd. The Evolution of Childrearing Modes. Disponível em <http://www.geocities.com/kidhistory/modesw.htm>.Penso na história e me recordo que, um dia destes encontrei uma menininha no seu carrinho de bebê. Tinha na mão um DVD sem capa de que ela gostava muito, mas estava chorosa. Perguntei por que. Seu pai me disse que ela queria pão, que o pai carregava numa sacola de padaria. “Ela gosta muito de pão” — disse-me ele. Então, fez uma troca: pegou o CD e lhe deu um pedaço de pão. E continuamos nossos caminhos.Ao lhe dar o pão, certamente aquele pai deixou de irritar sua filha. Terá ele sido fiel à recomendação paulina?Na mesma semana deste encontro, li o resultado de duas pesquisas sobre a família brasileira. Uma procurava perceber as relações entre o brincar e o desenvolvimento das crianças brasileiras. Os pesquisadores partiram do pressuposto que brincar é essencial para o desenvolvimento da criança e não é apenas uma forma de diversão. No entanto, notaram que só 14% dos pais acham que a brincadeira é um aliado importante no desenvolvimento infantil. Talvez por isto só 22% deles gostam de passear com eles, atrás de atividades como ver televisão e ouvir música. COLLUCCI, Cláudia. Pais preferem TV a brincar com filhos, diz estudo. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1210200721.htm>. A segunda pesquisa, realizada com 2093 pessoas em todo o país, procurou retratar a família brasileira em 2007 comparativamente à realidade encontrada dez anos antes. Eis alguns dados, para o nosso caso:. Os brasileiros têm em média 2,7 filhos por família.. Entre os pais, 40% já bateram nos filhos, contra 71% das mães.. Dos casais, 14% não têm filhos.. Um terço dos jovens convive com a separação dos seus pais.. Na relação maternidade e trabalho, 59% não concordam que a mulher deve deixar de trabalhar para cuidar dos filhos.. Quanto aos valores, há dez anos as instituições mais importantes eram, pela ordem: família (61%), estudo (61%), trabalho (38%), religião (38%), lazer (38%), dinheiro (36%) e casamento (31%). A ordem em 2007 pouco se alterou, mas cresceu a importância atribuída à religião (45%). Pesquisa realizada pelo DataFolha. Revista “Família brasileira”. Folha de S. Paulo, de 7.10.2007. 74p. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/revistafamilia/inde07102007.htm>. A PERMANÊNCIA DE UM IDEALNeste contexto, os deveres dos pais vão também encontrando outros contornos, nem sempre fáceis de ser esculpidos. Quanto volto ao apóstolo Paulo, vejo que o ideal continua lá, como está também em outra carta: “Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem” (Colossenses 3.21). Leio a recomendação paulina para os pais sobre seus filhos e me enterneço com sua sabedoria, que só pode ser divinamente inspirada, porque a sabedoria romana vigente era completamente diferente.Ao tempo em que os leitores de Éfeso receberam as instruções paulinas, predominava o direito do paterfamilias (pai de família). Por esse estatuto, um pai tinha poder absoluto sobre sua casa e seus filhos, podendo legalmente repudiá-los, vendê-los como escravos e até mesmo matá-los. O infanticídio era comum.Enquanto o pai estivesse vive, um filho não poderia possuir nada; tudo o que ganhasse ou comprasse era do seu pai. Quando se casasse, precisava contar com um pecúlio do pai para sustentar sua própria casa.Quando um bebê nascia, a mãe o colocava no chão; se o pai o pegasse no colo, era aceito na família. Se o pai não o pegasse (como acontecia quando sofria de alguma deficiência), o bebê era exposto em algum lugar público, onde seria tomado e transformado em escravo.Por diversos fatores, um quarto (25%) dos bebês não sobrevivia ao primeiro ano; metade não chegava aos dez anos de idade. Hoje no mundo a média é de 50 mortes por mil (ou 0,05%), enquanto no Brasil é de 22 por mil (ou 0,2%), um índice que poderia ser menor. Então, volto a ler o imperativo paulino, agora em outra versão: “Pais, não enfureçam seus filhos, magoando-os. Tomem-nos pelas mãos, para levá-los pelo caminho do Senhor”. (A mensagem, de Eugene Peterson) Vejo como ela ecoa o comando mosaico. “Ouça, oh Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das

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Israel Belo de Azevedo outubro 14, 2007

Daniel 9: ALÉM DA VERGONHA

ALÉM DA VERGONHADaniel 9 (4) Orei ao Senhor, o meu Deus, e confessei: “Oh Senhor, Deus grande e temível, que manténs a tua aliança de amor com todos aqueles que te amam e obedecem aos teus mandamentos, (5) nós temos cometido pecado e somos culpados. Temos sido ímpios e rebeldes e nos afastamos dos teus mandamentos e das tuas leis. (6) Não demos ouvido aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos líderes e aos nossos antepassados, e a todo o teu povo.(7) Senhor, tu és justo, e hoje estamos envergonhados. Sim, nós, o povo de Judá, de Jerusalém e de todo o Israel, tanto os que estão perto como os que estão distantes, em todas as terras pelas quais nos espalhaste por causa de nossa infidelidade para contigo. (8) Oh Senhor, nós e nossos reis, nossos líderes e nossos antepassados estamos envergonhados por termos pecado contra ti. (9) O Senhor nosso Deus é misericordioso e perdoador, apesar de termos sido rebeldes; (10) não te demos ouvidos, Senhor nosso Deus, nem obedecemos às leis que nos deste por meio dos teus servos, os profetas. (11) Todo o Israel transgrediu a tua lei e se desviou, recusando-se a te ouvir.Por isso as maldições e as pragas escritas na Lei de Moisés, servo de Deus, têm sido derramadas sobre nós, porque pecamos contra ti. (12) Cumpriste a palavra proferida contra nós e contra os nossos governantes, trazendo-nos grande desgraça. Debaixo de todo o céu jamais se fez algo como o que foi feito a Jerusalém. (13) Conforme está escrito na Lei de Moisés, toda essa desgraça nos atingiu, e ainda assim não temos buscado o favor do Senhor, o nosso Deus, afastando-nos de nossas maldades e obedecendo à tua verdade. (14) O Senhor não hesitou em trazer desgraça sobre nós, pois o Senhor, o nosso Deus, é justo em tudo o que faz; ainda assim nós não lhe temos dado atenção. (15) Oh Senhor nosso Deus, que tiraste o teu povo do Egito com mão poderosa e que fizeste para ti um nome que permanece até hoje, nós temos cometido pecado e somos culpados. (16) Agora Senhor, conforme todos os teus feitos justos, afasta de Jerusalém, da tua cidade, do teu santo monte, a tua ira e a tua indignação. Os nossos pecados e as iniqüidades de nossos antepassados fizeram de Jerusalém e do teu povo objeto de zombaria para todos os que nos rodeiam. (17) Ouve, nosso Deus, as orações e as súplicas do teu servo. Por amor de ti, Senhor, olha com bondade parac o teu santuário abandonado. (18) Inclina os teus ouvidos, oh Deus, e ouve; abre os teus olhos e vê a desolação da cidade que leva o teu nome. Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia. (19) Senhor, ouve! Senhor, perdoa! Senhor, vê e age! Por amor de ti, meu Deus, não te demores, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome”. Estamos diante de um profeta envergonhado. Daniel olha para a sua cidade e para a sua nação e cora de vergonha. É como se dissesse, como escreveu o historiador brasileiro João Capistrano de Abreu (1853-1927):“Art. 1º – Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Parágrafo único: Revogam-se as disposições em contrário.” Na oração de Daniel, oração sincera, profunda e verdadeira, que não tem vergonha de confessar a sua aflição e o seu próprio erro para o mal da sua nação. 1. Deus faz conosco uma aliança para a construção de uma terra justa (verso 4).Uma nação justa é uma tarefa para homens e mulheres justos. 2. Não temos uma nação justa porque não somos justos (versos 5-7).Nossos profetas (pregadores) não estão falando da justiça, porque, seduzidos, estão mais interessados em benefícios para si ou para suas organizações. Falta aos nossos profetas o sentido da profecia.Nossos governantes não estão praticando a justiça, porque estão mais interessados em benefícios para si e seus amigos. Faltam à maioria projetos realmente bons e de longo prazo. Política para eles é a busca do bem comum… a eles. Nosso povo não tem praticado a justiça. Embora grite (e grita pouco), tem traves nos próprios olhos, ao condenar o que faz. Não temos seguido os mandamentos de Deus, que são justos.A partir do livro bíblico de Lamentações, anoto os meus LAMENTOS. 1“Como está deserta a cidade,antes tão cheia de gente!”(Lamentações 1.1) Quero de volta a minha cidade um dia sorridente,cheia de gente em toda praça e em toda esquina,borbulhando de crianças correndo para baixo e para cimacoalhada de colegiais encostados nos muros em frente.Não quero esta cidade pelo tráfico controlada.Não quero esta cidade pela corrupção construída.Não quero esta cidade pelo desespero possuída.Não quero esta cidade pelo medo comprada. 2“É por isso que eu choro”.(Lamentações 1.16) Choro quando vejo que em nossa cidadenos foi roubada, com a violência, a liberdade.Choro quando vejo uma pessoa desconhecidaperder, por causa de um celular ou carro, a sua vida.Choro porque, sendo tanta a maldade,ela nos vai acompanhar pela eternidade.Choro porque, além de chorar, chorar, choraré como se pudéssemos apenas chorar, chorar, chorar. 3“Levante-se, grite no meio da noite,quando começam as vigílias noturnas;derrame o seu coração como água na presença do Senhor.Levante para ele as mãos em favor da vida de seus filhos.”(Lamentações 2.19) Não, Senhor, não são noturnas as vigílias,não há manhãs, nem tardes tranqüilas:Tenho que tecer o tempo em total tensão.É por isto que derramo em Ti o meu coração,por mim e também por nossos filhos e filhas,que querem trabalhar mas só encontram estágiosque querem brincar sem aguardar maus presságiosA Ti levanto a minha mão, confiante na tua promessacuja realização, sei com fé, nada há que impeça. Repito o que escrevei em outro momento cívico:“Choro de indignação contra aqueles que deveriam fazer tudo o que podem, mas só fazem para si mesmo. Esta é a nossa maior vergonha. Choro de indignação contra aqueles que levantam bandeiras, mas seus mastros estão furados, embora envernizados; são bandeiras, mas

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Israel Belo de Azevedo outubro 1, 2007

Êxodo 13.17-22: O FÁCIL NÃO EXISTE

O FÁCIL NÃO EXISTE(Êxodo 13.17-22) Seria perfeito se a vida fosse perfeita, mas não é. Bom seria que a vida se desse num terreno aparado para nós por Deus, mas não é; o  terreno da vida é pedregoso. A vida é como ela é, não como gostaríamos que fosse. Bom seria nela só se cumprissem os propósitos de Deus, de bem e de paz para nós, mas a maldade também tem suas agências. Entre Gênesis 1 e Apocalipse 22, há Gênesis 3.E o que Deus faz? Ele nos chama para reconstruir a vida como ela deve ser e, enquanto isto, nos ensina a viver.Como ensina um provérbio francês, “a vida é uma cebola. Choramos quando a descascamos”. Por mais otimistas que sejamos, viver é perigoso, como nos ensina uma personagem do “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa (1908-1967).Se quisermos dourar a vida, teremos, como sugeriu Arthur Schopenhauer (1788-1860), que nos basear mais na ficção e menos nos fatos. Talvez Sholom Aleichem (1859-1916) esteja com a razão, quando disse: “A vida é um sonho para os sábios, um jugo para os tolos, uma comédia para os ricos e uma tragédia para os pobres”.A vida é território fértil para o pessimismo. Eugene O’Neill (1888-1953) pensou-a como “uma cela solitária cujas paredes são os espelhos”. Outro escritor, Jean Cocteau (1889-1963) foi ainda mais caustico: “A vida é uma queda horizontal”. Uma poetisa portuguesa, Florbela Espanca (1894-1930) não ficou longe em seu pessimismo, na vida e na poesia, quando escreveu: “A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente”.Gostaríamos que fosse diferente, mas não é. Por esta razão, a ideologia dos meios de comunicação de massa nos garante, ao contrário, que tudo na vida é fácil, rápido e leve. Li um anúncio sobre computadores que dizia: “A história da sua vida pode ter a trilha que você quiser”. De fato, fazem sucesso os livros que dizem que podemos governar as nossas vidas pelo poder do pensamento, com o qual atraímos o sucesso. Na mesma toada, fazem sucesso as teologias que prometem vitória sobre vitória e proteção segura contra qualquer tipo de problema, até os do passado.Independentemente de nossa perspectiva, para todos certo deve estar que viver é lutar. Como disse Machado de Assis (1839-1908), “a vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal”. Este é o território da realidade.Como escreveu o poeta Francisco Otaviano (1825-1889), “Quem passou pela vida em brancas nuvensE em plácido repouso adormeceu,Quem não sentiu o frio da desgraça,Quem passou pela vida e não sofreu,Foi espectro de homem, não foi homem.Só passou pela vida… não viveu.” Na verdade, falta a muitos de nós uma clara compreensão do que seja vida. Na verdade, nascemos para viver, mas não estamos preparados para esta tarefa, como ensinou Boris Pasternak (1890-1960). O problema, neste processo, como escreveu Benjamin Franklin (1706-1790), é que “ficamos velhos cedo demais e sábios tarde demais”. Não há dúvida que “a vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos” (George Bernard Shaw, 1856-1950).Estamos falando de amadurecimento. Naturalmente amadurecemos. Começamos a amadurecer quando nascemos. E só paramos, quando morremos. E não antes.Com o tempo, não importam as pressões, amadurecemos. No entanto, as pressões aceleram o processo. Amadurecer é uma realidade da vida. Amadurecer é uma necessidade na vida. Não há dúvida, como brincou William Cowper (1731-1800), que “uma vida fácil é uma conquista difícil”.Assim mesmo, não convivemos bem com a realidade do amadurecimento. Apesar do que ensinou Heródoto, de que é “nas regiões macias que nascem os homens moles”, estamos sempre buscando formas de proteção contra os agentes do amadurecimento. Nossos pais tendem a nos proteger para não sermos alcançados. As religiões buscam proteger seus fiéis oferecendo respostas, às vezes cômodas, para o sofrimento. Precisamos, portanto, aprender a viver. E com quem queremos aprender?Aquele que nos conhece perfeitamente porque nos projetou e desenvolveu quer nos ensinar a viver. Deus nos ensinar a amadurecer. A maturidade nos faz bem. A maturidade faz bem aos homens.Nos 39 livros do Antigo Testamento, Deus discípula o povo que salvou e convocou para a construção de uma nova humanidade. A caminhada do povo de Israel foi, e assim pode ser vista, um programa de educação continuada. Acompanhando o itinerário deste povo, podemos melhor entender a forma de Deus discipular.Em tom de brincadeira, poderia dizer que a pedagogia de Deus é construtivista, pois espera que os aprendizes construam seus conhecimentos e respeita a especificidade das etapas da vida. Brincaria ainda dizendo que a pedagogia de Deus é peripatética: Ele caminha com seus alunos. Arroubos à parte, a pedadogia de Deus é reverente, no sentido que respeita a liberdade humana sempre.Há muitas histórias em que a pedagogia de Deus aparece por inteiro. Uma delas se dá no êxodo. A história é bem conhecida e não preciso recapitulá-la, que está sintetizada em Êxodo 13.17-22. (17) Quando o faraó deixou sair o povo, Deus não o guiou pela rota da terra dos filisteus, embora este fosse o caminho mais curto, pois disse: “Se eles se defrontarem com a guerra, talvez se arrependam e voltem para o Egito”.(18) Assim, Deus fez o povo dar a volta pelo deserto, seguindo o caminho que leva ao mar Vermelho. Os israelitas saíram do Egito preparados para lutar.(19) Moisés levou os ossos de José, porque José havia feito os filhos de Israel prestarem um juramento, quando disse: “Deus certamente virá em auxílio de vocês; levem, então, os meus ossos daqui”.(20) Os israelitas partiram de Sucote e acamparam em Etã, junto ao deserto. (21) Durante o dia o Senhor ia adiante deles, numa coluna de nuvem, para guiá-los no caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para iluminá-los, e assim podiam caminhar de dia e de noite. (22) A coluna de nuvem não se afastava do povo de dia, nem a coluna de fogo, de noite. 1. AS MALAS DE VIAGEM NÃO SÃO LEVES“Quando o faraó deixou sair

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Israel Belo de Azevedo setembro 29, 2007

2Crônicas 20.1-37: ADORAÇÃO E VIDA

ADORAÇÃO E VIDA2Crônicas 20.1-37 O povo de Israel, à época liderado pelo rei Josafá (o quarto reino do reino de Judá, no sul), enfrentou uma séria dificuldade, no caso a ameaça vinda de um exército muito forte. O povo, Josafá à frente, buscou socorro em Deus e foi atendido.A leitura de 2Crônicas 20.1-37 cai como um bálsamo para pessoas aflitas, seja qual for a origem de sua angústia. Recomendo que seja lido com atenção, porque serve de consolo e orientação. Desejo que a leitura deste texto sirva de alento para a vida dos aflitos.No entanto, quero extrair deste capítulo um outro tipo de conteúdo. Quero que esta história nos ensine sobre adoração e vida. Sim, adoração e vida, porque tendemos separar adoração e vida, como se a adoração fosse um intervalo na vida. Estamos diante de uma história em que vida e adoração caminham juntas, em que a adoração alimenta a vida, como sempre deve ser. 1. Adorar a Deus é buscar a Deus.Coerente com sua vida de adoração, mesmo alarmado, Josafá buscou a ajuda de Deus, por meio da oração e do jejum. O capítulo é a narrativa de uma vitória de Deus na vida do seu povo. Toda vitória nossa, para receber este nome, é vitória de Deus em nós. Nossa vitória é Deus ou não é vitória.A vitória foi buscada por meio da adoração e por vários meios. A adoração a Deus inclui a música vocal (congregacional e coral [com o coro dos levitas — versos 21 e 22] ou instrumental [com liras, harpas e cornetas — verso 28], mas não exclui outras modalidades, como oração (verso 6) e jejum (verso 3) e cultos públicos (versos 5 e 28).A adoração a Deus se realiza em muitos lugares, embora não precise de lugar algum. Foi por isto que Jesus disse à mulher samaritana que não havia um monte especial para adoração; o monte da adoração é onde estão dois ou três reunidos em nome de Jesus. Por isto, a adoração pública começa no culto particular, aquele que prestamos sozinhos, em casa, na rua, no trabalho.A biografia de Josafá é a de um homem que buscava a Deus. O povo de Israel estava em paz, quando a guerra chegou. O rei ficou alarmado. A fidelidade Josafá não impediu que as dificuldades surgissem. A adoração a Deus, portanto, não nos protege dos problemas da vida. Alguns nos deixam apavorados, tão graves são. Isso pode nos acontecer a qualquer momento. Então, geralmente nos perguntamos: por que comigo, Senhor, se lhe tenho sido fiel?Diante das guerras da vida, devemos adorar a Deus, até por causa dessas guerras.Adoração não pode ser um intervalo na vida. Adoração não é só para quando a guerra vem, mas deve ser uma atitude que nos deixa preparados para a guerra. Adoração a Deus é amizade com Deus. Neste texto, Abraão foi chamado de amigo de Deus (verso 7). A referência faz eco à voz de Deus em  Isaías (“Você, porém, oh Israel, meu servo, Jacó, a quem escolhi, vocês, descendentes de Abraão, meu amigo” — Isaías 41.8) e ao ensino de Tiago (“Cumpriu-se assim a Escritura que diz: `Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça’ e, e ele foi chamado amigo de Deus” — Tiago 2.23).Adoramos para melhorar nossa amizade com Deus. Se o culto, particular ou público, nos tornou mais amigos de Deus, foi um culto a Deus. Este é um dos critérios para avaliarmos o culto que oferecemos ao Senhor. 2. Adorar é reconhecer Quem Deus é.Parece que toda a Bíblia tem um só objetivo: mostrar-nos quem Deus é. Quando sabemos disto, nossa vida caminha sobre os trilhos da paz.Quando a Bíblia exalta a Deus é para que nós O reconheçamos. Se precisamos de Deus e sabemos Quem Ele é, conhecemos suas promessas e nos alimentamos do que Ele é. Diante do perigo, Josafá adorou a Deus, reconhecendo: “Senhor, Deus dos nossos antepassados, não és tu o Deus que está nos céus? Tu dominas sobre todos os reinos do mundo. Força e poder estão em tuas mãos, e ninguém pode opor-se a ti” (verso 6). O Deus que fez faz.Quando exaltamos a Deus, reconhecemos nossa própria finitude. Esta tensão é indispensável. Gosto da sinceridade de Josafá, que deve ser a de todo adorador: “não temos força para enfrentar esse exército imenso que vem nos atacar. Não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos se voltam para ti” (verso 12). Suas palavras refletem seu coração. Ele sabia Quem Deus era e quem ele era. Por isto, prostrava-se diante dEle (verso 18). Adorar é prostrar-se para exaltar a Deus (verso 17). O contrário é exaltar-se para negar a Deus.É por isto que adorar a Deus é ficar diante dEle (verso 13), seja para exaltá-lO, seja para buscar o Seu socorro. Este é outro critério para avaliarmos o culto que oferecemos a Deus: ficamos diante dEle, ou apenas diante dos amigos?A adoração a Deus nos realiza esteticamente, mas não é este o seu objetivo. Quando Josafá organiza os levitas, ele o faz para que participem da guerra, adorando a Deus e levando o povo a adorar este Deus. A estética é uma dimensão humana. E o humano gosta de ver. O que se vê é espetáculo. A permanente questão é se a adoração, no caso, um culto em que se adora a Deus, pode ser visto como espetáculo. Pode, mas não será mais adoração. Será espetáculo. Aqueles que participam de um culto na função de liderança (instrumentistas, regentes, coristas, que tanto se esforçam, à beira até do sacrifício) devem aprimorar o que fazem, no mesmo nível de um espetáculo, mas eles não tocam, regem ou cantam para serem vistos por uma platéia, embora sejam contemplados por ela; seu alvo é outro; seu alvo é levar a platéia a contemplar Deus em sua amorosa grandeza. Um crente pode participar de um evento; participará de um espetáculo, se ouvir ou ver; participará de um culto, se, ouvindo ou vendo, cantando ou tocando, reconhecer a

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Israel Belo de Azevedo agosto 11, 2007

Efésios 6.1-3: Princípios bíblicos para a vida familiar…, 8 — DEVERES DOS FILHOS, 2

DEVERES DOS FILHOS, 2 (Efésios 6.1-3) Há uma organização não governamental que tem uma interessante missão: “Dar assistência a crianças carentes portadoras do vírus da Adis, assistência social a pacientes adultos em tratamento na rede pública na cidade do Rio de Janeiro e difundir informações científicas sobre HIV/Aids além de esclarecimento de dúvidas para profissionais de saúde ou leigos”.Eu me refiro à Sociedade Viva Cazuza, dirigida pela mãe do poeta, dona Lúcia (Maria Lúcia da Silva Araújo), e que tem outro objetivo também: “guardar o acervo do grande poeta e compositor Cazuza”. (As informações estão em www.vivacazuza.org.br)Para honrar o filho, ela criou esta organização, como, segundo suas palavras, “uma tábua de salvação” para sua própria vida. Falo deste filho e desta mãe porque as vidas deles são públicas. Ela fala dele o tempo todo, para, segundo suas próprias palavras, “eternizar” sua vida, porque “o tempo não pára” (conforme uma das canções de Cazuza).Enquanto ele vivia, ela tentou demovê-lo de sua vida. Depois que morreu, em 1990, ela decidiu tornar simbolicamente longa uma vida curta, criando e mantendo, entre outros projetos, uma casa de cuidado e integração de crianças com Aids.Eu me congratulo com ela, por esta forma de conviver com a dor da perda de um filho jovem, que escolheu um caminho, que o levou à morte prematura.Faltou a Cazuza honrar seus pais.A obediência aos pais tem a ver com sabedoria. É sábio obedecer. A honra aos pais tem a ver com sabedoria e caráter. É sábio honrar. É santo honrar. Depois de aconselhar aos filhos a que obedeçam aos seus pais (“Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo” — Efésios 6.1), o apóstolo Paulo acrescenta outro:“Honra teu pai e tua mãe” — este é o primeiro mandamento com promessa — “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra” (Efésios 6.2-3).O escritor bíblico repete literalmente um dos dez mandamentos entregues por Deus a Moisés e transmitido por Moisés a nós, conforme lemos especificamente em Êxodo 20.12 (“Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá”) e Deuteronômio 5.16 (“Honra teu pai e tua mãe, como te ordenou o Senhor, o teu Deus, para que tenhas longa vida e tudo te vá bem na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá”). O Antigo Testamento, portanto, considera a honra aos pais como algo tão importante que a coloca nos Mandamentos Áureos e, num dos documentos, coloca-a junto com a guarda do sábado (“Respeite cada um de vocês a sua mãe e o seu pai, e guarde os meus sábados. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês”– Levítico 19.3) indicando a centralidade da sua importância”.Jesus citou este quinto mandamento cinco vezes (Mateus 15.4, Mateus 19.19, Marcos 7.10, Marcos 10.19, Lucas 18.20). No relacionamento com os pais (pai e mãe), Paulo mostra que é algo dinâmico, que deve ser fortalecido. Por isto, ele estabelece a qualidade deste relacionamento em forma de degraus.O primeiro degrau é obediência (como já tratamos).O segundo degrau é a honra (de que agora nos ocuparemos). 1. OS CONTORNOS DA HONRA AOS PAISHonra e obediência não são sinônimos. Na verdade, a honra antecede à obediência. Quem honra os pais obedece aos pais.Dá para obedecer sem honrar, mas não dá para honrar sem obedecer.Você pode obedecer, mesmo discordando, mesmo que enfurecido, mas não dá para honrar, senão com concordância e com alegria.Obedecer é pouco, porque é algo externo. Honrar é o máximo, porque é algo interno. Honrar é uma decisão que leva a boas atitudes, inclusive a da obediência. 1.1. A honra da gratidão: filhos que honram aos pais são gratos pela provisão deles.Os pais não são apenas provedores, mas são também provedores, sejam eles bons ou maus provedores, tenham sido eles bons ou maus provedores.Esta gratidão se demonstra com palavras e com atitudes, em três direções. Os filhos devem dizer aos seus pais que lhe são gratos. É raro um filho fazer isto quando seus pais estão vivos. Você tem dito a seus pais que é grato por eles acordarem cedo e trabalharem duro para que você tenha alimento na mesa, roupa no corpo, casa para dormir e outros acessórios? Os filhos devem falar aos seus pais com respeito. Um filho que honra os seus pais nunca levanta a voz com eles. Maimônides (1135–1204), um sábio judeu espanhol, lembra que um filho não deve amaldiçoar seu pai ou sua mãe ou lançar pragas, nem se rebelar contra eles. Honre o seu pai, saudando-o com cortesia e alegria, abraçando-o e se deixando abraçar, beijando-o e se deixando beijar por ele. Os filhos devem falar dos seus pais com respeito. É uma marca da natureza humana achar-se melhor que os outros; isto tende a acontecer, e é falta de honra, com sós filhos. Alguém em tom bem-humorado cunhou as frases que ilustram como os filhos homens tendem a pensar dos pais homens: O QUE O FILHO PENSA DO PAI Aos 7 anos:Papai é grande. Sabe tudo! Aos 14 anos:Parece que papai se engana em certas coisas que diz… Aos 20 anos:Papai está um pouco atrasado em suas teorias; não são desta época… Aos 25 anos:O “coroa” não sabe nada… Está caducando, decididamente Aos 35 anos:Com minha experiência, meu pai seria, hoje, milionário… Aos 45 anos:Não sei se consulto o “velho”; talvez me pudesse aconselhar… Aos 55 anos:Que pena papai ter morrido; a verdade é que ele tinha idéias notáveis! Não importa o que você acha do seu pai. Se você o honra, reconhece que ele “sabe das coisas”, mesmo que tenha estudado mais que ele, tenha mais dinheiro que ele, tenha mais saúde que ele.Quando conversa com seus amigos, o que diz dos seus pais? Quer saber como? Veja o que seus amigos pensam dos seus (seus) pais? Como procedem quando os encontram? O que eles sabem dos seus pais é o que você diz deles a eles. 1.2. A honra da atenção: filhos que honram

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Israel Belo de Azevedo agosto 11, 2007

Apocalipse 21: ADORAÇÃO E ESPERANÇA

Apocalipse 21 INTRODUÇÃOSó podemos pensar no céu pela imaginação poética. A do poeta do Apocalipse é sublime, como poucos. Sua descrição é viva: “Um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas aproximou-se e me disse:— Venha, eu lhe mostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro”. Ele me levou no Espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus. Ela resplandecia com a glória de Deus, e o seu brilho era como o de uma jóia muito preciosa, como jaspe, clara como cristal. Tinha um grande e alto muro com 12 portas e 12 anjos junto às portas. Nas portas estavam escritos os nomes das 12 tribos de Israel. Havia três portas ao oriente, três ao norte, três ao sul e três ao ocidente. O muro da cidade tinha 12 fundamentos, e neles estavam os nomes dos 12 apóstolos do Cordeiro. O anjo que falava comigo tinha como medida uma vara feita de ouro, para medir a cidade, suas portas e seus muros. A cidade era quadrangular, de comprimento e largura iguais. Ele mediu a cidade com a vara; tinha 2500km de comprimento; a largura e a altura eram iguais ao comprimento. Ele mediu o muro, e deu 65m de espessura, segundo a medida humana que o anjo estava usando. O muro era feito de jaspe e a cidade era de ouro puro, semelhante ao vidro puro. Os fundamentos dos muros da cidade eram ornamentados com toda sorte de pedras preciosas. O primeiro fundamento era ornamentado com jaspe; o segundo com safira; o terceiro com calcedônia; o quarto com esmeralda; o quinto com sardônio; o sexto com sárdio; o sétimo com crisólito; o oitavo com berilo; o nono com topázio; o décimo com crisópraso; o décimo primeiro com jacinto; e o décimo segundo com ametista. As 12 portas eram 12 pérolas, cada porta feita de uma única pérola. A rua principal da cidade era de ouro puro, como vidro transparente” (versos 9-21). É difícil alcançar a amplitude da descrição, senão pela imaginação. Sairemos enriquecidos se a imaginação, a do poeta bíblico e a nossa, nos levar a desejar a vida no céu. A esperança no céu não rima com alienação. O livro de Apocalipse, por exemplo, é uma obra de crítica ao Império Romano, que se apresentava como absoluto. Neste mesmo capítulo a crítica é forte: “As nações andarão em sua luz, e os reis da terra lhe trarão a sua glória” (verso 24).Como? As nações, como a Romana em que os cidadãos tinham que buscar o seu bem, não tinham luz própria enquanto não recebessem a luz de Deus? Como? O imperador que era incensado como deus teria que dar glórias a Deus? A crítica é necessária para demolir as fortalezas das certezas e abrir para a alegria da esperança. O capítulo 21 nos ajuda a entender o sentido desta esperança. O SENTIDO DA ESPERANÇA 1. Quem espera pelo céu relativiza o presente (versos 1 e 25).“Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia” (verso 1). A esperança pelo céu nos ensina a relativizar o presente. O presente precisa ser vivido e relativizado, seja ele sofrido ou triunfante. Relativizemos o sofrimento; ele não é definitivo. Relativizemos o triunfo: ele não é definitivo.O mar, absoluto aqui, por sua imensidão e por aquilo que separa, não existe no céu.A noite, por vezes tão longa aqui e por vezes tão perigosa por aqui, perderá o seu terror. Atravessaremos as ruas, se lá houver rua, sem que o medo nos aperte; curvaremos as esquinas, se lá houver esquina, sem que o medo nos ataque; venceremos as pontes, se lá houver ponte, sem que o medo nos cegue; subiremos as alturas, se lá houver altura, sem que o medo nos sufoque; trilharemos os vales, se lá houver vale, sem que o medo nos seque a garganta. Este é o sentido da promessa: “Suas portas jamais se fecharão de dia, pois ali não haverá noite” (verso 25). Esperar, portanto, pelo céu é esperar por um tempo sem noite (sem noites dormidas a  remédio, sem noites não dormidas); sem longas temporadas sem saber a direção; sem temporadas achando Deus ausente. Deus será sentido com um Deus presente, que enxugará dos olhos toda a lágrima, que lá não haverá, pois “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou”  (verso 4b). 2. Quem espera pelo céu vê Deus em ação (verso 5).“Aquele que estava assentado no trono disse: “Estou fazendo novas todas as coisas!” (verso 5)Diante do mal tão imenso, parece difícil ver que Deus está agindo. Vejamos ou não, Deus está agindo, para fazer novas todas as coisas.Nossa fé fica fortalecida com a descrição: “Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido” (verso 2). Com os olhos naturais não vemos, mas com os olhos da fé nós vemos. O Deus da criação (Alfa, princípio) é o mesmo da encarnação, que é o mesmo da redenção, que é o mesmo da celestialização (Ômega, fim): O anjo “disse-me ainda: “Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida” (verso 6). 3. Quem espera pelo céu antevê a plenitude do amor de Deus (versos 3 e 7). . No céu, Deus estará conosco, como está agora, mas nós o fruiremos de modo pleno. (“Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus” — verso 3). Por isto, não haverá intermediários, seja a religião. (“Não vi templo algum na cidade, pois o Senhor Deus

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Israel Belo de Azevedo junho 9, 2007

João 7: RENOVA-NOS, ESPÍRITO SANTO

RENOVA-NOS, ESPÍRITO SANTO(João 7.37-39) Ao longo da história do Cristianismo, o tema da renovação espiritual (também chamada de avivamento ou do reavivamento) tem sido constante. Uma vida renovada (ou avivada) é uma vida de onde saem rios de água viva. Uma vida avivada (ou reavivada) é uma vida de onde saem vasos comunicantes que levam vida ao mundo onde estão, a começar do micromundo de cada um, seja ele familiar, eclesial ou profissional.Tem havido divisão por causa da forma como esta renovação (ou avivamento) deve ser buscada. Um movimento de renovação que se faz com divisão é uma contradição em termos. Uma vida de onde fluam rios de água viva não imporá seu movimento de renovação espiritual pela força, dividindo igrejas e famílias. NÓS SOMOS O POVO DO ESPÍRITO SANTOQuando ouvimos e cremos na palavra da verdade, o evangelho que nos salvou, fomos “selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória” (Efésios 1.13-14). Nós somos o povo constituído pelo Espírito Santo.No entanto, oramos ao Pai, em nome do Espírito Santo. Fica pressuposto, apenas pressuposto, que o Espírito Santo interpreta as nossas orações.Em nosso culto, saudamos o nome de Jesus e exaltamos o Pai, como se pudéssemos glorificdar a Cristo e ao Pai, se não fosse pelo Espírito Santo que purifica os nossos lábios e aperfeiçoa o nosso louvor.Quando escreve o seu Evangelho, João parece ter isto em mente. Ele começa apresentando Jesus como aquele que batiza com o Espírito Santo (João 1.33) e termina com Jesus soprando sobre seus discípulos o Espírito Santo (João 20.22). No meio, aprendemos que a vida só é possível quando vivida no Espírito Santo (João 6.63), que vive em quem crê em Jesus como Senhor e Salvador (João 14.17). É o Espírito Santo quem ensina a verdade aos discípulos (João 14.26). Falamos e vivemos na verdade por causa do Espírito Santo em nós (João 16.13). O que sabemos sobre Jesus nós o sabemos porque o Espírito Santo testemunha a Seu respeito (João 15.26).Então, o que aconteceu com o Espírito Santo? O que fazemos com o Espírito Santo explica a qualidade de nossas vidas. Precisamos renovar o nosso conhecimento sobre o Espírito Santo para que Ele renove nossas vidas. Nossa oração permanente deve ser esta: “Cria em mim um coração puro, oh Deus, e renova dentro de mim um espírito estável” (Salmo 51.10). (Esta é a sua oração?)Por causa dos sofrimentos, vamos nos desgastando, mas, se o Espírito Santo está mesmo conosco (e está!), “interiormente estamos sendo renovados dia após dia” (2Coríntios 4.16).Portanto, se queremos (e queremos!) vidas vividas conforme as promessas de Deus, precisamos pedir que o Espírito Santo nos renove. (Esta é o seu pedido?) Este é um desejo que só o Espírito Santo pode realizar.É Jesus quem o diz. “Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito [Santo]. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito” (João 3.5-6). (Você nasceu do Espírito Santo?)Quando Jesus estava na terra, seus discípulos não precisavam do Espírito Santo, porque o Mestre estava com eles. Agora que Jesus foi glorificado nós precisamos do Espírito Santo. No entanto, por alguma razão, parece que ainda vivemos a era de Jesus, embora estejamos na era do Espírito. João estava preocupado com isto, quando relata:“Jesus levantou-se e disse em alta voz: `Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva’. Ele estava se referindo ao Espírito, que mais tarde receberiam os que nele cressem. Até então o Espírito ainda não tinha sido dado, pois Jesus ainda não fora glorificado” (João 7.37b-39). DEUS DAS FESTASEstas palavras foram proferidas em meio a uma festa, uma das mais importantes do calendário litúrgico de Israel. Precisamos conhecer esta festa, que celebrava essencialmente a presença de Deus com o seu povo. Ele devia ser celebrada dentro de cabanas, frágeis cabanas que indicavam que o povo era peregrino e fraco, mas tinha um Deus forte e vivo.Como forma de materializar Sua presença, Deus mesmo inventou algumas festas, conhecedor que uma das marcas do humano é o gosto pelas festas. Não por acaso, há centenas de textos bíblicos estimulando as festas e instruindo como devem ser celebradas. Deus estabeleceu três delas para o povo de Israel: “Três vezes por ano todos os seus homens se apresentarão ao Senhor, o seu Deus, no local que ele escolher, por ocasião da FESTA DOS PÃES SEM FERMENTO [ou Festa dos Pães Ázimos ou Festa da Páscoa], da FESTA DAS SEMANAS [Festa do Pentecostes] e da FESTA DAS CABANAS [ou Festa das Tendas ou Festa dos tabernáculos]. Nenhum deles deverá apresentar-se ao Senhor de mãos vazias: cada um de vocês trará uma dádiva conforme as bênçãos recebidas do Senhor, o seu Deus” (Deuteronômio 16.16).Estas festas incluíam peregrinações a Jerusalém (e mais tarde, ao templo de Jerusalém) e visavam a separação de um tempo para o louvor, com ações de graças pelas bênçãos de Deus, sobretudo no cuidado demonstrado por Ele em relação à terra.Este sentido está bem claro na Festa das Cabanas (ou Tendas ou Tabernáculos), que deve ser celebrada todos os anos. A instrução divina é bem clara:“Diga ainda aos israelitas: No décimo quinto dia deste sétimo mês começa a festa das cabanas do Senhor, que dura sete dias. No primeiro dia haverá reunião sagrada; não realizem trabalho algum. Durante sete dias apresentem ao Senhor ofertas preparadas no fogo, e no oitavo dia façam outra reunião sagrada, e também apresentem ao Senhor uma oferta preparada no fogo. É reunião solene; não realizem trabalho algum” (Levitico 23.34-36).Celebrada no outono israelense (ou na primavera brasileira, entre setembro e outubro), esta festa  marca o fim do período da colheita da safra e dura oito dias, sendo o oitavo para descanso solene. Era um tempo de muita alegria. Ao tempo de Jesus Cristo,

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Israel Belo de Azevedo maio 27, 2007
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