Episódios da vida de Maria, 2:“Lugar para Jesus”(Lucas 2.1-7) (1) Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. (2) Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. (3) E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se.(4) Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galiléia para a Judéia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi. (5) Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho.(6) Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, (7) e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. O imperador César Augusto, filho adotivo de seu tio-avô Júlio César, governou do ano 27 a.C. a 14 d.C. Para governar a Síria, ele escolheu o senador romano Publius Sulpicius Quirinius, encarregando-o de realizar um recenseamento para fins de cobrança de impostos. Por esta razão, esses recenseamentos eram abominados e tinham que ser conduzidos com mão de ferro, porque geravam revoltas populares.Na Palestina, esses censos tinham um custo adicional. As pessoas, não importassem onde residissem, tinham que se registrar nas cidades de suas famílias. José e sua noiva eram de Nazaré, uma cidade com uns 400 habitantes. Os ancestrais de José, no entanto, eram de Belém, uma cidade um pouco maior, localizada 130 quilômetros ao sul e com uns 1.000 habitantes.Os dois foram para lá. Ao tempo de Jesus, o único tipo de hotel existente era uma espécie de parada para caravanas, em que se podia pernoitar, depois de se alimentar os animais. Em alguns havia também um mercado para algumas compras, freqüentado por prostitutas ou pessoas sem destino. Em Belém talvez nem isto houvesse.Muito provavelmente, o casal ficou alojado na casa de algum parente distante. Os convidados ficavam no quarto de hóspedes, localizado na frente da casa. Possivelmemte, quando José e Maria chegaram, esse quarto já estava ocupado. O melhor que os anfitriões puderam fazer foi aloja-los nos fundos. Era comum na cidade que as casas tivessem cavernas nos fundos das casas, que servia de estábulo, onde ficava a junta de bois, usados para o transporte de cargas. Deste relato, ficam evidentes algumas realidades: 1. Nossas vidas são mudadas por decisões que nós não tomamos. José e Maria tiveram que fazer uma viagem que não podiam, mas que tinham que fazer por determinação legal, para eles e para todos. Ser parte de uma sociedade impõe compromissos, nem sempre agradáveis. Se parte de uma família, no caso uma linhagem familiar (linhagem de Davi, que não lhe trazia nenhum benefício material), cobrava um preço alto. Não podiam se alistar pelo correio, nem justificar suas ausências. Tinham que se registrar em Belém.Ser parte de uma família às vezes cobra um preço alto, mas vale a pena. Ali somos acolhidos e acolhemos. Somos protegidos e protegemos. Somos formados e formamos. É na família que vamos nos tornando gente, e isso se aplica a recém-nascidos, que têm tudo para aprender, e a idosos, que também aprendem. 2. Nem sempre dá para planejar todas as coisas, mesmo num mundo como o nosso, em que há <II>sites<FI> na internet até para dar nó em gravata, quanto mais fazer reserva em hotel. José, por mais cuidadoso que fosse, não conseguiu dar um lugar adequado ao seu filho (sim, seu filho, porque assim o tratou) para nascer. 3. Ás vezes, são tantas as demandas que a generosidade humana não consegue atender. Em Belém, cidade minúscula, não cabia tanta gente. Possivelmente foram preparados abrigos provisórios, ainda assim insuficientes. Maria, então, teve que ir para o estábulo. 4. Às vezes, as condições que nos são dadas não são as que queremos. Umas podem e devem ser recusadas. Outras devem ser aceitas. José e Maria buscaram onde foi possível um lugar decente para o primeiro filho do casal (sem berço, sem enxoval). Eles não gostaram das condições da caverna, escura, muito escura (num tempo sem luz elétrica…), insalubre, mal-cheirosa. Não era o que sonharam. Foi o possível. Como uma mãe que dá a luz num camburão, Maria aceitou sua condição e ali foi feliz. Tinha que ser ali? Ali seria, com alegria. Deste relato, ecoam mensagens de Natal aos nossos corações. 1. O Natal é Deus se mostrando na condição humana.A condição humana é feita de impostos a serem pagos, salários a serem recebidos, empregos a serem conquistados e/ou perdidos. A condição humana é feita de alegrias e tristezas na família.Deus não se protege atrás da sua condição divina. O Natal é Deus abrindo mão de sua condição e assumindo a nossa. Natal é Jesus no ventre de Maria numa viagem que não deveria ser feita, especialmente diante dos recursos da época: 130 quilômetros no lombo de um animal, talvez um jumento, a mãe montada, o pai a pé.Por ser Deus, Jesus não ficou livre daquela incômoda viagem. Seus pais tiveram que se alistar, mesmo estando sua mãe grávida. Talvez se perguntassem, quando Maria se sentia mal, por que aquilo, naquela hora. Não poderia o Senhor Deus dar um outro jeito, especial para eles? As regras da vida são para todos — eis o que o Natal também nos prega.Por estarem para dar à luz ao Filho de Deus, José e Maria não foram livres da condição humana, de procurarem hotel e não acharem. Tiveram os mesmos temores que qualquer mãe: nasceria com saúde? Talvez tenham feito as mesmas perguntas que fazemos, quando as coisas saem do nosso controle: por que agora? por que comigo? Meu filho não merece passar por esta humilhação!Desde a anunciação (do nascimento próximo), pelo anjo, Maria estava aprendendo, bem rápido, quem é Deus e como Ele age. Chama parceiros que vão fazendo seu caminho em meio a dificuldades, embora esteja conosco. Poderia mandar um enxoval para o bebê, mas deixou Maria envolve-lo em panos e ficou ao lado. Poderia mandar entregar um berço